Tribuna Ribeirão
Entretenimento

A ousadia sonora dos experimentais

Reprodução Instagram
Por Danilo Casaletti

A primeira edição paulista do Festival Novas Frequências, dedicado à música experimental, começa nesta segunda-feira, 8, com apresentações no Teatro Cultura Artística e no Sesc Avenida Paulista. Com 11 atrações, o festival, que ocorre há 15 anos no Rio de Janeiro, terá desta vez artistas de países como Canadá, Japão, México, Chile e, claro, Brasil.

Na abertura, no Cultura Artística, o público vai conhecer as canadenses Kara-Lis Coverdale, organista que transita entre música acústica e eletrônica, e Sarah Davachi, performer que investiga as relações sutis entre timbre e tempo. No dia 11, o mesmo teatro receberá o trio eletroacústico Algol, formado por Christian Lillinger (Alemanha), Elias Stemeseder (Áustria) e Camilo Ángeles (Peru).

Quer ouvir ritmos andinos com estruturas sonoras nada tradicionais? A pedida é ir ao Sesc Avenida Paulista, no dia 9, onde estará no palco o Los Thuthanaka, projeto colaborativo dos irmãos bolivianos-aymaras Chuquimamani-Condori e Joshua Chuquimia Crampton, artistas radicados nos Estados Unidos.

A banda de heavy metal japonesa Birushanah também se apresenta no dia 9, no mesmo Sesc Avenida Paulista, unindo o metal à percussão feita com panelas. Além do inusitado sonoro, chama atenção a inversão de curso – geralmente são artistas brasileiros que vão ao Japão. A música japonesa é pouca divulgada por aqui. Esta será a primeira vez que o trio formado em 2002, em Osaka, virá ao Brasil.

Chico Dub, criador e curador do Novas Frequências, dá pistas sobre como será a apresentação da banda, que preserva o estilo “garagem”: “Posso afirmar com tranquilidade que o show deles é absurdo. Vi no Rio, no dia 3, e saí impressionado. É uma combinação genial de bateria, com timbres metálicos das panelas, com um tipo de rock bem pesado, meditativo, em câmera lenta mesmo.” O curador traça um comparativo com uma das bandas de metal mais conhecidas no mundo. “É como se o Sepultura tivesse nascido no Japão aos pés de um templo budista”, ele brinca. A edição deste ano, no Rio, do Novas Frequências, ocorreu entre os dias 3 e 7 de dezembro.

Duas artistas brasileiras estão na programação em São Paulo. A flautista e pesquisadora Marina Cyrino, que atualmente mora em Berlim, na Alemanha, e se dedica à improvisação, e a harpista Marina Mello, radicada em Zurique, na Suíça, que explora paradoxos sonoros entre o silêncio e o ruído.

DEBUTANTE

Dub afirma que, depois de 15 anos, no Rio de Janeiro, foi preciso trazer o festival “na raça” para São Paulo. “Tentei isso por anos e anos”, relata. “Eu queria trazer o Novas Frequências com o mínimo de recursos, estrutura e alcance de mídia. Até que em algum momento eu desisti. Essa vinda agora – e totalmente na raça, aliás – tem a ver com a efeméride dos 15 anos. Achei que, mesmo com todas as dificuldades, a gente deveria fazer uma edição à altura, celebrando o fato de um festival de música experimental, sem concessões, completar essa marca e tanto de duração”, completa Dub.

Ele também está de olho no futuro. “Quem sabe, vindo para a cidade de São Paulo, fazendo o festival acontecer, mostrando para os paulistas como ele funciona e o quão maravilhoso ele é, a gente não consiga abrir caminho para realizar outras edições aqui, da forma como ele realmente deve ser feito”, lança ele.

O desafio é justamente mostrar que os artistas que estão completamente fora do mainstream, fazendo música instrumental, também podem atrair público. Para Dub, a explicação é fácil. “Pense na Bienal, mas também nas pequenas galerias, nas mostras de museus, nas programações variadas dos centros culturais. Existe um universo infinitamente vasto e diversificado entre os extremos, certo? Então por que, na música, tudo parece funcionar diferente? Por que só artistas mainstream e festivais de milhares e milhares de pessoas?”, questiona.

A programação completa e os links para venda de ingressos, que custam entre R$ 18 e R$ 120, estão no site do Festival Novas Frequências.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

VEJA TAMBÉM

‘Jane Eyre’: Clássico de outra Brontë terá nova versão para as telas com Aimee Lou Wood

William Teodoro

Iron Maiden prepara novo documentário para comemorar 50 anos da banda

William Teodoro

Guns N’ Roses e mais artistas impediram uso de músicas em documentário sobre Melania Trump

William Teodoro

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com