Por: Adalberto Luque
Uma grande operação, realizada na manhã desta sexta-feira (19), resultou na prisão de quatro suspeitos de sequestrar um empresário em Ribeirão Preto, na noite de 9 de dezembro. A Operação Rastro Final foi realizada simultaneamente nas cidades de Ribeirão Preto, São Paulo e Guarujá.
Foram mobilizados 75 policiais civis, distribuídos em 25 viaturas. Entre as equipes, participam policiais civis do Grupo de Operações Especiais (GOE), Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) e Homicídios, todas da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Ribeirão Preto. Além disso, participam atentes do GOE, DEIC, GARRA, GER/DOPE da Capital e Santos.
Os agentes cumpriram 9 mandados de busca e apreensão e tinham 6 mandados de prisão, mas apenas quatro pessoas foram presas. Outros dois homens não foram encontrados e são considerados foragidos.

Segundo o delegado responsável pela Deic de Ribeirão Preto, José Carvalho de Araújo Júnior, não há dúvidas de que os seis identificados teriam participação no assalto. Os três homens presos no Guarujá e os dois foragidos, da mesma cidade, participaram da execução.
Já o homem preso em São Paulo foi o responsável pela locação da chácara em Bonfim Paulista, usada como cativeiro. O delegado explicou que as identificações foram positivas graças às impressões digitais encontradas no cativeiro.
Gabriel Ferreira, de 33 anos, que alugou a chácara, foi preso em São Paulo. Os demais foram detidos no Guarujá. Foram presos Alan Oliveira dos Santos Lima, de 29 anos (saiu da penitenciária há poucas semanas, onde cumpriu pena por tráfico), Diego da Silva França, de 29 anos e Angelo Xavier dos Santos Júnior, de 36 anos.

Também moradores do Guarujá, Pablo Gonçalves de Araújo, de 34 anos, e Ricardo Luís Souza dos Santos, de 47 anos, não foram encontrados e são considerados foragidos. Em Ribeirão Preto foram cumpridos mandados de busca e apreensão. O delegado adiantou que existe a possibilidade de ter outras pessoas envolvidas, mas que podem ser alvo de outras operações, de acordo com o seguimento das investigações.
Motivação
Araújo disse que a motivação não foi esclarecida. Os quatro presos no Guarujá e Capital, devem passar por audiência de custódia e, só então, devem ser trazidos para Ribeirão Preto, onde serão interrogados, mas ainda não há data para que isso ocorra.
A versão do empresário Ronan Franco Muniz, de 44 anos, todavia, não é aceita pelo delegado. Muniz, que trabalha no setor de câmbio de moedas estrangeiras, foi ouvido no dia 11 de dezembro, quando foi liberado.
Ele afirmou que não pagou resgate e não foi extorquido. Apenas seu celular foi levado pelos homens que o abordaram. Disse ainda que, no dia em que foi liberado, teria sido informado pelos sequestradores que foi pego por engano.

“Infelizmente ele trouxe uma história para a Polícia Civil que não é real”, acrescenta Araújo. O delegado entende que pode haver tanto receio, quando intenção de esconder o real motivo do sequestro.
Uma das hipóteses também investigada é que ele próprio teria combinado o sequestro com os homens presos. Outra é algum tipo de envolvimento que a Polícia Civil quer descobrir. Mas para Araújo, embora não tenha sido totalmente descartada, a hipótese de sequestro por engano não é a principal linha de apuração.
As caminhonetes Nissan Frontier usadas no sequestro eram roubadas e usavam placas clonadas. Elas foram encontradas abandonadas em 10 de dezembro. Uma estava na zona Rural de Luiz Antônio e outra na zona Rural de São Simão, cidades vizinhas e pertencentes à região metropolitana de Ribeirão Preto.
Relembre o caso
Ronan Franco Muniz foi sequestrado na noite desta terça-feira (9). Ele estava em seu carro, um Chevrolet Trailblazer, estacionado na rua Cláudio Scordro, quando duas caminhonetes chegaram. Uma parou na frente do carro do empresário, outra atrás.

Homens armados desceram e tiraram Muniz de dentro do carro, colocando na caminhonete que estava na frente e fugiram do local. O carro do empresário ficou lá, com as portas destravadas e pertences do empresário.
Horas depois, as duas caminhonetes foram localizadas na zona Rural entre Cravinhos e São Simão. A Polícia Civil pediu, em nota, para que a imprensa não divulgasse mais nenhuma informação. “Trata-se de investigação sensível, em fase inicial, na qual cada minuto é determinante para a segurança da vítima e para o êxito das ações policiais”, informava a nota.

