Por Hugo Luque
O Botafogo entra em campo neste domingo (1º) para seu compromisso mais esperado na primeira fase do Campeonato Paulista, diante do Palmeiras, no Estádio Santa Cruz/Arena Nicnet, às 20h30. Válido pela sexta rodada, o jogo coloca frente a frente o Pantera em busca de se afastar da zona de rebaixamento e o Verdão de olho na liderança.
Na última rodada, o Tricolor perdeu justamente para o primeiro colocado. Fora de casa, o conjunto ribeirão-pretano acabou batido por 2 a 0 pelo Novorizontino. Com cinco pontos somados em cinco rodadas, o Bota continua ameaçado pelo rebaixamento.
Por isso, a primeira semana “cheia” da temporada vem em bom momento. Após finalmente conseguir descansar e treinar de forma mais intensa o elenco, o técnico Claudio Tencati acredita que a partida deste domingo tende a ser um divisor de águas na reta final desta fase do estadual.
“Temos uma semana cheia e preparar é importante. Temos três jogos e um caminho. A gente vai buscar de cinco pontos a seis [para tentar a classificação] ou vamos buscar quatro para fazermos a manutenção. Já sabemos o caminho que temos de fazer. É doação, trabalho e seguir em frente acreditando. Não podemos perder a esperança e deixar de acreditar”, afirmou.
O Botafogo acumula uma vitória, dois empates e duas derrotas no ano. Para Tencati, o principal tropeço do time até aqui foi o empate com o Noroeste, em Ribeirão Preto. Os reveses, especialmente diante do líder Novorizontino, não são vistos como resultados anormais pelo profissional.
“Perder em Novo Horizonte não é nada absurdo. O Palmeiras veio aqui e tomou uma saraivada, o Guarani veio e perdeu. Na minha opinião, jogamos muito mais do que essas equipes”, pontuou.
Oscilação normal
O plantel da equipe do interior foi reformulado para esta temporada. Com um novo técnico, novos dirigentes no comando do futebol e muitos jogadores recém-chegados, a possibilidade de oscilação no início da campanha tem sido vista como normal pelo grupo.
Um dos “novatos” no Tricolor, o volante Matheus Sales foi titular pela primeira vez com a camisa do novo clube na rodada passada. Aos 30 anos, o reforço acredita na possibilidade de um ano diferente para a torcida, que se acostumou, nas últimas jornadas, a sofrer em lutas contra a queda em todas as competições de pontos corridos disputadas.
“Estamos num processo normal, de evolução, de mudança. Já encontramos um caminho e vamos evoluir mais, fazendo o que estamos fazendo, trabalhando o máximo todos os dias, todos num foco só. Tenho certeza que será um ano diferente”, projetou.

Um ponto importante para um 2026 “fora da curva” é o apoio da torcida. No primeiro jogo em casa, contra o Noroeste, quase 5 mil pessoas foram às arquibancadas do Santão, que fez promoção de ingressos. Já contra o Primavera, o público total caiu para 1.120.
A expectativa é de casa cheia, mesmo com os ingressos mais caros para uma partida do clube na temporada até o momento. As entradas estão à venda virtualmente pelo site oficial do Tricolor e também nas bilheterias do estádio, com preços que vão de R$ 180 (R$ 90 a meia-entrada) a R$ 400 (R$ 200 a meia). Os valores também variam entre R$ 180 e R$ 400 para a torcida alviverde.
“Acredito ser normal a oscilação, mas estamos num caminho certo. Vamos fazer um ano totalmente diferente dos outros. Quero o apoio da torcida”, pediu Sales. “Sem ela, fica muito difícil acontecer alguma coisa. Tenho certeza que faremos um ano muito legal, muito vitorioso.”
Após a semana sem jogos, Tencati pode voltar a contar com o zagueiro Wallace, o lateral-direito Jefferson e o atacante Hygor, que estavam afastados por questões físicas. O volante Morelli, lesionado, perdeu a última rodada e tem menos chances de aparecer entre os relacionados.
Um provável time titular tem: Victor Souza; Jonathan (Gabriel Inocêncio), Ericson, Vilar e Patrick Brey; Matheus Sales, Leandro Maciel e Rafael Gava; Jefferson Nem, Márcio Maranhão (Kelvin) e Léo Gamalho.
O Palmeiras
Do outro lado, o Palmeiras mira a liderança na tabela. Com 12 pontos, o Verdão está atrás do Novorizontino apenas no saldo de gols (8 a 1). Com a classificação ao mata-mata praticamente assegurada, Abel Ferreira não deve levar força máxima a campo.
Isso porque o time da capital divide as atenções entre o estadual e o Campeonato Brasileiro. No Paulista, soma quatro vitórias e uma derrota. Já no nacional, iniciou sua campanha no meio de semana com um empate sofrido em 2 a 2 com o Atlético-MG, fora de casa. Depois de um ano sem troféus, o técnico português quer afastar expectativas irreais de seu grupo e utiliza a Fórmula 1 de exemplo.

“O Ayrton Senna, em dez [temporadas], ganhou três e perdeu sete. Os torcedores de todas as equipes têm de estar preparados, porque vão perder mais do que ganhar. Nem o Max Verstappen, que também é meio brasileiro, vai ganhar todas”, comparou.
“O fato de eu perder, não quer dizer que eu seja perdedor. O que define a atitude de um campeão é como eu reajo sobre tudo diante de momentos de adversidade”, acrescentou.
Apesar de o treinador projetar mais derrotas do que vitórias, o histórico palmeirense no confronto com o Botafogo é positivo. Foram 22 triunfos, dez reveses e 18 empates em 50 encontros. A última vez que o Pantera levou a melhor foi no Paulistão de 2014. No único duelo do ano passado, deu Verdão por 3 a 1, no Allianz Parque.
Com a possibilidade de uma equipe “mista”, os visitantes devem ir a campo com: Marcelo Lomba; Giay, Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Jefté; Martínez, Larson e Mauricio; Allan, Riquelme Fillipi (Luighi) e Flaco López (Vitor Roque).

