O último final de semana representou um momento significativo para a história cultural de Ribeirão Preto. A realização da Conferência Municipal de Cultura foi mais do que uma etapa na elaboração do novo Plano Municipal de Cultura. Foi a retomada de algo essencial: a participação efetiva da sociedade civil nas decisões sobre o futuro cultural da cidade.
Há anos, a sociedade civil não encontrava espaços tão efetivos de participação na construção das políticas culturais do município. Por isso, o processo realizado merece reconhecimento. As escutas territoriais, as pré-conferências e a Conferência abriram caminhos para que diferentes vozes, vivências e realidades fossem consideradas.
Outro aspecto que merece destaque é a representatividade feminina à frente da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com Maria Eugênia Biffi, como Secretária. Ter uma mulher ocupando esse espaço de liderança carrega um significado importante, especialmente em um setor marcado pela diversidade, pela sensibilidade e pela pluralidade de expressões.
A presença feminina nos espaços de decisão fortalece a representatividade e reafirma a importância de diferentes perspectivas na gestão pública.
É preciso reconhecer também o trabalho de organização e condução desse processo, que reuniu artistas, produtores, trabalhadores da cultura e representantes de diferentes segmentos em torno de um objetivo comum: pensar a cultura de Ribeirão Preto para os próximos dez anos.
A construção de um Plano Municipal de Cultura vai muito além da elaboração de um documento. Trata-se de reconhecer que a cultura pertence à cidade e que suas políticas precisam nascer do diálogo com quem a produz, vive e transforma diariamente.
Ribeirão Preto tem motivos para valorizar esse momento. Depois de tanto tempo, ver a sociedade civil novamente ocupando espaços de diálogo e construção coletiva é uma conquista que merece ser celebrada.
Porque uma cidade culturalmente forte não se constrói apenas com decisões de gabinete, mas com escuta, participação e respeito às muitas vozes que formam sua identidade.

