Por: Adalberto Luque
O delegado de Serrana, Marcelo Mello Garcia de Lima, vai pedir a prisão preventiva de Douglas Júnior Nogueira, de 32 anos. Segundo o delegado, as investigações concluíram que ele é o principal suspeito pela morte da menina Ana Alice Santos França, de 11 anos, ocorrido em 13 de novembro do ano passado.
Nogueira foi preso temporariamente no dia 15 de novembro. Ele estava na casa de sua mãe, na cidade de Santa Rosa de Viterbo. Sua prisão temporária foi prorrogada por mais 30 dias, até 14 de janeiro.
O delegado pediu a prisão preventiva e Nogueira pode ficar preso até o julgamento do caso. A prisão foi pedida apesar de novo laudo complementar apontar que a causa morte não foi definida. O laudo foi divulgado na última semana mas, segundo o delegado, há vários elementos colhidos durante as investigações que são relevantes e demonstram que a criança sofreu atentado e a suspeita é que o padrasto teria causado esses ferimentos.
Lima explicou que o homem foi interrogado em duas ocasiões diferentes e apresentou incoerências nas informações, sobretudo em relação aos horários. Além disso, segundo o delegado, ele disse num primeiro momento ter visto a vítima desfalecida e não teria percebido. Também teria filmado a criança desacordada, ao invés de socorrer imediatamente.
O delegado descarta o envolvimento de outra pessoa. Ele também levou em conta a conduta social do padrasto, através de depoimentos colhidos, onde foi citado que ele teria implicância com a menina em relação às roupas, cabelo e uso excessivo do celular. Lima também adiantou que pode ter havido fraude processual, o que está sendo investigado.
O homem foi indiciado e o delegado disse ter encaminhado o pedido de prisão preventiva para o Ministério Público. O inquérito já tem mais de 400 páginas. A reportagem não encontrou a defesa do padrasto.
Relembre o caso
Ana Lúcia foi encontrada caída na sala da casa pelo padrasto e pela irmã de 15 anos, na noite de 11 de novembro. Pouco antes, apenas a criança, o padrasto e o irmão de 19 anos estavam na casa.
Douglas Júnior Nogueira disse que dormiu ao chegar do trabalho. O irmão saiu para ir à academia. O padrasto acordou para buscar a mãe da criança no trabalho, mas antes abriu o portão para a outra irmã, que voltava da igreja.
Foi ela quem percebeu que Ana Alice estava caída, sem respirar. Os dois levaram Ana Alice até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Serrana, onde ela foi estabilizada e transferida para o Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), no Centro de Ribeirão Preto.
Foi a médica que atendeu a criança que percebeu a marca no seu pescoço. Ele comunicou o fato à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde o delegado Lima, que é titular em Serrana, estava de plantão.
Ele ouviu o padrasto e a mãe da menina e apreendeu telefones celulares para análises. A princípio foi dito que ela podia ter tentado suicídio usando a corda de um brinquedo, o que acabou sendo descartado. No dia 13, Ana Lúcia morreu no HC-UE. Novamente a médica ligou para o delegado, comunicando que havia material biológico masculino e dois ferimentos na vulva da criança.
O caso passou a ser investigado como estupro de vulnerável. No dia 14, o delegado pediu a prisão preventiva do padrasto por considerá-lo o principal suspeito.
Ele foi preso no dia 15, em Santa Rosa de Viterbo, na casa de sua mãe, a 70 km de Serrana. Mesmo com o laudo do IML que descartou sêmen, drogas e veneno no corpo da criança, ele seguiu preso e teve sua prisão temporária prorrogada por mais 30 dias. Está preso na Penitenciária de Serra Azul, enquanto as investigações prosseguem.

