Por: Adalberto Luque –
Cerca de 500 policiais civis, militares, penais e técnico-científicos, participaram do protesto. Segundo a presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Região de Ribeirão Preto (Sinpol), Fátima Aparecida Silva, 24 policiais civis de Ribeirão Preto compareceram ao protesto.
Apesar da chuva que apertou no decorrer da manhã, os policiais civis se concentraram no vão livre do MASP. Os deputados estaduais Carlos Gianazzi (Psol), Paulo Batista dos Reis (PT) e Paulo Fiorillo (PT), além do deputado federal Delegado Mário Palumbo (MDB-SP), marcaram presença em apoio aos policiais.
Os manifestantes chamaram Tarcísio de Freitas de mentiroso. Acusaram o governador de manipular índices para tentar passar a falsa impressão de que ele se importa com a segurança pública.
“O governador usa índices do governo de João Dória, que estava no cargo em 2022. Tarcísio só assumiu em 2023. Ele deu um reajuste escalonado, com média de 20,2% para os policiais civis e militares. Mas só a partir de julho de 2023. Em 2024 não deu nada de reajuste e, em 2025, apenas 5%. Ele manipula descaradamente os índices”, afirma Fátima.

A presidente do Sinpol diz que, durante a gestão de Dória (PSDB), não houve reajuste nos primeiros anos. Isso só ocorreu no último ano de Dória, quando 20% foram aplicados sobre os salários dos policiais. “Só assim pra dar 45,2%. O que Tarcísio não fala é que ele deu sua palavra de que iria valorizar os policiais paulistas e hoje estamos entre os piores salários pagos a policiais civis entre todos os estados brasileiros. Uma vergonha”, dispara.
Sobre a Lei Orgânica, a sindicalista lembra que já houve pelo menos quatro datas para a conclusão dos trabalhos, feitos de forma unilateral, sem participação dos policiais civis, apenas por técnicos do governo. “Em novembro do ano passado o governador convocou as lideranças dos policiais civis para uma reunião no Palácio dos Bandeirantes onde, novamente, deu sua palavra de que, na semana seguinte, teríamos acesso à minuta do projeto. Quando chegamos lá, não tinha nada. Prometeram para fevereiro, mas nada até agora”, lamenta.

Mesmo debaixo de chuva, os manifestantes saíram da avenida Paulista. Eles seguiram, em caminhada, pela rua da Consolação, em direção ao Centro. Passariam pelo Viaduto do Chá até chegar à sede da SSP, que fica no Largo São Francisco. Lá, fariam nova manifestação antes da dispersão.
Outro lado
A Secretaria da Segurança Pública (SSP). por conta de uma manifestação de policiais na Capital, encaminhou nota à redação do Tribuna Ribeirão, contrapondo as denúncias dos manifestantes. O protesto contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicano), ocorreu na manhã desta terça-feira (24), na avenida Paulista, em frente ao MASP. O movimento foi organizado por policiais civis, militares, penais e técnico-científicos para mostrar que a segurança pública é tratada com descaso no Estado de São Paulo.

De acordo com a SSP, a pasta mantém diálogo permanente com as entidades representativas e reconhece a importância do trabalho desempenhado pelas carreiras policiais. Em nota, a Secretaria informa que valorização e fortalecimento das instituições têm sido prioridades da atual gestão.
Em relação a reajustes, afirma que entre 2022 e 2025 os policiais civis e militares acumularam reajuste salarial de 45,2%, enquanto policiais penais tiveram acumulado de 54%. Sobre efetivo, a SSP lista a contratação de 15 mil novos policiais, inclusive integrantes da maior nomeação da Polícia Civil, com 4 mil vagas.
Acrescenta que foram pagos R$ 1,1 bilhão em bônus e adquiridos 17 mil armas, mais de 50 mil coletes, viaturas, helicóptero e câmeras corporais. A SSP destaca o investimento em sistemas de inteligência que possibilitaram redução dos índices de homicídios e latrocínios em 2025, atingindo o menor número desde 2001.
Em relação à Lei Orgânica da Polícia Civil, a SSP informou que o projeto está em estágio avançado e o Grupo de Trabalho responsável por sua elaboração permanecerá ativo até a conclusão de todas as etapas previstas. Afirma que, desde o início do processo, as entidades representativas foram ouvidas.

