Decisão será tomada após o fim do prazo solicitado pela empresa Estre Ambiental para analisar pedido de reajuste dos trabalhadores
Os motoristas e coletores de lixo ameaçam entrar em estado de greve a partir de segunda-feira, 9 de fevereiro. Segundo apuração do Tribuna junto à categoria e ao Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários e dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Ribeirão Preto e Região, a decisão será tomada neste final de semana.
Nesta sexta-feira (6) termina o prazo que a responsável pelo serviço em Ribeirão Preto, a Estre Ambiental, solicitou á categoria para responder às reivindicações da data-base. Na quarta-feira (4), a empresa solicitou 72 horas ao Sindicato dos Motoristas para se manifestar sobre os pedidos e, se for caso, apresentar contraproposta.
A entidade é presidida pelo ex-vereador Walter Gomes. Os coletores são representados por outro entidade sindical. A extensão do prazo foi solicitada após os motoristas e coletores rejeitarem a proposta de acordo coletivo de trabalho apresentado pela empresa.

No caso dos condutores, a oferta foi de reajuste de 5,5% nos salários, índice que, segundo a Estre Ambiental, está 40% acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preço aos Consumidores (INPC) – calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – acumulado no ano passado, de 3,89%.
Atualmente, os motoristas tem piso de R$ 2.380 e a categoria reivindica R$ 2.600, aumento de 9,24% e aporte de R$ 220, além de vale-refeição de R$ 1 mil reais. A correção do valor pago por horas extras também faz parte das reivindicações.
Os motoristas reivindicam pagamento de 100% de adicional a partir da segunda hora, igualando o benefício dos motoristas ao dos coletores, que já recebem esse percentual. A proposta da empresa é pagar para os motoristas, 70% nas horas que ultrapassarem esse limite.
Greve branca – Enquanto aguardam uma resposta oficial da Estre Ambiental, os motoristas e coletores decidiram fazer uma espécie de greve branca. Segundo apuração da reportagem, o movimento consiste em não realizar a coleta de lixo em sua totalidade. Ou deixam ruas e avenidas inteiras sem o recolhimento, ou a cada dez quarteirões recolhidos dois (20%) ficam sem o serviço. No bairro Quintino Facci I, na Zona Norte da cidade, os resíduos que deveriam ter sido coletados na quarta-feira não haviam sido recolhidos até a esta quinta-feira (5).
A Estre Ambiental enviou nota ao Tribuna. Diz que se encontra, neste momento, “em processo regular de negociação sindical, conduzido de forma responsável, transparente e dentro dos parâmetros legais.”
“Apesar disso, a empresa tem registrado ausências coordenadas de empregados, que vêm impactando temporariamente algumas rotas de coleta no município. Não há greve regularmente deflagrada ou comunicada, nos termos da lei nº 7.783/89, razão pela qual tais condutas configuram paralisação irregular de serviço essencial”, afirma o texto.
Sobre o atraso da coleta em vários locais da cidade, ressaltou que “diante da essencialidade do serviço de limpeza urbana, a Estre Ambiental está priorizando áreas críticas e adotando todas as medidas operacionais e legais cabíveis para minimizar os impactos à população de Ribeirão Preto.”
“A Estre Ambiental reafirma seu compromisso com a sustentabilidade do contrato, a continuidade dos serviços essenciais e a manutenção do diálogo institucional, sempre em observância à legislação vigente”, finaliza.
Procurada, a prefeitura de Ribeirão Preto informa que as negociações do acordo de trabalho entre motoristas e coletores de lixo são realizadas diretamente entre a empresa responsável pelo serviço e o sindicato da categoria.
“Embora não participe dessas negociações, a prefeitura acompanha de perto a situação para evitar prejuízos à população e exige que a coleta de lixo seja mantida sem interrupções”, diz o texto enviado ao Tribuna. Sobre a coleta de lixo, a Secretaria de Infraestrutura e Zeladoria, informa que já notificou a empresa.
“Desde o final de 2025, a administração municipal tem recebido reclamações relacionadas a atrasos na execução do serviço”, diz o comunicado. “A administração municipal ressalta que a notificação tem como objetivo garantir o cumprimento do planejamento operacional, evitar a recorrência desse tipo de ocorrência e assegurar a regularidade do serviço prestado à população.”
A Estre Ambiental assumiu o serviço em junho de 2024, após a administração municipal do então prefeito Duarte Nogueira (na época no PSDB, hoje no PSD) desclassificar o Consórcio SA Ambiental, que havia vencido a licitação – pregão eletrônico – de coleta do lixo e destinação dos resíduos sólidos.
A empresa é responsável pela coleta, gerenciamento e destinação de resíduos sólidos na cidade, além da coleta seletiva. Atualmente, o valor com correção da inflação feita em 2024 pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) é de R$ 88.981.191,59
O Consórcio SA Ambiental havia oferecido R$ 79.998.863,04 por um contrato com duração de doze meses, mas foi desclassificado em função de apresentar um plano de trabalho inexequível, segundo o governo municipal e a Estre Ambiental assumiu a coleta.
No certame havia oferecido o valor global de R$ 86.990.634,24 por um contrato de doze meses e que poderia ser prorrogado no final do período. A prorrogação foi assinada pela secretaria municipal de Infraestrutura, a quem o serviço está subordinado e valerá até 30 de junho deste ano.
A licitação foi dividida em limpeza urbana, com custo estimado de R$ 28.901.342,52, e coleta de lixo e gerenciamento e destinação de resíduos sólidos, com R$ 96.577.389,60. O valor estimado de todo o processo licitatório era de R$ 125.478.732,12, mas as empresas vencedoras apresentaram valores inferiores aos previstos em edital.
O lote da limpeza urbana foi vencido pela Suma Brasil – Serviços Urbanos e Meio Ambiente S.A., de Belo Horizonte (MG), por R$ 20.484.540,36. Envolve varrição de ruas, avenidas, alamedas e travessas, viadutos, trincheira e túnel em Ribeirão Preto. Todos os dias, em Ribeirão Preto, são gerados cerca de 650 toneladas de resíduos sólidos urbanos.

