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É o fim do mundo, “seo” Tupy?

Luiz Paulo Tupynambá *
Blog:
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Nesses dias de verão e comecinho de outono, de vez em quando, e admito que é coisa de velho, fico na entrada do prédio onde moro, apoiado em um corrimão que dá vista para a rua. “Quentando o sol” ou apenas observando o movimento das pessoas na manhãzinha do novo dia. É também uma hora boa para encontrar os outros moradores, a maioria aposentada, que gosta de buscar o pão quente na padaria. Ou pão de queijo, que é muito bom em dois ou três locais aqui perto. Enfim, coisa de velho também, pão quentinho, café preto e pão de queijo no café da manhã.

É nesses dias que a gente atualiza o papo. A maioria aqui é católica, alguns poucos evangélicos. Não sei por quê, mas quando o assunto é política exterior, sempre me perguntam o que vai acontecer. A maior preocupação é sempre, a cada novo bombardeio ou ameaça estadunidense, me perguntam: “seo” Tupy, o mundo vai acabar?” Ou o “o senhor viu lá no tal do Irã, o que aconteceu, é o começo do fim do mundo”. Nessa última agressão estadunidense, desta vez contra o Irã, fui até surpreendido, pois estava acamado e só fiquei sabendo do ataque no dia seguinte. Porém, sempre respondo, acalmando o povo: “Vai acabar não, pelo menos desta vez”. Mas acabam mesmo é acreditando no padre ou no pastor.

Para o Cristianismo, a previsão do fim do mundo não é novidade, mas sim um desfecho para o embate entre o Bem e o Mal. Será o retorno triunfal do Cristo Messias, o redentor da Humanidade, com a derrota do Mal personificado pelos opressores e materialistas que não respeitam a Lei Divina. Seja o cristianismo católico, evangélico ou ortodoxo. Previsto no Velho Testamento, em Isaías 24 e em Daniel 12, está no Novo Testamento em Mateus 24, onde Jesus anuncia sinais como guerras, terremotos, falsos profetas e perseguições. O fim virá após a pregação do evangelho a todas as nações. No Apocalipse: que apresenta imagens vívidas de selos, trombetas e taças de juízo, culminando na batalha final contra o mal, o juízo diante do trono branco e a criação de um novo céu e uma nova Terra.

Então não significa o fim do mundo, mas sim a volta triunfal de Cristo para instalar o Reino dos Céus na Terra. O Dia do Julgamento, em que os pecados serão pesados em comparação às virtudes de cada um. Aí sim, é quando a roda vai pegar para muita gente que se acha dona da verdade religiosa. Lembre-se da Palavra do Cristo: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”. – Mateus 19:24. Pois é.

Uma das figuras mais exploradas pelas teorias religiosas sobre o fim do mundo é o Anticristo. Como o próprio nome diz, é o antagonista de Jesus Cristo. É aquele que existe apenas para desviar a humanidade de seu caminho divino. Ao longo da História, dezenas de imperadores, reis e sacerdotes de outras religiões foram chamados de Anticristo. De Nero a Hitler, passando por Martinho Lutero e Stalin, entre muitos. A cada ciclo histórico, alguém recebe a pecha infame.

Mas quando alguém me pergunta se o mundo vai acabar, eu poderia muito bem, materialisticamente falando, dizer que agora ainda não, mas estamos no caminho apropriado para destruir tudo em algumas décadas. De bomba, maldade ou simplesmente por uma causa enviada pelo planeta, cansado de ser maltratado pela pior espécie que já surgiu por aqui. Mas, religiosamente, respondo honestamente que não. Afinal, se acontecer a Grande Batalha em Armagedon, o desfecho já está previsto: a vitória do Senhor da Verdade sobre o Reino da Mentira. O triunfo do perdão sobre o ódio, o domínio da igualdade entre todos sobre os que pregam a discórdia e o preconceito em nome da cobiça, é o que vai acontecer. E virá o Reino dos Céus para os justos, não o fim do mundo.

Agora, se você vai entrar no Reino dos Céus, isso não é comigo. Melhor você começar a praticar o bem e limpar sua alma enquanto tem tempo. Jogue fora seus preconceitos rasteiros, sua cara amarrada para os pobres e os abandonados. Quanto ao Anticristo, eu já tenho o meu candidato. E o seu, também tinha cabelo laranja?

* Jornalista e fotógrafo de rua

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