FOTO: PREFEITURA DE RIBEIRÃO PRETO

Durante a abertura da Aviatrade, primeira feira de fabricantes de aeronaves mo­nomotor, realizada nesta terça­-feira, dia 22 de setembro, em Jundiaí (SP), o prefeito Duarte Nogueira (PSDB) anunciou que o Aeroporto Estadual Doutor Leite Lopes irá assinar contrato de compensação de carbono (carbon offset) com a distribuidora de combustíveis de aviação Air BP.

Com foco na sustentabili­dade, as emissões de carbono de todos os combustíveis de aviação usados no Leite Lopes serão compensadas por proje­tos globais que financiam a uti­lização de energias renováveis, soluções de baixo carbono e proteção das florestas. “O ae­roporto de Ribeirão Preto será o segundo da América Latina [Jundiaí será o primeiro] a ter o programa de compensação de carbono”, diz o tucano.

O presidente da Air BP, Ricardo Paganini, destaca que o projeto começa por Jundiaí e que será estendido ao Leite Lopes. “Todas as emissões de CO² geradas pelas aeronaves abastecidas no aeroporto Leite Lopes serão neutralizadas com emissão de crédito de carbo­no, que será desenvolvido com projetos sustentáveis aqui no Brasil”, explica.

O consórcio Voa-SP, for­mado pelas empresas Voa NW e Voa SE e que venceu o leilão para administrar o Aeroporto Leite Lopes pelos próximos 30 anos, deve assu­mir a gestão do equipamento em novembro. O certame foi realizado em 15 de julho, na sede da B3, na Bolsa de Va­lores do Brasil, em São Paulo.

O contrato do Estado com a concessionária deve estar assinado em até 90 dias e os investimentos começarão logo após a conclusão do pla­no de transição operacional. A obra contemplará a am­pliação do terminal de pas­sageiros, que passará de 500 passageiros por hora durante o horário de pico para 785.

O projeto prevê ainda a expansão em dois mil metros quadrados da área útil. A am­pliação permitirá movimentar mais de dois milhões de usu­ários ao ano. A empresa ainda será responsável por recapear, iluminar e fazer a repintura da pista principal, área de taxia­mento e pátio, adequação de segurança, Papi (sistema de aproximação visual) e sinali­zações horizontais e verticais.

O Leite Lopes era um dos 22 aeroportos regionais admi­nistrados pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) – autarquia vinculada à Secretaria de Lo­gística e Transportes. O leilão dos aeródromos foi dividido em dois blocos – Noroeste e Sudeste. Ribeirão Preto esta­va no Grupo Sudeste, com­posto por mais dez unidades: Bauru-Arealva, Marília, Ara­raquara, São Carlos, Soroca­ba, Franca, Guaratinguetá, Avaré-Arandu, Registro e São Manuel. O consórcio vai pagar R$ 14.737.486,00 para assumir a gestão do Leite Lopes e dos outros aeródromos.

A concessão do Aeropor­to Leite Lopes deverá resul­tar em investimento de R$ 130.282.812,00. O edital para concessão dos onze aeroportos do Grupo Sudeste prevê um total de R$ 266.579.190,00. Ou seja, 48,9% dos recursos serão aplicados no de Ri­beirão Preto. O terminal de passageiros, por exemplo, deverá receber em um prazo de 20 anos um total de R$ 88.130.434,00. O investimen­to foi dividido em biênios.

Outros setores do Leite Lopes também receberão in­vestimentos. Entre as obras previstas estão o recapeamen­to, iluminação e repintura da pista de pouso, no valor de R$ 20.276,645,00, estacionamento de veículos (R$ 8.810.986,00) e medidas contra o ruído aero­náutico (R$ 3.217.625,00).

A concessão à gestão da iniciativa privada prevê a prestação dos serviços públi­cos de operação, manutenção, exploração e ampliação da infraestrutura aeroportuária estadual. A Agência de Trans­porte do Estado de São Paulo (Artesp) passa agora a ser re­guladora do setor. O contrato prevê modelo de remuneração tarifária e não tarifária.

A previsão é de mais de R$ 447 milhões em investimento por parte da iniciativa privada somando os 22 aeródromos. Com ágio de 11,14 % sobre a outorga mínima, o Consórcio Aeroportos Paulista apresen­tou a oferta vencedora de R$ 7,6 milhões pela concessão do lote Noroeste de aeroportos do interior. Já para o lote Sudeste, o vencedor foi o Consórcio Voa NW e Voa SE, a partir da proposta de R$ 14,7 milhões, equivalente a ágio de 11,5% so­bre a outorga mínima.