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Prédios inacabados: ‘Elefantes brancos’ abandonados em Ribeirão

Quem mora, trabalha ou passa diariamente pela rua General Osório, no quartei­rão localizado entre as ruas São José e Garibaldi, com certeza já cansou de contem­plar o “esqueleto” de um pré­dio de apartamentos, de qua­torze andares, que há duas décadas se transformou em parte da paisagem daquela região. Iniciadas no começo dos anos noventa as obras foram abandonadas há vinte anos, quando a construtora Terra, responsável pelo em­preendimento, faliu.

Na época, os proprietários do terreno, onde o prédio começou a ser construído, entraram com uma ação ju­dicial contra a construtora, já que ela havia se comprome­tido a entregar apartamentos as duas famílias proprietárias da área, que residiam no lo­cal e cujas casas foram demo­lidas, para a construção do futuro empreendimento.

Atualmente, depois de uma longa batalha judicial em que a famílias donas do terreno conseguiram o direito de propriedade do imóvel, o inacabado edifí­cio abriga uma família que toma conta do local contra eventuais invasões. No lugar da fachada, duas faixas de uma imobiliária com os di­zeres “vende-se este imóvel” tentam há cerca de um ano atrair compradores.

Segundo o corretor res­ponsável pela venda, o imó­vel – que quando pronto terá dois apartamentos de 110 metros quadrados por pavi­mento – está avaliado em R$ 2,2 milhões. O que, segundo ele, não impede aos possí­veis compradores oferecer contra propostas.

À espera do futuro

No bairro Campos Elíse­os, outro edifício inacabado também já virou parte do cotidiano dos moradores da rua Ceará, próximo à esquina com a rua Fábio Barreto. Ini­ciado há mais de trinta anos, e com um projeto arquitetô­nico que previa amplos apar­tamentos, o edifício de seis andares também espera uma destinação final, desde que a então construtora Guaritá, responsável pelo empreendi­mento, paralisou as obras há mais de vinte anos. Para os moradores das proximida­des, que viram as obras ainda na fase da fundação, a espe­rança é que ele um dia seja terminado. “Ainda espero isso”, diz uma moradora que em sua casa localizada em frente ao imóvel.

Atualmente o comercian­te Cesar Pace, proprietário de um terreno ao lado da obra é quem faz a manutenção do local para evitar a inva­são por moradores de rua. “Tenho ouvido que as obras devem ser retomadas”, diz o comerciante.

História antiga

A proliferação de prédios inacabados em Ribeirão Pre­to teve seu ápice na década de noventa quando várias construtoras que investiam na construção de edifícios residenciais-principalmente os destinados para a classe média- enfrentaram proble­mas financeiros. O exemplo mais presente na cabeça do ribeirão-pretano é o da cons­trutora Encol, que deixou de concluir dezenas de projetos. Vários deles só foram conclu­ídos após os compradores dos apartamentos ainda na planta se organizarem juridicamen­te, se cotizarem e assumirem a conclusão dos edifícios.

Alvará pode ser cassado
Segundo a Secretaria Muni­cipal de Planejamento não existe levantamento sobre quantos prédios com obras paralisadas existem na cidade. De acordo com aquela pasta, com o Siste­ma de Documentos e Processos Eletrônicos, em fase de implan­tação pelo município, será possí­vel elaborar estas estatísticas. O novo sistema permitirá executar totalmente os licenciamentos eletrônicos.

A secretaria trabalha para planejar o levantamento de obras paralisadas de maior impacto

De acordo com o secretário municipal de Planejamento Ed­som Ortega, o Código de Obras, que faz parte do Plano Diretor e está sob análise da Câmara Mu­nicipal prevê, por exemplo, que constatada a paralisação de uma construção por mais de noventa dias, deverá ser feito o fecha­mento do terreno no alinhamento predial e que, caso isso não seja feito, a Prefeitura poderá execu­tar o serviço cobrando os custos dos proprietários.

Já no caso da paralisação ultrapassar dois anos o alvará será suspenso, podendo ser reavaliado através de solicitação formal feita pelo proprietário, devidamente assistido pelos res­ponsáveis técnicos envolvidos no projeto.

O secretário lembra, porém, que o acompanhamento para ver se em função do período parali­sação de uma obra não surgiram problemas estruturais no edifício é uma responsabilidade do proprietário. “Se houve denúncia e evidências de risco o poder público poderá determinar que proprietário tome providencias”, completa Ortega.

Ele explica também que a secretaria trabalha para pla­nejar o levantamento de obras paralisadas de maior impacto e ajustar procedimentos eficazes passíveis de serem aplicados com base na legislação vigente.

História em ruínas
Quem conhece a história de Ribeirão Preto e passa pelo que sobrou da extinta fábrica de tecido Cianê-Matarazzo, localizada no bairro Campos Elíseos, tem certeza de que o local que personificou o desenvolvimento econômico da cidade, nas décadas de cinquenta e sessenta, está abandonado à própria sorte, sendo usado como local para o consumo de droga e por moradores em situação de rua.

Vale lembrar que as Indústrias Reunidas Matarazzo, que funcio­nou no local de 1945 a 1981, por muito tempo simbolizou a pujança da atividade industrial em Ribeirão Preto. Em 2010 os barracões com 39 mil metros quadrados foram tombados como patrimô­nio histórico, mas, até hoje não recebeu destinação adequada pelo município.

Durante a gestão da ex-prefeita Dárcy Vera a Prefeitura tentou implantar no local a Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Ribeirão Preto. Mas o projeto não deu certo e o Governo do Estado instalou a faculdade em um terreno de 22 mil metros quadrados localizado na Vila Virginia. A prefeitura também cogitou a instalação no local do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, uma autarquia do governo federal. Contudo o empre­endimento não foi adiante.

Antigo prédio da Cianê – abandonado a própria sorte

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