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Nove de Julho: obras atrasam mais uma vez 

Construtora Metropolitana afirmou que a descoberta de galerias pluviais não mapeadas anteriormente forçou uma nova análise do projeto original (Alfredo Risk)  

As obras de revitalização, restauro e construção de corredor de ônibus na centenária avenida Nove de Julho podem não ser entregues no prazo inicial, em junho do próximo ano. Depois de adiar a entrega da primeira etapa em 45 dias, a Construtora Metropolitana, responsável pelos trabalhos, ainda não concluiu essa fase.

Em 26 de outubro, a empresa afirmou, em nota distribuída à imprensa, que a descoberta de galerias pluviais dutos subterrâneos para captação e escoamento de água não mapeadas anteriormente forçou uma nova análise do projeto original.

No texto enviado ao Tribuna, a construtora afirmava também que as obras não estavam paralisadas. “Porém, em razão da presença de galerias pluviais recém-descobertas, não mapeadas inicialmente na licitação, o projeto original está sendo reanalisado para adotar a melhor solução junto à prefeitura de Ribeirão Preto”, dizia a nota.

Nesta segunda-feira, a Secretaria Municipal de Obras Públicas divulgou nota. Informa que “está avaliando a nova programação apresentada pela construtora, para a conclusão do primeiro trecho da obra da avenida Nove de julho. As penalidades que a empresa pode sofrer, por causa do atraso da entrega do primeiro trecho, estão em análise pela Secretaria de Obras Públicas” , diz.

“Quanto ao buraco na avenida Nove de Julho, entre as ruas Marechal Deodoro e Sete de Setembro, a Secretaria de Obras já pediu a intervenção da construtora responsável, para a realização do serviço emergencial no local”, emenda.

A Construtora Metropolitana, do Rio de Janeiro, venceu a concorrência pública ao apresentar o menor valor (R$ 31.132.101,77) com prazo para execução de doze meses, em junho de 2024. A primeira etapa estava programada para ser finalizada no dia 22 de setembro, mas atrasou. O prazo, então, passou para 6 de novembro (45 dias), mas não foi cumprido, causando indignação em comerciantes.

Eles temem que as obras avancem até o final do ano, impactando também a Black Friday e o Natal. Em comunicado distribuído à imprensa, Comitê de Acompanhamento, que tem à frente o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão e Região (Sincovarp) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL RP), mas conta com outras entidades, oficializou a revolta do lojistas.

“Manifestamos nossa total indignação com a mera possibilidade de desrespeito ao prazo adicional de 45 dias para a conclusão do trecho 1, levando em conta que o prazo inicial já tinha sido descumprido em 22 de setembro de 2023, por parte da construtora.”

E prossegue. “Questionamos a inoperância da Metropolitana, que, ao detectar a presença de tubulações não mapeadas na esquina da Av. 9 de Julho com a Rua São José, já deveria ter feito naqueles dias o mesmo trabalho de detecção também no cruzamento com a Marcondes Salgado, uma vez que eram grandes as possibilidades de o problema se repetir ali”.

“Deixou para depois o que deveria ter feito com agilidade, e o que era óbvio! Classificamos essa omissão como falta de capacidade e eficiência”, emenda, avisando: “Por fim, destacamos que diversos empreendedores, integrantes desse comitê, já trabalham com a possibilidade real de recorrer ao Ministério Público e à Justiça, para resolver a questão e recuperar prejuízos.”

A prefeitura de Ribeirão Preto afirma que a Construtora Metropolitana se comprometeu a contratar mais funcionários para agilizar o ritmo dos trabalhos, o que não teria ocorrido, dizem comerciantes. A prefeitura disse, em setembro, que o atraso no primeiro trecho não vai comprometer o cronograma.

Além de uma restauração completa, respeitando todos os critérios de tombamento dos itens que constituem patrimônio histórico, a Nove de Julho vai ganhar corredores exclusivos para ônibus nos dois sentidos, em toda a sua extensão.

A avenida Nove de Julho – incluindo seus paralelepípedos, as pedras portuguesas do canteiro central e as sibipirunas plantadas em 1949 – é tombada desde 2008 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Conppac), sendo a extensão do trecho preservado com início na rua Amador Bueno, seguindo até o cruzamento com a avenida Independência. 

Desde o início das obra na Nove de Julho, que cruza vários bairros em Ribeirão Preto – Jardim Sumaré, Higienópolis, Jardim América… –, em 20 de junho, a Construtora Metropolitana já foi notificada cinco vezes pela prefeitura de Ribeirão Preto.

As notificações foram confirmadas pela Secretaria Municipal de Obras Públicas. O principal motivo é o atraso no cronograma, mas também envolve segurança no canteiro de obras. No dia 16 de agosto, dois operários foram soterrados enquanto trabalhavam na instalação da rede esgoto.

O acidente ocorreu na esquina da avenida Nove de Julho com a rua São José. A instalação faz parte das obras de restauro da avenida. Um dos operários, Pedro Joaquim de Oliveira, de 59 anos, morreu. A Polícia Civil investiga o acidente. As notificações ainda não resultaram em multas.

O vereador Elizeu Rocha (PP), presidente da Comissão de Planejamento e Obras da Câmara de Ribeirão Preto, ameaça criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os motivos do atraso nas obras de revitalização, restauro e construção de corredor de ônibus na centenária avenida Nove de Julho. 

 

 

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