Brasil segue na segunda posição no ranking dos países com o maior juro real do mundo, com 9,23% ao ano
Apesar do recuo da inflação e do dólar, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Taxa Selic em 15% ao ano. A decisão era esperada pelo mercado financeiro.
Essa é a quinta reunião seguida em que o Copom mantém os juros básicos. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano. A decisão unânime ocorreu com o Copom desfalcado. No fim de 2025, expirou o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos na volta do Congresso Nacional, em fevereiro. Após chegar a 10,5% ao ano em maio do ano passado, a taxa começou a ser elevada em setembro de 2024. A Selic chegou a 15% ao ano na reunião de junho do ano passado, sendo mantida nesse nível desde então.
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permanece em 12,25% pela quinta semana seguida. Considerando só as 106 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana saltou de 12,00% para 12,25%.
A projeção para o fim de 2027 continua em 10,50% pela 50ª semana seguida. Considerando só as 99 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também permanece em 10,50%. A previsão para a Selic no fim de 2028 segue em 10,00% Há um mês, era de 9,75%. Para o fim de 2029, a estimativa permanece em 9,50%, pela 13ª semana seguida.
Juro real – O Brasil continua a ter o segundo maior juro real do mundo, formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída a inflação prevista para os próximos doze meses. Assim, segundo levantamento compilado pelo MoneYou, os juros reais do país ficaram em 9,23%.
A primeira colocação do ranking pertence à Rússia, que registrou uma taxa real de 9,88%. Em terceiro lugar, está a Argentina, com juros de 7,63%. A Turquia é ocupa a quarta posição, com 6,45%, após meses a liderança, segundo a medição da MoneYou.
Brasil permanece na quarta colocação do ranking nominal de juros, com 15%, acima de Colômbia (9,25%), México (7%) e África do Sul (6,75%) e abaixo de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (16%). O levantamento considerou os 40 países mais relevantes do mercado de renda fixa mundial nas últimas duas décadas.
Inflação – A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2025, o IPCA ficou em 4,26% , o menor nível anual desde 2018. Com o resultado, o indicador voltou a ficar dentro do teto da meta contínua de inflação.
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em doze meses. No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária diminuiu para 3,5% a previsão do IPCA para 2026, mas a estimativa será revista, por causa do comportamento do dólar e da inflação.
As previsões do mercado estão menos otimistas. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 4%, levemente acima acima do teto da meta. Há um mês, as estimativas do mercado estavam em 4,05%.
Crédito – Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a Selic. Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Os bancos consideram outros fatores além da Selic na hora de definir os juros a serem cobrados dos consumidores, entre eles risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica

