José Aparecido da Silva*
Uma grande quantidade de estudos publicados nas últimas duas décadas tem revelado que os níveis de habilidade cognitiva das sociedades são relevantes para o desenvolvimento de vários aspectos, positivamente valorizados, das pessoas e dos países. Seguindo a tradição econômica, capital humano é relevante para o crescimento econômico e riqueza. Em adição, habilidade cognitiva das nações tem um impacto positivo sobre o desenvolvimento político, de tal modo que ela ajuda a edificar a democracia, a obediência às leis e liberdade política. Inteligência, conhecimento e o uso inteligente do conhecimento também têm efeitos benéficos sobre a saúde, por exemplo, eles atuam como um breque na difusão de doenças contagiosas e no manejo ao longo de toda a vida de doenças crônicas. Finalmente, competência cognitiva é relevante para o desenvolvimento da modernidade quando uma sociedade e, especialmente, como um fenômeno cultural consistindo em educação, autonomia, liberdade, moralidade e racionalidade. Sociedades, em seu nível mais alto de habilidade, desenvolvem visões de mundo mais complexas, mais baseadas em evidências, mais éticas e mais racionais.
Devido aos efeitos positivos e globais das competências cognitivas organizações econômicas e educacionais, tais como, a OECD, UNESCO e o INEP-Brasil estão conduzindo estudos sobre educação e competência (ver, por exemplos, o PISA, pela OECD e o Enem e Saeb, no Brasil). Mas, os termos usados mudam, variando de capital humano pelos economistas, letramento pelos educadores, e os psicometristas e cientistas cognitivos focalizam o conceito de inteligência. A mensuração das habilidades cognitivas nestas diversas tradições de pesquisas é baseada em tarefas mentais que podem ser resolvidas com pensamento e com quantidade variada de conhecimento específico. Não obstante, o interessante que, todas as pontuações dos estudantes em todas estas diferentes abordagens de mensuração correlacionam-se altamente no nível individual e multo significativamente em nível nacional. Assim, as correlações positivas agregadas entre testes amplamente dissimilares (por ex.: verbal, matemática, ciência, tarefas Piagetianas, avaliações psicométricas e educacionais dos estudantes) são tomadas como evidências de que o mesmo fator latente, subjacente, está envolvido em todo desempenho cognitivo complexo. Educação formal (anos de escolaridade ou diplomas) é frequentemente usada como um proxy ou fator causal para habilidade cognitiva.
A despeito dos vários termos, métodos de pesquisa, disciplinas e diferentes paradigmas, os pesquisadores têm chegado a um mesmo resultado: habilidade dos indivíduos nas sociedades é importante para resultados positivos. A suposição causal é especialmente fundamentada pelo uso de delineamentos longitudinais controlando a influência de outros fatores e de efeitos secundários, como, por exemplo, da riqueza ou democracia. Naturalmente, inteligência e conhecimento não são apenas e os simples determinantes dos atributos positivos obtidos. Há fatores adicionais subjacentes (educação, cultura e genes) e agregados (efeitos da vizinhança, personalidade ou fatores probabilísticos) à habilidade cognitiva, e entre habilidade cognitiva e resultados positivos (qualidade das instituições ou princípios de meritocracia). Há atributos positivamente valorizados que podem não depender (positivamente) da competência cognitiva (por exemplo, felicidade sucesso no casamento). Portanto, alta competência não é garantia de resultados positivos. Finalmente, inteligência não guiada pela ética e racionalidade conduz a resultados enviesados, questionáveis e destrutivos.
Assim considerando, um aumento na habilidade cognitiva para entender informação, relações causais e as consequências de seu próprio comportamento e dos outros na vida cotidiana, melhora o próprio comportamento e o comportamento de outros importantes, tais como, pais, amigos, colegas, professores, supervisores, cientistas e líderes políticos. Adicionalmente, habilidade cognitiva potencializa as atitudes em direção a um estilo de vida orientado mais eticamente incluindo considerar a perspectiva dos outros, a importância do meio-ambiente e uma melhor apreciação cívica das virtudes e do futuro da qualidade de vida, da segurança, da educação, trabalho e do amor individualizado.
Habilidades de pensamento formam uma parte integrada de um padrão global orientado para um estilo de vida ativo racional, autocontrolado e visionário. Elas criam um loop positivo: a própria inteligência e a inteligência de outros enriquecem a qualidade ambiental (físico, social e cultural) e por isso, novamente, o desenvolvimento cognitivo. A inteligência é a força motriz da história. Tenho dito apesar de encontrar sempre resistências.
Professor Titular Sênior-USP-RP*




