Rosemary Conceição dos Santos*
De acordo com especialistas, Laura Restrepo é escritora e professora universitária de literatura, atuando na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Graduada em Filosofia e Letras, fez sua pós-graduação em Ciências Políticas, destacando-se na defesa das causas humanitárias, integrando a comissão negociante da paz entre o governo colombiano e o grupo guerrilheiro M-19 em 1983. Figurando entre os autores latino-americanos reconhecidos, seus textos e obras foram traduzidos em mais de 20 idiomas, mesclando reportagem e ficção, dialogando de modo humorado com a realidade, sem perder a objetividade e o criticismo.
Dentre suas obras, “Historia de un entusiasmo” (1986) retrata sua interação com os membros guerrilheiros do M-19, ganhando notoriedade pelos perfis psicológicos complexos bem delineados em meio à confusão e miséria social. Para contextualizar os emaranhados psicológicos de seus personagens, a autora mistura a narrativa policial e o romance histórico, abordando o narcotráfico, o conflito de gerações e paixões e reflexões maternas. Seus textos são ricos em detalhes detetivescos com toques de mistérios e reflexões.
Já “Heróis demais” (2011), oitavo livro de Laura Restrepo, traz a história clássica de um filho em busca do pai. Mas essa busca não é nada clássica, nem esse pai. Mateo, um adolescente de dezesseis anos, vai para Buenos Aires com a mãe, Lorenza, esperando encontrar o pai que não vê desde a infância. Um trecho? “O próprio Mateo o tinha batizado assim, o lance obscuro, porque o que aconteceu naquela vez foi nocivo, mas também porque estava sepultado sob uma montanha de meias verdades. O pior de tudo era sua falta de lembranças; aquilo tinha acontecido quando ele era pequeno demais para fixar na memória. Bengaladas de cego. Era uma expressão que tinha ouvido por aí. Ele se sentia assim, dando bengaladas de cego em meio a uma história que não compreendia, mas de que fazia parte e que o prendia como uma rede”.
Em “Delírio” (2008) Aguilar é um nativo de Bogotá, um ex-professor de literatura que se torna vendedor de ração para cachorros para ter mais tempo livre. A nova rotina de representante de vendas agora exige que o antigo docente viaje para vender seus produtos: em um desses deslocamentos, ele vai a Ibagué, cidade autointitulada como meca da música e do folclore colombianos. Em contraste com Aguilar, que trabalha para se manter na classe média, Agustina, sua esposa, é herdeira, uma Londoño; filha de família endinheirada na Colômbia dos anos 1980. No mesmo dia em que Aguilar está em Ibagué, Agustina se encontra hospedada no hotel Wellington, cinco estrelas, em um bairro de Bogotá e, misteriosamente, ela surta, entrando em estado de delírio. A partir disso, segue-se uma narrativa policial detetivesca, sugerindo que a insanidade individual, naquele momento, na Colômbia, é parte e resultado de amplas estruturas sociais em processo de deterioração.
Outros títulos de sua autoria? “Doce Companhia” (1997), “La isla de la pasión” (1989), “Las vacas comen espaguetis” (1989 – infantil), “La multitud errante” (2001), “Olor a rosas invisibles” (2002); “O Leopardo ao sol” (2002), “A noiva escura” (2003), “Hot sur” (2012) e “Pecado” (2016).
Professora Universitária*





