FL PITON-CCS

“Fazer o bem sem olhar a quem e não esperar nada em troca é uma maneira de encon­trar a felicidade”. A autoria da frase acima é desconhecida, mas é muito difundida, seja inteira ou em partes. Mais que propaga­da, o teor é colocado em prática com muita frequência.

Em tragédias, como a recen­te, ocorrida em Brumadinho, podemos notar muitas pessoas em mobilizações humanitárias, querendo ajudar de alguma ma­neira. Mas no dia a dia há mui­tos casos de voluntariados, em simples gestos e ações, mas que são significativas.

Vi o sofrimento e fui pra Brumadinho
O representante comercial Alex Sandro da Silva, há vinte anos faz trabalhos voluntários, de vários tipos. “Eu sempre faço. A gente faz um traba­lho de motivação nas igrejas e ajuda nas comunidades mais carentes. Também auxiliamos as pessoas que chegam a Ribei­rão Preto, querem voltar e não conseguem. Participo de traba­lho na região central da cidade, próximo ao Mercadão, com a entrega de marmitas para quem tem fome”, diz.

Alex fala que outro traba­lho importante é o de visitar pessoas em casa de internação e hospitais. Segundo ele, essas visitas são importantes para os dois lados, para quem recebem e quem faz.

Sobre a tragédia de Bruma­dinho, Alex disse que acom­panhou as primeiras informa­ções pelos noticiários. “Vi o sofrimento na TV e na mídia. Como temos experiência em voluntariado, fui pra lá e voltei nesta semana. Em muitos casos a pessoa quer um abraço e ou­vir palavra amiga”, conta.

Quais as motivações em fazer trabalho voluntário?
Mas por que as pessoas ajudam? A psicóloga Darie­ne Castellucci, explica que as ações voluntárias estão relacio­nadas à história individual das pessoas, aliado aos princípios, valores e experiências de vida, “as quais despertam o desejo de contribuir de alguma forma com o outro”.

De maneira coletiva, Da­riene diz que as “ações sociais trazem consigo o sentido de es­piritualidade em sua compreen­são ampla de disponibilizar seus recursos internos e externos em prol de uma causa”, diz. “Além do que, as ações voluntárias são oportunidades de aprendizado mútuo de quem realiza o traba­lho e dos beneficiados das ações, são possibilidades de conhecer contextos diferentes e, deste modo, nos possibilitam exer­citar a empatia e a caridade em detrimento dos julgamentos e preconceitos que nos permeiam diariamente”, finaliza.

As ações na igreja
Ações de voluntariados são constantes em comunidades cristãs. A igreja evangélica Bola de Neve, de Ribeirão Preto, é uma delas, com trabalhos exter­nos e de orientações de seus fiéis em várias frentes.

O pastor Pablo D´Ambrósio ressalta que, em muitos casos, a pessoa fica em dúvida e se per­gunta se deve ou não participar de ações, mas que o papel da igreja é incentivar.

“Vemos que o voluntaria­do envolve muitas coisas, o de­ver cívico nas pessoas gera este questionamento dentro delas. O ser humano por sua natureza enfrenta este questionamento dentro dele, devo ou não devo ajudar ao meu próximo? Uma guerra é travada no interior de cada ser humano, será que devo ajudar? Mas o que eu ganho em troca por isso é uma pergunta que vem automaticamente à cabeça… alguns a administram com maturidade e entendem que o resultado final propor­ciona pagamento que não tem preço, mas sim valor. E no meu caso, envolvido com a Igreja de Cristo, estou com pessoas que possuem o mesmo ques­tionamento daqueles que não frequentam uma reunião em qualquer igreja, porém a fé que possuímos, e o manual de vida que nos move, nos faz compre­ender que temos dois grandes mandamentos a seguir: Amar a Deus acima de todas as coisas e ao nosso próximo, como a nós mesmo… logo a luta contra o nosso egoísmo, individualismo é travada”, prega o pastor da Bola de Neve, Pablo D’Ambrósio.

As pessoas aguardam as ações
Glaumir Muraca é assistente administrativo no Lar Padre Eu­clides, entidade centenária em Ribeirão Preto que hoje abriga 44 idosos. Ele vive o Lar no dia a dia e acredita que os ânimos e a disposição dos idosos mudam com as ações voluntárias.

“Aqui nós recebemos e esta­mos abertos para várias ações voluntárias. Vão desde café da manhã, aniversários, bailes, bingos e as visitas. Todas são muito importantes e na prática a gente percebe que muita coisa melhora após essas ações. Eles ficam esperando algumas que têm dias fixos, como as visitas de estudantes ou o bingo de sexta-feira”, explica.

O próprio Glaumir vo­luntariamente incentiva os idosos. “Tem quem gosta de postar as fotos na internet e eu ajudo e faço algumas mon­tagens divertidas. Tem uma senhora aqui que me pede sempre e ela bomba na inter­net. Essa aproximação é muito positiva”, detalha Glaumir.

O central Petrus, do Vôlei Ribeirão, sentiu essa experiên­cia na pele. A equipe que faz parte de um projeto social – to­dos os ingressos são trocados por produtos ou alimentos des­tinados a entidades assistenciais e ao Fundo Social de Solida­riedade -, também visita insti­tuições. Em uma dessas visitas, no Lar Padre Euclides, Petrus, o melhor bloqueador da Superli­ga, passou uma manhã com os idosos. “Foi uma experiência incrível. A gente aprende muito com essas pessoas que têm his­tórias fantásticas. Saímos uma pessoa melhor do que quan­do entramos. Eu acredito que todos nós devemos dar mais atenção e dedicar um tempinho em ouvir ou ajudar as pessoas”, finalizou o jogador.

‘Vou fazer isso até o último dia da minha vida’
Aos 76 anos, o advogado Belarmino Gregório Santana, possui vitalidade de vinte e poucos anos. Além de advogar, Belarmino realiza cerca de 10 apresentações, cantando e tocando violão em casas de repousos.

“Faria vinte ou mais apresentações se eu tivesse mais tempo. É gratificante”, diz. “Encontramos pessoas que estão tristes, pois perderam ou não têm contato com os familiares. Esses momentos são importantes para eles e para nós”, completa.

Belarmino conta que começou essas ações em um asilo, em sua cidade natal, Tambaú, e depois que mudou para Ribeirão, foi convidado por uma pessoa conhecida. Fez uma e hoje tem uma agenda cheia, tudo de forma voluntária.

“Pra mim é muito prazeroso. Tenho como lema: Amor a Deus e amor ao próximo. Vou fazer isso até o último dia da minha vida”, finaliza.

Visitas semanais – O bancário Ademir Barreto e o engenheiro Ricardo Gotardo também realizam visitam frequentes. Todos os sábados eles visitam uma casa de repouso da cidade. “Eu procuro levar a palavra de Deus. A gente faz um bate papo sobre o Evangelho e depois conversamos sobre outros assuntos.


Sempre finaliza­mos com algumas partidas divertidas de dominó”, diz Gotardo. “Eles nos esperam e a gente espera o final de semana para ir lá. Me sinto muito bem, tanto é que minha festinha de aniversá­rio, ano passado, foi lá. Não teve presente melhor do que receber esse carinho”, finaliza Barreto.

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