A cidade de Philip Yang

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Assisti, no Café Filosófico da TV Cultura, a uma palestra de Philip Yang sobre as cidades. Yang é pianista, foi diplomata brasileiro por dez anos e hoje é um bem sucedido empresário do petróleo e energia,que resolveu se dedicar ao estudo das cidades. Para isto, fun­dou o Urbem – Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole – que faz constantes pesquisas sobre o tema. Na palestra, voltou ao tempo em que houve necessidade de se separarem as atividades da agricultura recém descoberta da pecuária, também recente, ativida­des incompatíveis e que geraram a primeira divisão territorial.

Como cada setor se especializava em sua produção, chegou um momento em que houve necessidade de um local de troca de mercadorias, nascendo assim o mercado e a cidade que o abrigava. Hoje, existem, grosso modo, duas grandes correntes que pensam a cidade: a liberal, que prega que as cidades devem se desenvolver sem nenhuma intervenção do Estado, crescendo de acordo com forças sociais e de mercado e outra, que define a intervenção de cima pra baixo, na formatação e implementação do tecido urbano. Brasília e Belo Horizonte são exemplos desta corrente.

Parece que a solução estaria em um modelo híbrido, baseado num tripé: o poder estatal, o poder do mercado e o poder social, que devem se manter equilibrados, onde o Estado dá as linhas gerais de planejamento, o mercado aponta soluções para ocupação das novas áreas e a pressão social aponta os rumos que os moradores querem para o local onde vivem . A participação ativa deste último compo­nente é fundamental para o desenvolvimento da cidade que quere­mos. Na maioria das vezes, o Estado traça os planos urbanísticos da cidade sem ouvir seus maiores interessados que são os moradores.

Exemplificou com a HafenCity de Hamburgo, onde o estado queria recuperar a zona abandonada do velho porto, fez um planeja­mento de sua utilização, financiou o mercado para a construção da nova cidade e os moradores das redondezas deram sua contribuição para de­finir o que seria bom para eles e para a cidade. Conheço a HafenCity e é um espaço impressionante da segunda maior cidade da Alemanha, com seus edifícios residenciais, comerciais e suas alamedas largas, que abri­gam equipamentos sociais para os habitantes, presidido pelo imponente edifício da Ópera com seu telhado imitando o movimento das ondas do mar, ponto de bares, restaurantes e comercio sofisticado.

Lembro que a cidade sempre foi pensada como local de segu­rança, educação, abastecimento, lazer, cultura. Salvo as modernas cidades que foram construídas do nada, obedecendo a um plano predefinido, os conglomerados urbanos surgiram em torno da praça do mercado e foram crescendo de maneira desordenada, geralmente às margens de um curso d’água, sendo que as forças sociais e de mer­cado foram indicando os setores onde cada classe social moraria. Portanto, é muito difícil interferir num desenho já existente.

A remodelação de Paris, com a construção dos bulevares do Barão Hausmann e a renovação urbana do Rio de Janeiro, feita pelo prefeito Pereira Passos, são exemplos de intervenções que podem beneficiar as cidades, embora a um alto custo financeiro e de remoção de antigos moradores. As obras conduzidas pelo Prefeito Nogueira, dotando a cidade de viadutos, novas avenidas, espaços exclusivos para ônibus e ciclovias inserem-se nesta modernização que visa a dar maior conforto aos seus habitantes.

Na nossa cidade, o Instituto Ribeirão 2030 vem desenvolvendo grandes pesquisas e trabalhos, visando a sugerir ao tripé poder pú­blico- poder econômico-poder social benefícios para os moradores e oferta de novos sistemas de atendimento médico, escolar, cultural e de lazer. Meritório trabalho que merece o apoio de todos nós. Afinal, a cidade só será melhor se nós, seus habitantes formos a força social de suas transformações.

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