Imunizante 100% brasileiro será destinado a profissionais da atenção primária à saúde, grupo prioritário no país
O governo de São Paulo iniciou, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, a campanha de imunização contra a dengue com a Butantan-DV, em todos os 645 municípios paulistas. Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira do mundo em dose única e que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Nesta primeira etapa, a imunização será destinada aos profissionais da atenção primária à saúde, da rede municipal.
Para o início da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado. A estimativa é que cerca de 216 mil profissionais da atenção básica, entre médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, sejam imunizados ao longo da ação. A Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto iniciou a imunização na tarde de ontem.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo enviou mais de 3,1 mil doses da vacina Butantan-DV para o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Ribeirão Preto. A distribuição tem estimativa de imunizar sete mil profissionais da Atenção Primária à Saúde das redes municipais da região. São 1.027 doses apenas para a cidade-sede.
Os primeiros a receber o imunizante são agentes de combate a endemias e comunitários de saúde. A prioridade é para os servidores que estão em campo, à frente das ações de combate do mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue e da chikungunya.
Depois, será a a vez dos funcionários das 39 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF). No ano passado, Ribeirão Preto registrou 21.583 casos de dengue – além de 39.721 sob investigação –, contra 44.630 de 2024, queda de 51,64% e 23.047 ocorrências a menos. Até dia 4 de fevereiro, a Secretaria da Municipal Saúde havia recebido 1.154 notificações sobre pacientes com a doença em 2026, segundo o Painel de Arboviroses.
Dezoito casos foram confirmados (todos em janeiro), dois na região Central, dois na região Central, três na Zona Leste, três na Norte, três na Sul e quatro na Oeste, além de três que ainda não têm identificação de distrito. O total de ocorrências 2026 é 99,59% inferior aos 4.365 do mesmo período do ano passado, 4.347 a menos.
Nenhum óbito foi registrado até agora em janeiro e início de fevereiro, contra quatro do primeiro mês de 2025. Neste ano, três vítimas do mosquito Aedes aegypti – transmissor da doença, das febres chikungunya e amarela na área urbana e de zika – são crianças de 1 a 4 anos, três têm entre 5 e 9 anos, quatro de 10 a 19 anos, cinco de 20 a 39 anos, duas de 40 a 59 anos e um idoso de 60 anos ou mais.
Também já foram confirmados dois casos de febre chikungunya na cidade. A cidade fechou 2025 com onze mortes: A tecnologia da Butantan-DV representa um avanço relevante ao permitir uma imunização mais rápida da população, além de reduzir custos e simplificar a logística de aplicação em campanhas de grande escala.
Produzida em São Paulo, a vacina é resultado de anos de pesquisa e inovação científica e tem potencial para impactar diretamente a redução de casos graves da doença. A distribuição das doses foi coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, com envio aos municípios de acordo com critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região.
Até quinta-feira (5), o estado de São Paulo havia registrado 4.647 casos de dengue e um óbito. Em 2025, já foram confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos no território paulista, reforçando a importância da ampliação das estratégias de prevenção e imunização.
A aprovação da Butantan-DV é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3 encaminhados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral e 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme.
O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno.
A maioria das reações foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina foram raros e todas as pessoas se recuperaram. A tecnologia da Butantan-DV representa um avanço relevante ao permitir uma imunização mais rápida da população, além de reduzir custos e simplificar a logística de aplicação em campanhas de grande escala.

