Tribuna Ribeirão
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Larga Brasa

A CULPA DA CONSCIÊNCIA
Em uma redação de jornal da região havia uma empatia entre o editor e uma jovem e promissora jornalista. Ela, desde os tempos de faculdade, era liberal e pronta a gozar a vida. Sempre a loira tentava o chefe para sentir se ele tinha firmeza de propósito ou não. Em todas as investidas ele rechaçava a tentação. Era fiel à sua jovem e bela esposa que permanecia em sua casa a espera de sua volta, mesmo que fosse no clarão da madrugada.

A METEREOLOGIA CONSPIROU
Certa feita a meteorologia conspirou contra os votos de castidade do firme chefe, o qual também não era de ”dar mole” a subordina­das. Chovia muito e o trabalho de fechamento do jornal demorou mais que o esperado. Aquele repórter policial demorou para levar a matéria, que era datilografada e tudo empastelou. Tiveram que mudar manchetes etc. A auxiliar era daquelas vocacionadas e não deixava o chefe sozinho. Como ela não possuía veiculo, aceitou a carona do redator principal.

MADRUGADA E ENCHENTE
Era madrugada e os rios do centro da cidade fizeram com que as águas invadissem os estabelecimentos comerciais e impedisse o livre fluir do tráfego dos veículos, principalmente dos pequenos. Ficaram muito tempo parados nas proximidades de um motel e de lá para uma ”rapidinha” foi um pulo. Estava feita a vontade de ambos, mesmo que nunca declarada.

SAÍDA EXPRESSA
Ambos saíram correndo, ainda pegando peças de roupas deixadas em banheiro, nos criados mudos etc. A cabeça estava plena de culpa. Tinham a desculpa do tempo, da enchente etc. Ele a levou para casa e sabia que pouco iria dormir, pois na manhã iria sair de férias para o litoral, com esposa, sogra, papagaio, cachorro etc.

A VIAGEM
O repórter estava pesado, sopesando o acontecido e remoendo os pormenores. O carro já estava perto de Limeira quando ele olhou para baixo e eis que ali estava o que ele pensava ser a prova do adultério, seu crime. Um sapato estava no espaço entre o seu banco e a porta dianteira. ”Pronto. A colega se esqueceu do sapato que estava dentre suas peças íntimas, meias etc”. Se perguntava: ”O que vou fazer”. Eis que bolou uma estratégia para se livrar da ”prova do crime”. Falou alto com a mulher para ela olhasse para os pneus do lado direito e ele observaria os da esquerda para ver se não havia furo. A sogra adormecida no banco de trás, nem notou a rápida parada. Em que a esposa olhou para as rodas e nenhuma estava com o pneu murcho ele pegou o sapato e rapidamente o jogou para fora. ”Ufa.Escapei por pouco”, pensou.

PARADA PARA A PIPI HOUSE
Em um posto movimentado eles pararam para um café e para o chamado ”pipi house”. A esposa desceu. Ele, todo cheio de culpa ficou ao lado da porta para sentir que não havia nenhuma outra peça etc. A sogra demorou para sair e a filha cobrava com insis­tência: ”Vamos, mãe. Vamos perder um dia de praia”. A mãe falava mastigado sem que os dois companheiros entendessem. Até que a velhinha falou alto e bom som: ”Eu não sei o que aconteceu. Eu tinha certeza que coloquei meu sapato no carro e estou só com um pé”. A filha enfatizava tentando desculpar a mãe: A senhora tem relances de esquecimento. A senhora pensa que estava com ele e não o colocou. O sapato era da velhinha que ficou pisando de forma torta, pois foi ao posto só com um pé do sapato meio salto. Outro remorso para o jornalista em férias. Pano rápido.

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