Tribuna Ribeirão
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Livros de graça

Prof.ª Dr.ª Maria Helena da Nóbrega *
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Os primeiros livros impressos foram recebidos com desconfiança. Eram caros e de difícil acesso. A pequena quantidade de alfabetizados também não colaborava com a divulgação das obras. Quando começaram a ser usados nas escolas, dizia-se que eles atrapalhavam a memória, agora registrada no papel. O vídeo Crônica sobre novas tecnologias (abaixo) mostra de forma divertida o estranhamento na transição do pergaminho para o livro.

A rejeição inicial foi suplantada pela adequação aos princípios de rentabilidade, que levaram a abrir mão do aspecto artesanal na produção das obras. Até hoje os livros continuam a ser transformados, acompanhando as mudanças tecnológicas: áudio livro, livro digital, e-livro, novos suportes para diferentes preferências. No entanto, a leitura se mantém pouco atrativa para a maioria.

Uma justificativa comum para não ler é o preço dos livros. Com o avanço das tecnologias digitais, esse argumento cai por terra, pois há várias bibliotecas virtuais gratuitas. Nelas você pode baixar livros de literatura brasileira, portuguesa, estrangeira, coletânea decontos, crônicas, poesias, livros infantis, científicos, didáticos, religiosos, de receitas – tem para todos os gostos.

A Biblionpermite acesso a cidadãos do estado de São Paulo. A plataforma também oferece clube de leitura, conversa com autores, dica para novos autores, vasta programação cultural – tudo de graça, basta se inscrever.

Para além das leituras em língua portuguesa, é possível ter acesso gratuitamente a outras línguas e sem necessidade de baixar aplicativo, como é o caso do Project Gutenberg. Mais livros estrangeiros no original estão em Open Library. Basta criar uma conta e emprestar os livros por até 14 dias. Outra vantagem é que os livros podem ser lidos ou ouvidos (áudio livros).Nessas plataformas estão disponibilizados de clássicos a obras modernas, de ficção a não ficção.

Há também sites com obras que entram no domínio público, o que ocorre 70 anos após a morte do autor, na legislação brasileira. É o caso da vasta produção literária de Machado de Assis, que pode ser livremente acessada, juntamente com outros autores. 

As universidades públicas oferecem livros que podem ser baixados na íntegra. No acervo on-line da Universidade de São Paulo, por exemplo, qualquer pessoa tem acesso a cerca de 1.400 livros em pdf.

Todas essas facilidades levam os interessados a lidar com o fator tempo, usado comumente como justificativa para a não leitura. É fato que as demandas profissionais e sociais estão exacerbadas na vida atual, mas avalie: quando tem um tempinho, você pega um livro para ler ou desliza o dedo em alguma tela, sem saber o que procura? Quem não sabe onde quer chegar…

Talvez seja uma questão de estabelecer prioridades e cumprir metas pessoais, com disciplina. Se for importante ampliar vocabulário, desenvolver concentração, raciocínio crítico e memória, vale a pena abrir uma brecha nos compromissos. Ler é expandir o diálogo com o mundo, é viver outras vidas, impossíveis na restrição humana espaço-temporal a que somos submetidos.

Crônica sobre novas tecnologias – o livro
www.youtube.com/watch?v=PfjyiFU4htw
Biblion biblion.org.br/
Project Gutenberg www.gutenberg.org/
Open Library https://openlibrary.org/
Machado de Assis e outros
https://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp
Portal de Livros abertos da USP
https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog

* Professora aposentada da Universidade de São Paulo, na área de ensino de português para estrangeiros

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