O Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março, tem origem nas mobilizações femininas e operárias que marcaram o final do século XIX e o início do século XX. A data tornou-se símbolo mundial da luta por direitos, igualdade de oportunidades e reconhecimento do papel das mulheres na sociedade.
Os primeiros movimentos organizados surgiram em meio às transformações sociais provocadas pela industrialização. Em vários países da Europa e nos Estados Unidos, trabalhadoras passaram a reivindicar melhores condições de trabalho, redução da jornada, direito ao voto e igualdade salarial.
Em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas realizada em Copenhague, na Dinamarca, a ativista alemã Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional dedicado à mobilização pelos direitos das mulheres. A ideia foi aprovada e, no ano seguinte, em 1911, ocorreram as primeiras manifestações organizadas em países como Alemanha, Áustria, Dinamarca e Suíça.
A consolidação da data em 8 de março está relacionada a um episódio histórico ocorrido em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Na cidade de Petrogrado, atual São Petersburgo, na Rússia, mulheres operárias realizaram uma greve exigindo “pão e paz”. A mobilização desencadeou protestos que contribuíram para a Revolução Russa daquele ano e acabou marcando simbolicamente o dia.
Décadas depois, em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a celebrar oficialmente o Dia Internacional das Mulheres, dentro do Ano Internacional da Mulher. Dois anos mais tarde, em 1977, a Assembleia Geral da ONU convidou os países-membros a instituírem a data como um dia de reflexão sobre os direitos das mulheres e a promoção da igualdade de gênero.
Hoje, o 8 de março é lembrado em mais de uma centena de países, reunindo iniciativas institucionais, eventos culturais, debates acadêmicos e manifestações sociais. A data busca não apenas celebrar conquistas femininas ao longo da história, mas também chamar atenção para desafios que ainda persistem, como desigualdade salarial, violência de gênero e menor participação feminina em posições de poder.
No Brasil
No Brasil, o Dia Internacional das Mulheres ganhou maior visibilidade a partir da segunda metade do século XX, acompanhando o movimento internacional de reconhecimento da data.
Ao longo das décadas, a mobilização por direitos femininos contribuiu para avanços importantes no país, como a ampliação da participação política, leis de proteção contra a violência doméstica e políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
Atualmente, o 8 de março é marcado por debates, campanhas educativas, eventos institucionais e manifestações promovidas por organizações sociais, universidades e órgãos públicos. A data também costuma ser utilizada para destacar conquistas femininas em diferentes áreas da sociedade, da ciência e da política ao esporte e à cultura.
Os mitos sobre o 8 de março
Algumas interpretações populares sobre a origem do Dia Internacional das Mulheres são frequentemente repetidas, mas não correspondem exatamente ao que apontam pesquisas históricas.
Uma das versões mais conhecidas afirma que a data teria surgido diretamente após um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York, no início do século XX, no qual dezenas de operárias teriam morrido. Embora o incêndio da fábrica Triangle Shirtwaist, ocorrido em 1911, tenha sido um marco na luta por direitos trabalhistas, historiadores indicam que ele não foi a origem direta da criação do Dia Internacional das Mulheres.

Outra interpretação equivocada é a ideia de que o 8 de março teria surgido a partir de um único protesto ou evento isolado. Na realidade, a data é resultado de um processo histórico mais amplo, que envolveu décadas de mobilização de movimentos femininos e operários em diferentes países.
Pesquisadores e organismos internacionais apontam que o significado do Dia Internacional das Mulheres está ligado a essa trajetória coletiva de reivindicação por direitos, que continua a evoluir ao longo do tempo.
Mulheres ampliam presença na música, mas ainda recebem apenas 10% dos direitos autorais
O número de mulheres cadastradas na gestão coletiva da música no Brasil cresceu quase cinco vezes em um ano, e os rendimentos femininos em direitos autorais de execução pública aumentaram 33% em 2025 na comparação com 2024. Apesar do avanço, elas representaram apenas cerca de 10% das pessoas físicas beneficiadas com a distribuição desses valores no país.
Os dados fazem parte da sexta edição do relatório Mulheres na Música, divulgado pelo Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
Segundo o levantamento, mais de 54 mil mulheres foram cadastradas no banco de dados da gestão coletiva em 2025, número que corresponde a aproximadamente 20% dos novos cadastros realizados no período. Em 2024, foram pouco mais de 12 mil registros femininos, indicando crescimento expressivo em apenas um ano.
De acordo com o Ecad, o aumento reflete uma presença maior de mulheres na indústria musical, atuando como autoras, intérpretes, instrumentistas e produtoras em busca de reconhecimento por suas criações e apresentações.
Distribuição desigual
Mesmo com o aumento de participação, os dados mostram que a desigualdade de gênero ainda é significativa no setor. Em 2025, o Ecad distribuiu mais de R$ 1 bilhão em direitos autorais a pessoas físicas. Desse total, cerca de R$ 100 milhões foram destinados às mulheres.
O número de beneficiárias também cresceu ao longo dos anos. Em 2025, mais de 33 mil mulheres receberam valores de direitos autorais. Em 2020, quando o relatório foi lançado pela primeira vez, esse número era de cerca de 22 mil.
Baixa presença entre autores mais bem pagos
A desigualdade também aparece entre os compositores de maior rendimento. Entre os 100 autores que mais receberam direitos autorais em 2025, apenas 2% são mulheres. O índice representa uma queda em relação aos anos anteriores, quando elas correspondiam a 5% em 2024 e 6% em 2023.

A participação feminina também é reduzida entre as músicas mais executadas em shows no país. Entre as 100 canções mais tocadas em apresentações ao vivo em 2025, apenas 11 têm participação feminina na autoria.
Nas primeiras 20 posições desse ranking, apenas uma música conta com autoria feminina.
Para o Ecad, os dados indicam que, apesar de avanços recentes, a desigualdade de gênero continua presente na indústria musical brasileira.
“Os números mostram que as desigualdades persistem desde os valores distribuídos em direitos autorais até a ausência de mulheres nas composições das músicas mais tocadas no Brasil”, afirmou a superintendente executiva do Ecad, Isabel Amorim.
Segundo ela, o relatório busca estimular iniciativas que ampliem a participação feminina e promovam maior equidade no setor cultural.

