Por: Adalberto Luque –
O Ministério Público Federal denunciou, há alguns dias, o empresário e advogado Maiclerson Gomes da Silva, conhecido por Maick, por uso de moeda falsa. O ex-marido de Ana Pink foi denunciado após laudo técnico apontar que ele estava com R$ 1.300 em cédulas falsas de R$ 200 e R$ 50.
Ele foi preso no dia 1º de outubro, na cidade de Batatais, região metropolitana de Ribeirão Preto. Na ocasião, Maick abasteceu R$ 100 em um posto de combustíveis e pagou com uma nota de R$ 200. A frentista ficou desconfiada, mas acabou dando o troco em cédulas verdadeiras, anotando os dados do empresário.
Depois, pediu ao patrão para tentar depositar a cédula. O homem foi até uma agência bancária e a nota foi recusada. A Polícia Militar foi acionada e Maick foi localizado em uma farmácia. Com ele havia outras cédulas suspeitas de falsificação.
O dinheiro foi apreendido e o homem voltou para a cadeia. Ele estava respondendo ao processo em liberdade. As cédulas foram encaminhadas para perícia, que constatou não serem legítimas.
O caso seguiu, então, para o Ministério Público Federal, que ofereceu denúncia. Maick segue preso. Além da condenação a 13 anos por fraude financeira, ele também pode responder pelo uso de moeda falsa, caso a denúncia seja acatada. Neste caso, a pena pode chegar a 12 anos de prisão.
A defesa de Maick disse que ele não sabia que as notas eram falsas e que foram recebidas como forma de pagamento de honorários advocatícios por um serviço que ele teria prestado a um cliente. A defesa também disse que Maick está à disposição e tudo será esclarecido em juízo.
Relembre o caso já julgado
Ana Pink e Maick foram alvo de uma investigação realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
A apuração do Gaeco teve início em 2022 e apontou transações financeiras em nome de outras pessoas, obtenção indevida de dados do sistema previdenciário por meio de hackers, saques vultosos e movimentações incompatíveis com a renda declarada. Eles foram presos em 17 de março daquele ano.
O casal firmava contratos em nomes de terceiros sem autorização. Ao menos 360 mil cidadãos tiveram informações pessoais expostas.
De acordo com o Gaeco, dados sigilosos de beneficiários eram obtidos junto a uma empresa de software no Vale do Paraíba, que invadiu e explorou a base de informações do INSS.

As planilhas adquiridas por Ana Pink, segundo as autoridades, traziam detalhes como tipo de benefício, possíveis restrições, limites para crédito, banco e conta de recebimento.
Essas mesmas informações também eram coletadas por programas automatizados criados por outro investigado, que possibilitavam o acesso remoto ao sistema previdenciário.
Ana Pink e Maick foram presos em março de 2022. Ela chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Guariba, mas a defesa recorreu e a prisão passou a domiciliar, porque ela tinha filhos menores de 12 anos.
Maick ficou preso até abril de 2025, quando obteve o benefício por bom comportamento. Desde então, ele aguardava às apelações em liberdade e tinha restrições a cumprir.
Ana Paula, todavia, voltou para a prisão. Ela foi levada para uma cela na Penitenciária de Ribeirão Preto no dia 14 de agosto do ano passado. De acordo com a Justiça, ela descumpriu as medidas impostas na prisão domiciliar. Foram cerca de 60 transgressões constatadas pelo acesso eletrônico no condomínio onde cumpria a prisão domiciliar. A Justiça negou recurso da defesa de Ana Pink para que ela voltasse a cumprir prisão domiciliar. Ela segue presa.
Os dois foram sentenciados em abril de 2023 a nove anos de prisão por participação em um esquema de fraude com empréstimos consignados, usado para lavar dinheiro e obter ilegalmente mais de R$ 10 milhões. Em maio de 2025, a pena foi ampliada para 13 anos. Ambos negam envolvimento nos delitos.
Após o caso das cédulas falsificadas, Maick também voltou para a prisão. O casal se separou quando ainda respondia pela fraude financeira.

