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Valor do IPTU pode disparar

A prefeitura de Ribeirão Preto desistiu de revisar a Planta Gené­rica de Valores (PGV), que serve de base de cálculo para reajustar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), mas o novo pro­jeto enviado à Câmara na última terça-feira, 21 de novembro, pode gerar aumento de até 400% no va­lor do tributo já em 2018. O alerta foi feito pelo vereador Alessandro Maraca (PDMB) na sessão desta quinta-feira (23), na tribuna do Legislativo.

Ao retirar da Câmara o proje­to de revisão da PGV, que previa reajuste escalonado de 100% no valor do IPTU – 50% no ano que vem, mais 25% em 2019 e 25% em 2020 –, o secretário muni­cipal da Fazenda, Manoel Jesus Gonçalves, anunciou que envia­ria outra proposta ao Legislativo abordando apenas dois assuntos.

Um artigo tenta barrar uma artimanha utilizada por muitos donos de terrenos, que constro­em uma pequena edícula para deixar de pagar a alíquota do im­posto territorial (para terrenos, de 2,2%) e passar a recolher o predial (para edificações, de 0,6%).

O outro é o gerador da polê­mica e trata da retirada do limita­dor de 130% incluído no projeto de revisão da PGV aprovado em 2012 – que passou a valer em 2013. Na época, a administração Dárcy Vera (PSD) apresentou proposta que elevava o valor do tributo, mas a Câmara aprovou uma emenda limitando o reajuste em 130%.

A Planta Genérica de Valores estava desatualizada desde o iní­cio do século, quando a Câmara aprovou projeto de revisão elabo­rado pela equipe do então prefei­to Antônio Palocci Filho (PT) e o valor do imposto disparou – prin­cipalmente o territorial.

Agora, segundo Maraca, se o projeto enviado ao Legislativo for aprovado, o reajuste de até 400% será automático na cidade, com base no valor venal dos imóveis. “O governo municipal dá com uma mão e tira com a outra”, diz o peemedebista. A prefeitura deve se manifestar nesta sexta­-feira (24), já que a denúncia foi feita na noite de ontem, durante a sessão da Câmara. No entanto, ao desistir de revisar a PGV, o secre­tário da Fazenda disse que, com as mudanças, 94% dos imóveis em Ribeirão Preto terão o valor do IPTU de 2018 semelhantes ao do imposto deste ano, e a ar­recadação do município deve ser similar à de 2017 – cerca de R$ 300 milhões.

O artigo enviado à Câma­ra diz: “a alteração citada na lei complementar nº 2.572/2012 visa excluir o limite de 130% na variação do valor venal no lan­çamento do IPTU, fixado pela referida lei (Planta genérica de Valores dos Imóveis Prediais e Territoriais) em vigor, corrigindo, assim, distorções no valor venal dos imóveis”.

“O Executivo está tratando esta questão com muita inabilida­de e falta de sensibilidade com a população principalmente neste tempo de crise”, diz Maraca. Nes­ta semana, ao anunciar a retirada do projeto de revisão da PGV, a Coordenadoria de Comunica­ção Social (CCS) confirmou ao Tribuna que, para 2018, será apli­cado apenas a correção anual de 1,83%, com base no Índice Na­cional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O percentual corresponde à inflação acumulada nos últimos doze meses, entre novembro de 2016 e outubro passado – a prefeitura não pode aguardar o INPC de novembro porque a Companhia de Desenvolvimen­to Econômico de Ribeirão Preto (Coderp) ainda tem de rodar os carnês que posteriormente serão distribuídos pelos Correios.

Neste ano, o aumento foi de 8,5% com base no INPC medido entre novembro de 2015 e outu­bro de 2016 – no período ante­rior havia sido de 10,33%. Foram emitidos cerca de 305 mil carnês do IPTU. O projeto da Lei Orça­mentária Anual (LOA) entregue à Câmara em 30 de setembro não traz qual o valor seria arrecadado a mais com a revisão da PGV. A previsão da Fazenda na proposta é que o IPTU gere receita de R$ 349 milhões, ou 9,06% maior que a projeção para 2017, de R$ 320 milhões, aporte de R$ 29 milhões.

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