A origem de nossos problemas políticos (parte II)

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Em abril de 1964, com o golpe militar, o poder do país voltou para a mãos das elites reacionárias que eram contra o estabelecimento das re­formas de base elaboradas por João Goulart (Jango), mas que, mais tarde, inspiraram a constituição de 1988. Para as elites reacionárias as reformas de Jango representavam um pesadelo, pois estas reformas reforçavam ain­da mais a ideologia de intervenção em setores estratégicos como a questão fundiária e dos serviços essenciais como educação e saúde.

Setores dos quais as elites não estavam a fim de abrir mão em prol do interesse coletivo. Na época a estratégia publicitária para que a sociedade aceitasse o golpe militar foi estigmatizar todos os progressistas sociais de “Comunistas”, no entanto políticos como Jango, Brizola e até Kubitschek não eram marxistas e sim sociais democratas trabalhistas (vertente políti­ca inglesa), que no Brasil foi teorizada por Alberto Pasqualini e Santiago Dantas, algo compreendido como bem diferente do comunismo marxista pra quem estudou literatura política, sob essa vertente as classes trabalha­doras das nações capitalistas desenvolvidas da Europa alçaram o status que ocupam hoje, ou seja, algo socialmente muito melhor do que temos aqui.

Com o golpe de 1964 iniciou-se então um novo ciclo de administração pública. Neste período da segunda metade da década de 1960, passando por todos os governos militares, pela redemocratização em 1985 (retoma­da dos Presidentes Civis) até os dias atuais podemos assim dizer. Houve a partir de então um aparelhamento e uma apropriação do Estado por organismos privados e para o interesse dos mesmos.

Nesta conjuntura empresas do setor de construção civil e instituições financeiras assumiram um protagonismo tal a ponto de ditar os rumos do país e financiar diretamente os políticos que deveriam ser eleitos e reeleitos pela sociedade. Nas eleições de 2014, por exemplo, as emprei­teiras processadas na Operação Lava Jato financiaram parcialmente a campanha de 28 dos 32 partidos políticos, sendo agentes ativos na eleição de TODOS os governadores de Estado e doando mais de R$ 109 milhões para as campanhas dos candidatos à presidência que chegaram ao 2º turno (Dilma e Aécio).

Mesmo com a proibição de financiamento de campanhas por parte de empresas (pessoas jurídicas), e mesmo após a deflagração da “Operação Lava Jato”, empresários que vivem de contratos superfaturados e licitações fraudulentas, continuaram financiando as campanhas de seus agentes políticos, mas agora por meio de CPF, inclusive de laranjas.

Em 2016, Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, entregou ao Ministro do STF, Gilmar Mendes, um “pen drive” com uma lista de CPF´s de pessoas (laranjas) que recebiam Bolsa Família e que estavam listados como financiadores de campanhas eleitorais em prestações de campanhas encaminhadas ao TSE. Obviamente isso denota a continuação do hábito de financiar políticos para manter o sistema de usurpação de Prefeituras, Estados e do Governo Federal.

A sociedade por sua vez, e por não ter acesso a um sistema de educação pública que favorece a construção do conhecimento, e a interpretação da ação desses agentes corruptos, involuntariamente e de forma inconsciente, continua mantendo no poder políticos que são eleitos e reeleitos com aporte financeiro de empresários corruptos. O grande problema é que o “povo vota sistematicamente em políticos que fazem campanhas milionárias”.

Desta forma eleição após eleição nós temos mais do mesmo. Não importa os nomes, a estrutura de corrupção é mantida justamente por aqueles que mais reclamam, mas que estão muitas vezes inaptos a reconhecerem as características de seus espoliadores, a saber, os políticos corruptos. Só existe uma forma de romper esse ciclo, a sociedade precisa tomar consciência deste problema, começar a analisar a vida pregressa dos candidatos, suas aptidões técnicas, seu conhecimento literário e prático das questões públicas.

Parar de votar em políticos de condições técnicas e morais tão questionáveis como; Lula, Dilma, Bolsonaro entre outros aventureiros é altamente recomendável. E por fim, o povo precisa parar imediatamente de votar em políticos que fazem campanhas milionárias, pois todos os políticos que fazem campanhas milionárias, “sem exceção”, fazem com dinheiro de corrupção.

Havendo esse despertar certamente teremos a predominância de agen­tes políticos que irão produzir soluções ao invés de problemas sociais.

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