Tribuna Ribeirão
DestaqueGeral

Gato por Lebre: Câmara notifica concessionária pela segunda vez

A Câmara municipal de Ribeirão Preto notificou, pela segunda vez, a concessionária GT8 Veículos e Peças Ltda. da cidade de Franca, responsável pela venda de 12 novos veículos para o legislativo municipal. A empresa foi a vencedora do Pregão Eletrônico ao oferecer R$ 1.643.300,00 para o fornecimento de carros modelos Caoa Chery Hery Arrizo 6 Pro Hybrid na cor preta. O preço de cada carro foi de R$ 136.916,00.

A notificação foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) desta quinta-feira, 15 de fevereiro. A empresa já havia sido notificada pela primeira vez no dia 26 de janeiro. As notificações têm como motivo a não entrega e nem a apresentação do decalque dos motores e nem da cópia simples das notas fiscais de fábrica. Com os documentos será possível verificar a cor em que os carros foram fabricados.

Conforme já noticiado com exclusividade pelo Tribuna, a concessionária não cumpriu o que estabelecia a licitação e em vez de entregar carros de cor preta teria tentado “empurrar” para a Câmara, veículos brancos. A concessionária pertence ao Grupo Toniello da cidade de Sertãozinho que, segundo o site do grupo, possui 30 concessionárias de 13 marcas nos estados de São Paulo e Minas Gerais.
A Câmara municipal está notificando a empresa para que ela apresente toda a documentação, conforme o edital e que não aceitará os veículos em desconformidade. Afirmou também que o contrato poderá ser rescindido, mas que todo o trâmite legal será devidamente respeitado.

O impasse sobre a cor dos veículos começou no final de novembro do ano passado quando a empresa oficiou a Câmara, na época, presidia pelo vereador Franco Ferro (PRTB) de que os veículos estavam disponíveis para a entrega. Na ocasião, ao vistoriarem os veículos, servidores da Câmara, verificaram que eles eram brancos, diferente da cor preta exigida no edital.

Em função da irregularidade a Câmara se recusou a receber os veículos e oficiou a concessionária de que os veículos teriam que ser pretos. Em 26 de dezembro, a empresa avisou novamente a Câmara de que os carros na cor preta estavam disponíveis para a entrega. Entretanto, após vistoria nos veículos teria sido constatado que eles não eram pretos de fábrica e que haviam sido pintados pela concessionária.
Novamente a Câmara se recusou receber os carros e decidiu notificar oficialmente a empresa de que só receberia os veículos com a entrega do chamado “Kit Despachante” que inclui a apresentação do decalque dos motores e das notas fiscais de fábrica.

O imbróglio acabou indo parar no Ministério Público do Estado de São Paulo (MP/SP) que foi consultado no começo de janeiro. A reunião de servidores da Câmara foi com o promotor Carlos Cesar Barbosa. Na reunião, ele sugeriu a Câmara que o problema – recebimento dos carros – poderia ser resolvido com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para garantir que o erário público não tenha prejuízo. Vale lembrar que ao serem pintados os veículos zero km sofrem uma desvalorização em seu valor. Em média, segundo concessionarias consultadas, dependendo do modelo, a desvalorização pode ser de até 20%.

No termo sugerido pelo MP a concessionária se comprometeria a dar um desconto de 20% sobre o valor de cada carro como forma de ressarcir os cofres públicos pela desvalorização causada. Como cada veículo custou R$ 136.916,00, o desconto seria de aproximadamente R$ 27 mil por carro e R$ 326 mil no total. O promotor afirmou a reportagem que para propor o TAC o MP precisaria ser acionado oficialmente pela Câmara e pela concessionária.

Caso a Câmara aceite os veículos sem uma compensação pela depreciação causada com a pintura, poderá enfrentar problemas na Justiça e com o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE) por aceitar um produto diferente do que estabelece a licitação.

Também poderá ser acionada judicialmente por outras concessionárias que poderão alegar favorecimento da empresa pela Câmara ao aceitar veículos com característica diferente do que previa o edital. E que foram impedidas de participar do pregão eletrônico em função de exigência do edital que não foi respeitada posteriormente. Segundo a apuração, a proposta foi repassada pela Câmara para concessionária que ainda não teria se manifestado oficialmente sobre o assunto.

A outra solução será a rescisão do contrato pela Câmara. O primeiro passo neste sentido está sendo dado com as notificações. São necessárias três notificações antes da rescisão. Em caso de rescisão por descumprimento de alguma cláusula, o contrato prevê multa de 20% sobre o valor total do contrato, a ser pago pela concessionária.

VEJA TAMBÉM

Jovem de 19 anos morre em acidente de moto

Pedro Ferro

Seis morrem em acidente de lancha

Pedro Ferro

Câncer de pênis provoca mutilações em Ribeirão Preto

Pedro Ferro

Utilizamos cookies para melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade. Aceitar Política de Privacidade

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com