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Lustre de cristal passará por limpeza


Com 1.400 quilos, o lustre Gota D’Água, de Tomie Ohtake, tem 2,7 metros de altura por 2,2 m de largura: ainda conta com 68 lâmpadas halógenas 



Theatro Pedro II realiza manutenção anual do lustre Gota D’Água com visitação aberta ao público; será na terça-feira (3)

O Theatro Pedro II realiza, na próxima semana, processo de limpeza e manutenção anual do lustre de cristal Gota d’Água, obra de arte de Tomie Ohtake (1913-2015), artista plástica japonesa naturalizada brasileira. A peça é uma das atrações de um dos principais patrimônios culturais da cidade – terceiro maior teatro de ópera do Brasil, referência histórico-cultural para a região de Ribeirão Preto.

A cerimônia de descida e higienização da peça será aberta ao público e acontece na terça-feira, 3 de março, às dez horas, permitindo que visitantes acompanhem de perto o processo técnico e contemplem a obra em detalhes. Nos meses de janeiro e fevereiro, o teatro permanece fechado para espetáculos.

Neste período são executadas manutenções prediais completas, incluindo restauros, tratamento de pisos, limpeza especializada, manutenção de maquinários, revisão da parte elétrica e dos equipamentos cênicos, entre outros serviços. Para encerrar esse ciclo anual de cuidados, é realizada a higienização técnica do lustre.

A descida da peça, que atualmente é feita com o auxílio de uma talha elétrica – substituindo o antigo processo manual – dura cerca de dez minutos. Já o trabalho completo de manutenção leva aproximadamente três dias e envolve limpeza profunda, troca de lâmpadas queimadas, revisão elétrica e higienização da estrutura metálica e das lâminas de vidro.

O lustre é uma das mais importantes peças do teatro e foi instalado no centro do teto quando o prédio foi restaurado, na década de 1990. Com 1.400 quilos e medindo 2,7 metros de altura por 2,2 metros de largura, todo o trabalho será concluído após a limpeza de todas as 26 lâminas de cristal e da troca de 68 lâmpadas halógenas.

A cúpula também passará por limpeza e revisão da parte elétrica antes de o lustre ser içado novamente ao teto. Este trabalho deve ser feito próximo do solo para evitar acidentes com os funcionários e com a peça de arte. Em 2014, a Fundação Dom Pedro II investiu R$ 40 mil em uma talha elétrica para “baixar” a obra de Tomie Ohtake.

Após cinco anos, o Theatro Pedro II, patrimônio da cidade de Ribeirão Preto, abrirá suas portas ao público sem necessidade de agendamento

O objeto é um dos símbolos da reinauguração do Theatro Pedro II, em 19 de junho de 1996, após passar 16 anos fechado devido a um incêndio em julho de 1980. Desenhado por uma das principais artistas plásticas do Brasil, o lustre de cristal “Gota D’Água é coberto por uma cúpula de gesso estrutural, com a fixação de lâmpadas especiais que fazem suas luzes passar por entre os recortes, criando um efeito escultural único.

No formato de uma gota d’água, a obra-prima de Tomie Ohtake pesa quase uma tonelada e meia e remete ao incêndio, assim como o desenho do teto (uma alusão às labaredas que lamberam o teto original), que também foi projetado pela artista, que na ocasião da restauração escalou andaimes para fazer os desenhos a lápis na base de gesso que antecedeu a versão definitiva.

O Pedro II é o terceiro maior teatro de ópera do Brasil e referência histórica cultural para a região, assim como para todo o país. O prédio é tombado como Patrimônio Cultural pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e as obras são necessárias para preservação de suas características originais.

O Theatro Pedro II vai completar 96 anos em 8 de outubro. É o palco principal da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto (Osrp). Foi construído entre 1928 e 1930 a pedido do advogado João Alves Meira Júnior, um dos fundadores da Cia. Cervejaria Paulista.

O projeto foi elaborado pelo arquiteto Hippolyto Gustavo Pujol Júnior, e a parte estrutural da construção coube à empresa alemã Kemmitz. Em 15 de julho de 1980, durante a exibição do filme “Os Três Mosqueteiros Trapalhões”, um incêndio destruiu a cobertura, o forro do palco e grande parte do interior, incluindo-se o teto.

Na fase de reforma, a cúpula metálica da plateia principal foi reconstruída pela artista plástica Tomie Ohtake e a caixa cênica foi rebaixada em seis metros. Foi criado um subsolo com mais dois níveis: espaços para serviços de apoio artístico, oficina de cenário, carpintaria e almoxarifado técnico. Os ferros retorcidos na cúpula do teatro são uma alusão às chamas do incêndio de 1980, ideia de Tomie Ohtake.

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