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Quadrilha que furtava combustíveis de dutos no RJ tem alvo preso em RP

Homem foi um dos detidos no âmbito da Operação Haras do Crime, deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público, ambos do Rio de Janeiro e prejuízo pode superar R$ 6 milhões

Homem preso na Ribeirânia já havia sido preso antes e era um dos líderes da quadrilha muito bem estruturada (Foto: Divulgação)

Por: Adalberto Luque –

Uma operação de grande porte foi deflagrada, na manhã desta quinta-feira (22), para desarticular uma organização criminosa especializada no furto de petróleo bruto por meio de perfurações clandestinas em dutos operados pela Transpetro. A ação foi conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), em atuação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio de Janeiro, com apoio operacional do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Polícia Civil de São Paulo.

Ao todo, foram expedidos 13 mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa, cumpridos de forma simultânea nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. As diligências tiveram como objetivo atingir os principais integrantes do grupo, apreender provas e interromper imediatamente as atividades ilícitas.

Em Ribeirão Preto, com apoio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC), foi cumprido um mandado de prisão contra um dos líderes da quadrilha, Davison Luiz Senhorine, de 42 anos. O homem foi localizado e preso no bairro Ribeirânia, na zona Leste da cidade. De acordo com policiais civis do Rio de Janeiro, ele já havia sido preso em 2022 pelo mesmo crime. Senhorine foi preso no apartamento de sua namorada.

Segundo o delegado Diógenes Santiago, ele se alternava entre Ribeirão Preto e Barrinha. Em 2022 o homem foi preso por ser um dos braços financeiros do grupo. Já na prisão desta quinta-feira ele era investigado como um dos líderes da quadrilha. O preso em Ribeirão Preto era procurado e tinha recompensa de R$ 2 mil por sua captura. Ele passaria por audiência de custódia para, se o juiz autorizar, ser levado para o Rio de Janeiro.

Furtos ocorriam em dutos que passavam sob área rural no Estado do Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)As investigações apontaram a existência de uma organização criminosa estruturada, estável e permanente, com divisão de tarefas e hierarquia bem definidas. O grupo atuava de forma interestadual e utilizava meios técnicos sofisticados para a prática reiterada de furtos qualificados de petróleo, mediante perfuração indevida de dutos subterrâneos em operação.

Segundo apurado, o esquema envolvia vigilância armada, escolta dos pontos de extração, contratação de empresas para transporte do produto subtraído e posterior dissimulação da origem ilícita. Para isso, eram utilizados documentos fiscais falsos, que classificavam o petróleo bruto como suposto “resíduo oleoso”, conferindo aparência de legalidade à carga.

O núcleo operacional da extração clandestina foi identificado em uma fazenda localizada no município de Guapimirim, no Rio de Janeiro, área considerada estratégica por abrigar trecho sensível do oleoduto. Segundo o delegado Pedro Brasil, um dos responsáveis pela ação realizada de forma simultânea em vários estados, a fazenda pertence a uma conhecida família de contraventores do Rio de Janeiro, ligados a uma grande escola de samba.

Quadrilha estruturada causou prejuízos de R$ 6 milhões com desvio de combustível (Foto: Divulgação)

A escolha do local teria sido resultado de planejamento prévio, com o objetivo de dificultar a fiscalização, controlar o acesso de terceiros e garantir a continuidade da atividade ilícita em larga escala. As investigações apontaram que o prejuízo com os desvios passa de R$ 6 milhões e, entre os investigados, estão os atuais arrendatários da fazenda usada como um dos núcleos.

A forma de agir, revelada pelas apurações, indicou um ciclo criminoso integrado, que começava com a perfuração clandestina do duto, seguia com a proteção armada do ponto de derivação, avançava para o carregamento do petróleo em caminhões-tanque e culminava no transporte por rotas interestaduais previamente definidas. A etapa final consistia na comercialização do produto, com uso de empresas de fachada e notas fiscais falsas.

As autoridades reuniram um conjunto probatório considerado consistente, composto por depoimentos, apreensões em flagrante, provas materiais, análises fiscais e bancárias e laudos periciais. O material aponta que os investigados atuavam de forma coordenada e consciente, com o objetivo comum de obter lucro por meio de crimes de alto impacto econômico, social e ambiental.

Além do prejuízo patrimonial, a investigação destacou os riscos à segurança da infraestrutura energética e ao meio ambiente, já que a perfuração indevida de oleodutos pode causar vazamentos, contaminação de corpos hídricos e ameaçar a segurança de populações próximas.

Pelo menos seis dos alvos foram presos no Rio de Janeiro, além do homem preso em Ribeirão Preto. Outros seis seguem procurados. Os investigados deverão responder por organização criminosa e furto qualificado, conforme a legislação penal vigente. Se condenados, podem receber penas superiores a 10 anos de prisão.

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