Administração plural e abrangente

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Duarte Nogueira *
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No final da década de 1990, em uma visita a Ribeirão Preto, o então governador Mário Covas, de saudosa memória, autorizou a conclusão das obras do que era chamado à época de prolongamento da avenida Francisco Junqueira e que resultaram na implantação das avenidas Maurílio Biagi e Celso Charuri. A continuidade das obras foi objeto de forte reivindicação de políticos da cidade, entre os quais me incluía. O anúncio ocorreu no recinto da Agrishow, com uma visita do governador ao local da continuidade das obras, nas proximidades da rodovia Antonio Machado de Sant’Anna.
Logo após o “sim” do governador, alguém perguntou a ele se então podia divulgar a boa notícia para a cidade. Ele respondeu que sim, mas que a divulgação deveria ser feita com parcimônia, porque o estado de São Paulo tem 645 municípios. Foi um recado pra dizer que outras regiões do Estado também recebiam obras, mas talvez não tão grandes e com ampla visibilidade como o “prolongamento da Francisco Junqueira”, para ligar a importante rodovia Anhanguera ao Centro de Ribeirão Preto por uma via rápida, com maior facilidade de acesso.
Lembro esta história – uma verdadeira lição – para dizer que as administrações públicas devem ser para todos os cidadãos, de forma plural e abrangente, com destinação de recursos e esforços a todos os segmentos da sociedade. Temos feito desta forma com planejamento e olhos voltados para toda a cidade, sem distinção. É claro que não é possível fazer tudo ao mesmo tempo e na velocidade que gostaríamos. Governar é escolher. Por isso sempre haverá pessoas a dizer que enquanto acontece “X” a prefeitura se preocupa com “Y”. Na verdade, o “X” está no planejamento e ainda não foi possível executar, e terá também a sua hora.
Este foi um dos motivos da adoção, desde o início de nossa gestão, dos cinco “Pês”. O primeiro deles faz esta distinção de ordem de execução, que é o “priorizar”. Se não é possível fazer tudo simultaneamente, que escolhamos quais são as prioridades, as ações mais prementes. Definido o que é prioritário, vamos ao segundo “P”, que é o planejamento. Como, em quais situações, em quanto tempo e com quais recursos vamos executar. Priorizado e planejado, chegamos ao terceiro “P”, que é o propagar, porque as pessoas têm o direito de saber o que está sendo feito e o que está programado para acontecer.
Com as três etapas cumpridas, é hora de persistir. Trabalhar firme e sem descanso até concluir o que foi priorizado, planejado e propagado. Terminada a execução é preciso perenizar, com regras e normas, para que o trabalho permaneça, que não seja esquecido e nem cessem seus benefícios. E todo o nosso governo pratica os cinco “Pês” como forma de equilibrar as demandas com as possibilidades de realização, assim como para compatibilizar o tempo com a disponibilidade de recursos a serem utilizados.
Agindo assim, o governo não privilegia setores e nem deixa de realizar atividades importantes para a vida das pessoas, mas prioriza e planeja antes de qualquer atitude. Justamente para executar primeiro o que é mais necessário. Sem tirar do alcance dos olhos as outras ações, que podem esperar um pouco, mas que não podem, de forma alguma, ser deixadas de lado.
Por isso as ações da prefeitura são praticadas e percebidas em todos os setores. Há algumas com maior visibilidade por suas próprias configurações e facilidade de percepção pelas pessoas, como as obras de mobilidade urbana, construção e reforma de unidades escolares, atendimento na saúde entre outras. As demais são também realizadas e percebidas, com a importância que elas têm no universo que representam. Sem deixar ninguém para trás.

* Prefeito de Ribeirão Preto 

 

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