Por: Alfredo Risk e Adalberto Luque –
Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, foi sepultado na manhã desta segunda-feira (5), no Cemitério de Bonfim Paulista, zona Sul de Ribeirão Preto. Ele e a mãe, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, foram atropelados na manhã de quinta-feira (1º de janeiro).
Guilherme e sua mãe seguiam pela rua Professor Felisberto Almada, ao lado da Rodovia José Fregonesi (SP-328), em Bonfim Paulista. Uma câmera de segurança registrou o atropelamento. O carro, conduzido pelo músico Gustavo Perissoto de Oliveira, de 25 anos, saiu da pista e atingiu mãe e filho.

Depois o motorista foi embora do local, sem parar para ver o que aconteceu. Os dois foram socorridos em estado grave. Eliene sofreu fraturas nas pernas, bacia, braço e rosto e precisou ser submetida a cirurgias. Ela segue internada no Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), no Centro de Ribeirão Preto.
Guilherme também seguiu para o Centro de Terapia Intensivo Pediátrico, em estado gravíssimo. Neste domingo (4), ele não resistiu e morreu em consequência dos ferimentos sofridos.

Central multimídia
Na tarde de sexta-feira (2), Oliveira, que afirmou ser o condutor do Hyundai I30 preto, apontado como o veículo que atropelou mãe e filho, se apresentou à Polícia Civil. Ele esteve no prédio onde fica o 7º Distrito Policial, na avenida Independência, Jardim Sumaré, zona Sul de Ribeirão Preto.
O homem estava acompanhado de dois advogados e disse ao delegado Ariovaldo Torrieri que se distraiu ao mexer na central multimídia do veículo. Nesse momento, teria ocorrido o atropelamento.

“Ele informou que transitava por aquela via de rolamento, tendo à frente o veículo de um amigo que ele citou o nome e as características do veículo. Disse que se distraiu com a central multimídia do carro. E, nesse momento, sentiu um impacto na parte frontal do veículo. Olhou pelo espelho retrovisor e não viu nada. Acreditou que havia batido no ‘guard rail’ existente no local e por conta disso, continuou seu trajeto”, revelou o delegado.
Torrieri acrescentou que o motorista disse ter seguido com vida normal e, no dia 2, ao ver as imagens do acidente, se identificou como o atropelador e se apresentou à polícia. Ele disse que teria ido a duas festas antes do atropelamento e seguia para mais uma festa, mas garantiu que não consumiu bebida alcóolica.

Segundo o delegado, num primeiro momento não havia requisitos para pedir sua prisão, uma vez que ele se apresentou antes que a Polícia Civil o identificasse, disponibilizou o carro para perícia, tem residência fixa, não tem antecedentes criminais e se comprometendo a comparecer sempre que for intimado para prestar depoimento.
Revolta e sepultamento
Na tarde deste domingo, dezenas de pessoas se reuniram no local onde ocorreu o atropelamento. Segundo o pai de Guilherme, foi uma manifestação pacífica para exigir Justiça para Guilherme, apuração da verdade, responsabilização dos culpados e proteção para outras crianças.
O corpo de Guilherme foi velado e sepultado na manhã desta segunda-feira (5), em Bonfim Paulista. Revoltado, o pai da criança, Albertino da Silva Filho, considera que o motorista foi covarde ao fugir do local. O filho e a mulher estavam indo para uma farmácia.

Ele disse acreditar ter havido imprudência do motorista. “Ele foi um covarde, atropelar uma família e sair correndo. Nem com um cachorro a gente faz dessa forma. Eu acredito que teve a imprudência do motorista, com certeza ele estava embriagado para fugir do local”, completa o pai.
Perícia
Segundo Torrieri, está sendo providenciada a perícia do veículo que se envolveu no atropelamento. “Estamos checando algumas informações que chegaram ao conhecimento da polícia e que também foram prestadas pelo condutor do veículo”, acrescentou.
O delegado também esclareceu que não foi feito teste para constatar embriaguez por conta do lapso de tempo entre o atropelamento e o momento em que o condutor de apresentou. Além dos depoimentos dos envolvidos, a Polícia Civil também deve ouvir testemunhas que estavam no posto de combustíveis em frente ao local onde tudo ocorreu.
Oliveira vai responder por lesão corporal culposa, homicídio culposo, ambos na condução de veículo automotor, além de fuga do local de acidente. De acordo com o delegado, a pena será maior por conta da morte de Guilherme. Segundo Torrieri, o depoimento prestado pelo condutor será utilizado para nortear as investigações sobre o atropelamento. Pessoas que estiveram nas festas onde o condutor alega ter estado também devem ser ouvidas pela Polícia Civil.
O que diz a defesa
Em nota, os advogados João Pedro Soares Damasceno e Bruno Corrêa Ribeiro, responsáveis pela defesa do músico Gustavo Perissoto de Oliveira, informaram que o caso foi uma fatalidade ocorrida num momento de distração ao manusear o sistema multimídia do veículo alugado.
“No instante do ocorrido, Gustavo acreditou ter colidido apenas contra a proteção metálica da via. Ao verificar o retrovisor e não visualizar pedestres na pista, seguiu seu trajeto sem ter ciência da gravidade da situação, tanto é que ainda margeou a região de Bonfim Paulista e de Ribeirão Preto com muita calma (conforme imagens locais), não se evadindo em alta velocidade com o objetivo de se ocultar”, cita a nota.
A defesa também afirma que Oliveira não passou por duas festas e seguia a caminho de uma terceira, como chegou a ser veiculado. De acordo com os advogados, ele passou a virada de ano com seus familiares e, no dia 1º seguia para um almoço com família e amigos e não teria consumido bebida alcóolica.
A nota finaliza informando que o motorista se encontra abalado e triste com a notícia da morte de Guilherme da Silva Maia e dos ferimentos sofridos por sua mãe, Eliene de Santana Maia. Ele pretende colaborar integralmente com as investigações, além de prestar apoio à família das vítimas do atropelamento.
(Matéria atualizada às 07h22 de 06/01/2026)

