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Protestos no Irã geram 3 mil mortes


Foto Man: fars New Agency/Divulgação 
 Grupo ativista diz que, entre os três mil mortos em mais de duas semanas de protestos, 1.847 eram manifestantes e 153 tinham ligação com o governo

As manifestações, que começaram como protestos contra a economia debilitada do país, rapidamente passaram a mirar a teocracia

O número de mortos nos protestos em todo o Irã subiu para pelo quase três mil nesta terça-feira, 13 de janeiro, segundo ativistas, mesmo com iranianos conseguindo fazer ligações telefônicas para o exterior pela primeira vez em dias, após as autoridades terem cortado as comunicações durante a repressão.

O total de mortos, reportado pela Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, supera em muito o de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irã em décadas, lembrando o caos que cercou a Revolução Islâmica de 1979.

As manifestações, que começaram como protestos contra a economia debilitada do país, rapidamente passaram a mirar a teocracia, em especial o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Imagens obtidas nesta terça-feira pela Associated Press, de protestos em Teerã, mostram pichações e cânticos pedindo a morte de Khamenei – algo que, segundo a lei iraniana, pode acarretar pena de morte.

Foto Aia: Official Khamenei Website/Reuters

Os protestos passaram a mirar a teocracia, em especial o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que considera os manifestantes terroristas

O crescente número de mortos pode aumentar a pressão sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, para que tome medidas, após ele ter alertado o Irã de que poderia intervir militarmente para proteger manifestantes pacíficos. O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que a comunicação com Washington permanece aberta, mas reconheceu que as diferenças entre os países continuam enormes.

Mais tarde, Donald Trump afirmou que tomará “medidas muito duras” se o Irã começar a enforcar manifestantes que protestam contra o regime dos aiatolás. “Isso não terminará bem para o Irã”, disse Trump, em trecho de uma entrevista concedida à CBS News.

Questionado sobre se já sabia sobre casos de enforcamento já realizados pelo governo em Teerã, Trump disse que ouviu diferentes números e que ainda não é possível saber o que é verdade ou não.

“Eu não ouvi falar de enforcamentos. Se eles enforcarem, vocês vão ver algumas coisas Nós tomaremos medidas muito duras se fizerem esse tipo de coisa”, afirmou o republicano.

O grupo ativista Human Rights Activists News Agency informou que, entre os três mil mortos em mais de duas semanas de protestos, 1.847 eram manifestantes e 153 tinham ligação com o governo. Outras nove crianças foram mortas, e nove civis que, segundo o grupo, não participavam dos protestos, também perderam a vida. Mais de 16,7 mil pessoas foram detidas.

Skylar Thompson, da Human Rights Activists News Agency, disse à Associated Press que o número de mortos era chocante, principalmente porque quintuplicou, em apenas duas semanas, o total de mortes dos protestos contra a morte de Mahsa Amini, que duraram meses em 2022.

Ela alertou que o número ainda deve aumentar. “Estamos horrorizados, mas ainda achamos que o número é conservador”, acrescentou. Logo após a divulgação do novo balanço, Trump escreveu na Truth Social: “Patriotas iranianos, continuem protestando – ocupem suas instituições”.

Ele também afirmou que cancelou todas as reuniões com autoridades iranianas até que “o massacre sem sentido de manifestantes pare”. “A ajuda está a caminho.” Com a internet fora do ar no Irã, acompanhar as manifestações a partir do exterior tornou-se mais difícil.

A Associated Press não conseguiu verificar de forma independente o número de vítimas, e o governo iraniano não divulgou estatísticas oficiais. As ligações telefônicas de iranianos deram uma ideia de como era a vida após o isolamento imposto pelo governo na noite de 8 de janeiro.

Testemunhas relataram forte presença policial no centro de Teerã, prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e poucos pedestres nas ruas. Enquanto isso, a população permanece preocupada com os próximos passos, incluindo a possibilidade de ataques, após Trump ter afirmado que poderia usar as Forças Armadas para proteger manifestantes pacíficos. O republicano também disse que o Irã deseja negociar com Washington.

Brasil – O governo brasileiro divulgou nesta terça-feira (13) nota oficial em que afirma acompanhar com preocupação as manifestações no Irã. As manifestações Os protestos começaram em 28 de dezembro em resposta ao aumento dos preços do custo de vida no país.

Depois, os manifestantes se voltaram contra os governantes clericais que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. A moeda rial do Irã perdeu quase metade de seu valor em relação ao dólar em 2025, com a inflação chegando a 42,5% em dezembro, em um país que enfrenta sanções dos Estados Unidos e ameaças de ataques israelenses.

Em resposta aos protestos, que já se estendem a todo o país, as autoridades iranianas têm respondido com força letal perante a população. Segundo organizações não-governamentais, há registro de pelo menos três mil mortes.  No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil lamenta as mortes e defende a soberania dos iranianos para decidir os rumos do país.

“Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”, diz a nota. O governo brasileiro informa que, até o momento, não há registro de brasileiros entre mortos e feridos. A embaixada em Teerã está atendendo a comunidade brasileira no Irã.

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