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Polícia ouve testemunhas de atropelamento fatal

Frentistas de posto de combustível quase em frente ao local onde ocorreu o acidente garantem que motorista ouviu avisos sobre o ocorrido

Guilherme e sua mãe estavam indo a farmácia quando foram atropelados; menino morreu três dias depois (Foto: Redes Sociais)

Por: Adalberto Luque

A Polícia Civil ouviu, nesta segunda-feira (12), três frentistas que presenciaram o atropelamento de Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, e sua mãe Eliene de Santana Maia, de 33 anos. O atropelamento ocorreu na manhã de 1º de janeiro.

Os três frentistas já haviam adiantado, em depoimentos para a imprensa, que presenciaram o atropelamento e teriam alertado o motorista, o músico Gustavo Perissoto de Oliveira, de 25 anos, que teria ouvido e passou devagar, mas não parou. Um dos frentistas afirmou que, se o motorista tivesse olhado pelo retrovisor, teria visto o menino ou avistado as pessoas no posto que estavam acenando para ele.

O músico Gustavo Perissoto de Oliveira se apresentou ao delegado um dia após o atropelamento (Foto: Redes Sociais)

Paralelamente às investigações, a Polícia Civil busca imagens de câmeras de segurança nas imediações. Nestas imagens, por exemplo, foi possível identificar um carro prata que seguia à frente do carro conduzido por Oliveira, inclusive no momento do acidente.

Depois o carro seguiu à frente, aparentemente seguido pelo carro de Oliveira. Os dois passaram a seguir por ruas secundárias o que pode indicar que estivessem evitando locais mais movimentados após o atropelamento.

Guilherme foi sepultado no Cemitério de Bonfim Paulista (Foto: Alfredo Risk)

Outro ponto a ser apurado é ouvir pessoas que estiveram com o músico na véspera e após o atropelamento para confirmar se ele realmente não ingeriu bebidas alcóolicas. A defesa do músico afirmou que ele não teria consumido álcool. Disse que ele passou a virada de ano com a família e iria se reunir com amigos e familiares no almoço do dia 1º, quando ocorreu o acidente. A defesa também acrescentou que o carro era alugado e o motorista teria se distraído ao mexer na central multimídia e acreditou ter batido na defensa metálica.

Relembre o caso

Guilherme e sua mãe seguiam pela rua Professor Felisberto Almada, ao lado da Rodovia José Fregonesi (SP-328), em Bonfim Paulista. Eles seguiam até uma farmácia próxima ao local. Uma câmera de segurança registrou o atropelamento. O carro, conduzido pelo músico saiu da pista e atingiu mãe e filho.

Pai da criança pede Justiça e a prisão do responsável pela morte de seu filho e por causar ferimentos graves em sua esposa, que segue internada no HC-UE (Foto: Alfredo Risk)

O motorista seguiu sem parar para prestar socorro. A defesa alega que ele não teria visto que atropelou duas pessoas, pois se distraiu mexendo na central multimídia do carro, que era alugado.

Ao ver as notícias no dia seguinte, ele percebeu que era de seu carro que estavam falando e se apresentou antes de ser identificado. Ele compareceu ao 7º Distrito Policial e prestou depoimento, inclusive negando que tivesse consumido bebidas alcóolicas na véspera ou no dia da tragédia.

Mãe e filho foram socorridos em estado grave e levados para o Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência. Guilherme ficou internado na UTI pediátrica, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 4 de janeiro, sendo sepultado no dia 5, no Cemitério de Bonfim Paulista.

Delegado Ariovaldo Torrieri prossegue com investigações (Foto: Alfredo Risk)

Eliene já foi submetida a três cirurgias e segue internada no HC-UE. Ela não pode comparecer ao velório e sepultamento de seu único filho. Pai e marido das vítimas, Albertino da Silva Filho luta para que o autor do atropelamento seja responsabilizado e preso. “Ele não deveria estar solto. Não deu um único telefonema pra saber como estamos”, lamenta.

A família veio da Capital para buscar uma vida mais segura no interior. O pai continuava trabalhando em outra região e está impossibilitado de trabalhar porque tem de cuidar de mulher. As investigações prosseguem. O delegado responsável pelo caso, Ariovaldo Torrieri, deve ouvir outras testemunhas nos próximos dias. O caso passou a ser investigado como homicídio culposo e lesão corporal culposa na condução de veículo automotor e fuga do local do acidente.

Outro lado

A defesa do motorista encaminhou nota esclarecendo as informações divulgadas. Leia a nota na íntegra a seguir:

A defesa de Gustavo Perissoto de Oliveira vem a público esclarecer alguns pontos recentemente divulgados sobre a investigação do acidente ocorrido em Bonfim Paulista no dia 1º de janeiro.

Sobre as imagens do segundo veículo: Não há qualquer elemento “revelador” a presença de outro veículo nas imagens divulgadas. Conforme relatado por Gustavo em seu interrogatório, fato de pleno conhecimento da Autoridade Policial, havia uma pessoa conhecida em um carro que seguia à sua frente e que, por tal razão, não presenciou o acidente. Reitera-se que toda a rota do dia anterior e do dia seguinte foram relatados ao delegado. Portanto, desnecessária e injusta a exposição de pessoas inocentes que não possuem qualquer relação com o acidente e que em breve prestará esclarecimentos na Polícia Civil.

Sobre o contato com a família das vítimas: Na data de ontem (13/01), tomamos conhecimento pela mídia sobre novas declarações do Sr. Albertino, pai do menor Guilherme e marido da Sra. Eliene. Esclarecemos que a defesa técnica de Gustavo está, há uma semana, em contato com o advogado constituído pelo Sr. Albertino. Já foi proposta uma ajuda e suporte por parte de Gustavo, porém, até o momento, não obtivemos qualquer retorno. Lamentamos caso tal intenção ainda não tenha sido transmitida ao Sr. Albertino por seus representantes.

Sobre os depoimentos contraditórios das Testemunhas do Posto: Uma das testemunhas, não é frentista e no momento do acidente estava trabalhando no caixa da loja de conveniência do posto. Referida pessoa, em um vídeo previamente divulgado ao seu depoimento, disse que teria visto Gustavo “fugir pela contramão” – algo que não foi dito em seu depoimento oficial. A mesma testemunha declarou ter “visto o atropelamento”, mas admitiu logo em seguida que “não sabia que era disso que se tratava” e diz ter “pensado” que o veículo havia apenas se chocado contra a proteção metálica – é evidente que ela não presenciou o atropelamento. Outro depoente relata que no momento do acidente tinha “deixado a bomba para ir até o bebedouro tomar água e na hora que retornou para a bomba, ouviu um barulho extremamente alto”. Também disse que “não foi até o local e não sabe informar precisamente onde as vítimas estavam caídas” e “apenas visualizou a mão estendida da vítima de longe”. Ou seja, outra testemunha que não presenciou o acidente. A Defesa técnica ressalta que o depoimento de testemunhas não pode ser carregado de opiniões pessoais (juízo de valor), pois extrapola a sua função de relatar, tão somente, fatos observados.

Por fim, imagens obtidas na tarde de ontem revelam que no dia 1º de janeiro, por volta de 17h24, Gustavo estacionou o carro na rua em frente ao prédio que reside e, somente no dia seguinte, guardou o carro na garagem do edifício – demonstrando que ele nunca empreendeu fuga ou tentou se ocultar. A Defesa reafirma seu compromisso com a verdade real e com a colaboração integral junto à Polícia Civil para o esclarecimento do caso.
(Matéria atualizada em 14/01 às 12h15)

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