Luiz Paulo Tupynambá *
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Donald John Trump nasceu em 14 de junho de 1946, no Queens, bairro de classe média alta em Nova York. Seu pai, Fred Trump, era um construtor e locador de imóveis bem-sucedido. Aos 13 anos, após algumas encrencas de adolescente, foi enviado para a New York Military Academy, para criar juízo. Lá absorveu a lógica da competição e da autoridade.
Estudou na Fordham University, mas logo transferiu-se para a Wharton School da Universidade da Pensilvânia, onde se formou em Economia em 1968. Assim que pegou o canudo entrou no mundo dos negócios, na cidade mais competitiva do mundo, Nova Iorque.
Nessa época entrou em cena um personagem fundamental para a formação do jovem Trump. Um amigo de longa data de Fred Trump, que confiava nele a ponto de passar a tarefa de conduzir o seu filho nos meandros de poder e dinheiro que realmente mandam nos EUA. Era o advogado Roy Cohn. Figura fundamental na juventude e no início da carreira de Donald Trump em Nova York, foi seu mentor, conselheiro jurídico e homem de confiança a partir dos anos 1970. Mister Cohn foi, no início da década de 50, o principal assessor do caçador de comunistas, deputado Joseph McCarthy. Foi fundamental para Trump, por suas conexões políticas e empresariais. Era tido como leal aos clientes e implacável com os adversários. Os principais ensinamentos de Cohn para o jovem Trump foram: sempre use táticas agressivas de negócios e relações-públicas. Incluia a filosofia de: “ataque, contra-ataque e nunca peça desculpas”. Nunca admita a derrota, trate-a como uma vitória. Orientou-o a nunca ceder, a sempre processar seus oponentes e a usar a imprensa para criar controvérsias favoráveis.
No início dos anos 70, Trump assumiu os negócios da família. Entrou na onda de reconstrução subsidiada de Manhattan. Construiu dois ícones da época, o Grand Hyatt, hotel de luxo, perto da Quinta Avenida e a luxuosa torre de negócios e moradia The Trump Tower, ao lado do Central Park. Assim, Donald pegou sua carteirinha de “nova-iorquino vip”. Nada mal para um homem que ainda estava chegando aos quarenta anos.
Porém, outra característica da personalidade de Mister Trump, a de jogador e apostador inveterado, quase o levou ao descrédito e à derrocada.
No início dos anos 90 Atlantic City, não muito longe de Nova Iorque, começou a atrair investimentos em cassinos. E Trump resolveu entrar com tudo no mundo das roletas e do bacará. Construiu, é claro, os mais luxuosos da cidade, com destaque para o Trump Plaza Hotel & Cassino e o Taj Mahal (a oitava maravilha do mundo, segundo a propaganda). No total, construiu quatro cassinos em Atlantic City, dois em outras cidades e um que operava em um rio, como cassino flutuante. Todos acabaram entrando em concordata, sendo absorvidos depois por outras empresas e deixando muitas dívidas. Mas, Trump não era dono, apenas gestor. Aprendeu com lições dos amigos poderosos, a usar brechas da frouxa legislação estadunidense. Nunca pagou impostos sobre as coisas que tem, como aviões, barcos e empreendimentos. Tudo o que ele usufrui é pago por suas empresas. De pasta de dentes a tacos de golfe, de papel higiênico a gasolina do jatinho, tudo é pago pelas empresas, que pertencem a um fundo. Esse modelo vem sendo adotado por “grandes empresários” e artistas aqui no Brasil.
Apesar de não ter ficado pobre com tais “falências” o bolso de Trump não foi arranhado, mas sua imagem pública sim. Aí veio a televisão, onde o programa “O Aprendiz” (The Apprentice), apresentado por ele e lançado em 2004, transformou-o no “mestre dos mestres das negociações” diante de milhões de espectadores. Seu bordão “Você está demitido” virou pop e correu o mundo. Foi o que salvou a reputação e abriu as portas da política nacional para Trump.
A disciplina militar, o branding empresarial e a teatralidade televisiva se fundiram com o mais profundo negacionismo, segregacionismo e a pior da ignorância religiosa em um estilo populista próprio que enfeitiçou os estadunidenses e está transformando o mundo em um caos de perplexidade e dúvidas. Isso é o MAGA. Semana que vem continuamos.
* Jornalista e fotógrafo de rua

