A herdabilidade dos comportamentos humanos complexos (5)

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Uma maneira de decompor o papel da natureza e da criação, em conjun­to, seria encontrar parentescos que compartilham a ge­nética e não a cria­ção, a fim de testar o papel da genética. Adoção é um expe­rimento social que permite alcançar este propósito. Em outras palavras, po­demos ver quão similares são as crianças aos seus pais biológicos ou genéticos quando elas são adotadas logo após o nascimento. Esses pais compartilham a genética, mas não a criação, com suas crianças. Se for a natureza que mais pesa na transmissão familiar de algum traço em particular, as crianças adotadas se assemelhariam a seus pais genéticos, e não aos seus pais adotivos.

Estudos de adoção também fornecem um teste direto da criação ou ambiência. Se a criação é transmitida dentro das famílias, as crianças ado­tadas se assemelhariam a seus pais adotivos, que são seus pais ambien­tais. Tal como os pais que criam a genética das crianças, os pais adotivos fornecem um ambiente familiar às crianças, neste incluindo os alimentos que eles comem e os estilos de vida saudáveis e não saudáveis.

No caso de a ação ser um experimento social separando os efeitos da natureza e da criação, ao contrário, os estudos com gêmeos constituem um experimento biológico. Onde é possível verificar mais claramente a hereditariedade em ação? Nos gêmeos idênticos. Estes, originando-se do mesmo óvulo fertilizado, ou monozigótico, apresentam o mesmo DNA herdado, sendo chamados, na terminologia científica, de gêmeos monozi­góticos (MZ, na sigla em inglês).

O teste mais dramático da influência genética é estudar gêmeos monozi­góticos separados por adoção no início da vida. Eles compartilham a genética completamente, mas não a criação no todo. De modo que, sua similaridade é um teste direto da influência genética. Empregar o método de comparação en­tre gêmeos monozigóticos e dizigóticos é uma maneira robusta de investigar a contribuição da hereditariedade e dos ambientes na variabilidade dos traços humanos. Deste modo, podendo decompor, e ponderar, o peso do genótipo e dos fenótipos na estabilidade e na mudança de diferentes traços humanos complexos, incluindo inteligência, bem-estar subjetivo, criatividade, ansieda­de, interesses, percepção de dor em suas variadas condições clínicas.

No caso da dor, estudos com gêmeos têm se mostrado método válido para estimar a herdabilidade dos fenótipos e para examinar as relações genéticas e ambientais entre fenótipos de dor. Ademais, alguns estudos com gêmeos, no domínio da dor, estão se tornando populares para investigar os fatores de risco de diferentes condições clínicas dolorosas por considerarem o fator genético e permitir estimativas mais precisas dos riscos.

Estudo recente conduziu uma revisão sistemática de estudos de dor envolvendo gêmeos, incluindo tanto fenótipos da dor experimental quanto da dor clínica. Para tanto, 56 artigos foram incluídos, dos quais 52 analisaram fenótipos clínicos. Entre aqueles que mais amplamente estudaram os fenótipos de forma compreensiva, os dados disponíveis indicaram uma herdabilidade de, aproximadamente, 50% para migrânea, dor de cabeça tipo tensional e dor crônica, e ao redor de 35% para dor nas costas e no pescoço, bem como, de 25% para Síndrome do Intestino Irritável.

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