Luiz Paulo Tupynambá *
Blog: www.tupyweb.com.br
Os tamborins nem esfriaram após o Carnaval e a coisa já esquentou de vez no ziriguidum dos engravatados em Brasília. A implosão do Banco Master ameaça arrastar com ele um bom número de togados do STF e muita gente graúda no Legislativo e no Executivo. Davi Alcolumbre está de sobreaviso, mas ele apenas “indicou” os membros da comissão do Fundo de aposentadoria dos servidores do Amapá. Segundo ele, traíram sua confiança e fizeram o que fizeram. Agora, os ex-indicados que paguem o mal-feito, ele não mandou ninguém investir no Master. Raposa velha não deixa rastros no galinheiro. Já o governador do DF nomeou e bancou toda a diretoria que estava lá. Um banco do tamanho do BRB é normalmente acompanhado de perto pelo comandante-em-chefe, no caso, o governador do DF. As negociações da compra da banda podre (e falsa) das carteiras do Master se arrastavam desde 2024. Ou o governador do DF é um come-moscas daqueles e não sabia mesmo de nada, ou era conivente e incentivava o processo fraudulento. Comeu mosca ou fez vista grossa, não importa. O que interessa é que a má gestão do banco por essa turma gerou um rombo de até 50 bilhões de reais e grande parte já está sendo bancada pelo Fundo Garantidor de Créditos, ou seja, outros bancos, inclusive Caixa e BB, terão que pagar a “zerda” dos outros.
Porém, o escândalo do Master acertou precisamente o encouraçado todo-poderoso da República, o STF. De repente, sem aviso, pegou em cheio o ministro Dias Toffoli ao revelar sua ligação e a de seus irmãos com o Master. Um padre com voto de pobreza e um engenheiro que mora em uma casa simples com sua família. Eles eram sócios do irmão juiz em um empreendimento turístico milionário chamado Taiaiá Resort. Depois do resort quase pronto, as cotas dos irmãos foram vendidas para outra empresa, um fundo de investimento comandado pelo cunhado e sócio de André Vorcaro, “dono” do Master. Típica operação de triangulação e lavagem de dinheiro. O ministro ainda tentou trazer as investigações para seu comando, mas a pressão da sociedade e dos colegas convenceu-o a baixar a bola e passar o comando para o Ministro André Mendonça. Ele já tem o processo aberto contra a máfia do INSS e nesta investigação já quebrou os sigilos bancários do Lulinha, a pedido da PF. Só para não esquecer: o Ministro André Mendonça não se senta na mesma mesa que Davi Alcolumbre. Foi nomeado por Bolsonaro em julho de 2021, mas tomou um chá de cadeira de quatro meses antes de Alcolumbre liberá-lo nas sabatinas. Aqui se faz, aqui se paga.
Mas o torpedo mortal foi lançado contra o Ministro Alexandre de Moraes, com a revelação do contrato que sua esposa, Viviane de Moraes, sócia majoritária de um escritório de advocacia, tem com o Banco Master, que previa o pagamento de quase quatro milhões de reais mensais. Até surgiram denúncias, não comprovadas até agora, de que o Ministro tentou pressionar o presidente do Banco Central, tentando barrar a liquidação do Master. A coisa ficou feia e o Ministro Alexandre recuou.
Ah, tem o Legislativo que começou o ano eleitoral a todo vapor. Reunião de CPMI, com dedo em riste, puxada de tapete na hora de votar e contar os votos, empurra-empurra, uns tabefes trocados entre senhores para lá de fora de peso e umas juras de ódio eterno. E os sigilos bancário, fiscal e telemático do Lulinha foram quebrados. E tudo ao vivo, no canal de TV pago e mantido por nós, os pafúncios da República.
Enfim, começou o ano eleitoral. E aproveita porque Suas Excelências têm pouco tempo para pautas que interessam ao povo brasileiro. O primeiro ato, depois das convenções partidárias, é cavucar votos nesse mundão de Deus. Mas de jatinho, porque ninguém aguenta pedir voto em um país tão grande e cheio de pobres para agradar. Mas aí tem São João, Festa de Peão, Feira Agropecuária e por aí vai, na marcha pelo progresso do bloco do borogodó da Viúva.
* Jornalista e fotógrafo de rua

