Tribuna Ribeirão
Saúde

Gêmeas recebem bolsas extensoras

Assessoria do Hospital das Clínicas
Foram implantadas duas bolsas de silicone subcutâneas (uma em cada gêmea) com o objetivo de expandir progressivamente a área total de pele

Procedimento durou cerca de seis horas, das sete da manhã à uma da tarde, para implantação de bolsas extensoras, reconstrução óssea e proteção do cérebro

No sábado, 21 de março, as irmãs gêmeas craniópagas – unidas pela cabeça – Heloísa e Helena, nascidas em São José dos Campos em janeiro de 2024 (dois anos e dois meses), no Vale do Paraíba (SP), foram submetidas à quarta de cincos cirurgias programadas pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP)
até a separação total.

O procedimento durou cerca de seis horas, das sete da manhã à uma da tarde, para implantação de bolsas extensoras, reconstrução óssea e proteção do cérebro. Foram implantadas duas bolsas de silicone subcutâneas (uma em cada gêmea) com o objetivo de expandir progressivamente a área total de pele que será utilizada para recobrir o topo das cabeças na última cirurgia.

As meninas estão sob cuidados na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do HC Criança. O procedimento foi o último antes da cirurgia de separação total das irmãs siamesas, prevista para o final de junho. A terceira operação ocorreu em 28 de fevereiro e durou sete horas. As equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas, sob o comando do neurocirurgião Jayme Farina Junior, já conseguiram separar 75% dos cérebros e dos vasos sanguíneos.

O objetivo da equipe, composta por mais de 50 profissionais da saúde e de apoio, é a separação completa ao final de uma série de cinco cirurgias ano. Segundo Jayme Farina, os expansores são necessários porque não há pele suficiente para o fechamento dos crânios.

“São bolsas de silicone que colocamos vazias, com uma válvula embaixo da pele. Semanalmente, a gente injeta soro fisiológico nessas válvulas, e elas vão enchendo com esse líquido. Isso vai permitindo a expansão da pele, fazendo uma analogia com o abdômen de uma gestante, que vai aumentando. É semelhante”, diz.

“Essa expansão é progressiva até o final de junho, quando estamos planejando fazer a separação total dos corpos”, emenda. O procedimento foi minuciosamente planejado ao longo de mais de um ano, com realização de projeções de realidade virtual e exames de imagem, como tomografias computadorizadas e ressonâncias magnéticas, além da impressão de vários modelos em 3D.

A primeira cirurgia foi realizada em 23 de agosto de 2025, durou oito horas e foi bem sucedida, atingindo 25% da meta, segundo a equipe médica do Hospital das Clínicas. A segunda ocorreu em 8 de novembro, durou cerca de dez horas e atingiu mais 25%. Foram feitas incisões cutâneas no lado oposto aos cortes efetuados em agosto, para ligamento dos vasos sanguíneos.

Os pais de Heloísa e Helena, Amarildo Batista da Silva e Claldilene Aparecida dos Santos, estão morando provisoriamente em Ribeirão Preto, onde permanecerão até a separação do total das meninas e também no pós-operatório, no período de reabilitação

Este é o terceiro caso de gêmeas siamesas craniópagas do hospital. A incidência é extremamente rara, representando um caso em cada 2,5 milhões de nascimentos. No Brasil, a primeira separação de siamesas craniópagas, as gêmeas Maria Ysadora e Maria Ysabelle, ocorreu em outubro de 2018. Focam cinco procedimentos cirúrgicos realizados pela equipe do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e HC Criança.

Hoje as meninas estão com nove anos e voltaram para Patacas, distrito de Aquiraz, distante 35 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, onde nasceram, no final de março de 2019. Vivem com os pais Diego Freitas Farias e Débora Freitas.

Nos Estados Unidos, uma cirurgia de separação de siamesas craniópagas custa cerca de R$ 9 milhões. O primeiro do HC de Ribeirão Preto, e também pioneiro no Brasil, caso foi acompanhado pelo médico norte-americano James Goodrich, referência internacional em intervenções com gêmeos siameses e que faleceu e m decorrência de covid-19 em 2020.

O segundo caso foi o das irmãs siamesas craniópagas Allana e Mariah, hoje com cinco anos e oito meses. A cirurgia definitiva ocorreu entre 19 e 20 de agosto de 2023. Elas são de Piquerobi (SP), onde mora com os pais Vinícius e Talita Cestari. No ano passado ainda vinham à cidade para consultas e exames de rotina no HC Criança.

Em 2023, a quarta e última neurocirurgia teve início às sete horas do dia 19 de agosto e durou cerca de 27 horas. Na manhã do dia 20, as meninas foram separadas. Foram inseridas bolsas de silicone abaixo do couro cabeludo das irmãs.

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