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Pandemia faz aumentar número de alunos que podem abandonar estudos

© Studio Formatura/Galois

Quatro em cada dez alu­nos da educação básica na rede pública de ensino cor­rem risco de abandonar a escola por causa da pande­mia do novo coronavírus. Isso é o que mostrou um estudo feito com pais e res­ponsáveis de estudantes da rede pública e encomendado pela Fundação Lemann, o Itaú Social e o Banco Intera­mericano de Desenvolvimen­to (BID) ao Datafolha.

Segundo a pesquisa, o percentual de estudantes que não estão motivados com as aulas, que não estão evoluin­do nos estudos ou que mani­festaram a possibilidade de desistir da escola cresceu este ano, passando de 26% em maio do ano passado para 40% em maio deste ano.

E esse problema é ainda maior para os estudantes ne­gros: 43% deles manifestaram o desejo de abandonar a esco­la. Entre os brancos, o percen­tual foi de 35%.

O número também é maior para aqueles estudantes de fa­mílias com renda mensal de até um salário-mínimo (48%) e para os que vivem em áreas rurais (51%). O risco cresce também entre os estudantes que vivem no Nordeste: 50% dos estudantes dessa região manifestaram falta de moti­vação ou intenção de deixar a escola. Na região Sul, isso corresponde a 31%.

Impacto
A pesquisa demonstrou ainda o impacto da pandemia na alfabetização das crianças. De acordo com os pais e res­ponsáveis entrevistados no es­tudo, 88% dos estudantes ma­triculados no 1º, 2 º e 3 º ano do ensino fundamental estão em processo de alfabetização. Desse total, mais da metade (51%) das crianças ficou no mesmo estágio de aprendiza­do, ou seja, não aprendeu nada de novo (29%), ou desapren­deu o que já sabia (22%).

Entre os brancos, 57% te­riam aprendido coisas novas durante a pandemia segundo a percepção dos responsáveis. Entre os negros, no entanto, esse índice cai para 41%.

“O efeito de longo prazo da covid-19 no Brasil será na educação. Uma geração intei­ra ficará profundamente mar­cada pela pandemia e o Brasil precisará de múltiplas ações para superar as perdas de aprendizagem. Isso deve ser prioridade para o país”, disse Denis Mizne, diretor executi­vo da Fundação Lemann.

Aula presencial
Segundo os pais e respon­sáveis entrevistados para o es­tudo, apenas 24% dos estudan­tes tiveram as escolas reabertas para aulas presenciais. Dos que tiveram a escola reaberta, 40% dos estudantes não retornaram para a aula presencial.

No retorno às escolas, 63% dos estudantes estão sendo avaliados para identifi­car as suas dificuldades, mas só 29% estão recebendo aulas de reforço.

Para 86% dos pais e res­ponsáveis, o desempenho es­colar dos seus filhos antes da pandemia era ótimo ou bom e, agora, esse índice caiu para 59%. Esse baixo desempenho escolar é a principal preocu­pação dos responsáveis por crianças que não estão em processo de alfabetização.

A pesquisa quantitativa foi realizada entre os dias 22 de abril e 21 de maio de 2021, com abordagem telefônica, com responsáveis por crianças e adolescentes com idades en­tre 6 e 18 anos da rede pública, em todas as regiões do país.

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