A educação básica precisa de pontes

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O conhecimento é a principal arma de dominação que o ser humano usa para subjugar outro ser humano. Na Grécia antiga, os filósofos eram os detentores dos saberes e conhe­cimentos, mas estes conhecimentos só eram compartilhados com poucos privilegiados, que eram seus discípulos. No entanto o respeito às tradições que o poder político impingia estes conhecimentos só eram ensinados aos filhos das classes mais abastadas, que iriam comandar no futuro os negócios da família, e serem governantes.

A divisão social em classes, com o formato de pirâmide foi a grande sacada, pois a divisão dos bens e conhecimentos foram instituídas de cima para baixo, com faixas distribuídas de maneira em que os ricos e poderosos ocupassem o topo, e o restante da população foram ajeitadas escalonadamente conforme suas posses, cabendo aos sem posses e desvalidos se conformar com a base da pirâmide, e ser o alicerce que sustenta a edificação.

A construção do sistema educacional no Brasil, sempre se preocupou em traçar uma linha bem definida, mostrando o limite que deve haver entre a base e o topo no compartilha­mento dos conhecimentos, e essa divisão desigual foi sendo aperfeiçoada ao longo do tempo pelo topo da pirâmide, que sabe de cátedra que o conhecimento liberta, e como são de­fensores contumazes do tradicionalismo e do atraso, não per­mite que a base adquira os conhecimentos, pois afinal é essa base que carrega sobre os seus ombros o peso desta pirâmide.

A apropriação dos conhecimentos vai libertar dos gri­lhões essa multidão acostumada ao sim senhor, não senhor, e pontes seriam construídas, com todos podendo transitar por caminhos antes intransitáveis, no entanto essas diferenças a cada década que passa fica mais visível e as pequenas pontes que foram construídas com muitas dificuldades estão sendo colocadas no chão, e o abismo cada vez mais abismal.

Tudo é proposital, é política de Estado. Os governantes brasileiros ao longo da República sempre representaram os interesses do topo da pirâmide, desprezando a base, que só se torna visível em tempos eleitorais, pois é nessa época, e só nesta época, que descobrem que cada pessoa vale um voto, estando ela de qualquer posição na pirâmide.

A autonomia e a cidadania se formam nas primeiras fases da educação básica, pois se até o nono ano do ensino funda­mental o educando não tiver com a sua consciência cidadã encaminha, faltando apenas pequenas lapidações, não vai ser no ensino médio, e nem na graduação que vai aprender a ser um cidadão.

A afirmação de que o ensino privado na educação bási­ca é mais eficiente e de melhor qualidade, não define bem a realidade. Apesar do abismo de conteúdos que há na educa­ção básica entre escolas públicas e privadas,a formação da cidadania acontece mais em escolas públicas. A preocupação exacerbada com o individualismo e o conteudismo das redes privadas abrem caminhos para que se formem a elite política que domina o País desde de sempre. Cadê essa qualidade tão propalada, que não consegue formar nenhum estadista? São as mesmas velhas ideias, que formam novos velhos políticos.

A educação básica precisa de pontes!

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