Sérgio Roxo da Fonseca *
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Taís Roxo Fonseca *
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No centro da cidade de Ribeirão Preto figurava a Praça XV de Novembro que era cercada por dois teatros. De um lado estava o Theatro Pedro II. Do outro lado figurava um teatro que foi derrubado por volta de 1945, tendo sido substituído pelo ponto central de ônibus.
Ali a Praça XV era ladeada pela Rua Visconde do Inhaúma onde permaneciam estacionadas as charretes negras, puxadas por cavalos. Eram os veículos mais usados não somente para os passeios dominicais como também para a visitação do cemitério instalado no alto da Avenida da Saudade, onde também eram edificados tanto a igreja do Santo Antônio com o templo do Santo Antoninho dos Pobres.
Voltando para a Praça XV, subindo seu calçamento até o final, encontrava-se o campo do Comercial Futebol Cube que primeiramente foi substituído pela Sociedade Recreativa de Esportes, para durante os nossos dias dar lugar a uma entidade de prestação de serviços.
Na inauguração dos jogos abertos foi ali inaugurada a Avenida9 de Julho que se encerrava com a estrada que subia parra São Paulo, passando por Gaturamo, atualmente batizada com o nome de Vila Bonfim.
Ao caminho traçado para a Avenida da Saudade dava acesso ao bosque municipal, passando pelo córrego onde os carroceiros lavavam os seus cavalos, razão pela qual era o local conhecido como o “lavador”.
Próximo do Theatro Pedro II estava inaugurado o famosíssimo Bar Pinguim onde supunha-se que era vendido o mais famoso chope do mundo que, segundo a lenda era transportado por um encanamento ligando sua fábrica com estabelecimento central.
De certa feita, um ribeirãopretano viajou em um navio para a Itália. A empresa comunicou-lhe que, no meio da viagem, era oferecido umjantar solene quando todos os viajantes deviam entregar um presente para o comandante que era portanto italiano.
O ribeirãopretano comprou um livro, cuja capa era enfeitada com a imagem do Teatro Pedro II, marca registrada da nossa cultura. Ao final do jantar, formou-se uma fila, e o nosso amigo, ao se aproximar do comandante, entregou-lhe o livro indicando que o nosso teatro era o famosíssimo Pedro II.
O comandante italiano, apontando para o canto da capa do livro, para espanto geral, proclamou, em voz alta, que ali estava o encantador e conhecido “Pinguino”.
Não havia asfalto, razão pela qual o então prefeito calçou com pedras a rua de sua então solitária residência, edificada ao lado da igreja, tomando o rumo central. Até hoje, ao contrário de sua vizinhança, a rua é calçada com pedras e não com asfalto, recordando a antiquíssima administração da cidade.
A Rua General Osório ligava a estação ferroviária com a Praça XV. A pé foi trilhada pelos nossos soldados quando voltaram da guerra. O Brasil lutou gloriosamente ao lado dos norte-americanos contra os nazistas. Era o ano de 1945.
* Advogado, professor livre docente aposentado da Unesp, doutor, procurador de Justiça aposentado, e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras
** Advogada

