Alckmin vira réu por propina e caixa dois

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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) virou réu nesta quinta-feira, 30 de julho, por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral (caixa dois) após o juiz Marco Antonio Martin Vargas aceitar denuncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral no dia 23. Com a decisão, o tucano passa a responder a ação penal eleitoral por suposto caixa dois de R$ 11,9 milhões pagos pela Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014.

A decisão também coloca no banco dos réus o então tesoureiro da campanha de Alckmin em 2014, Marcos Monteiro, e o ex-assessor do governo Sebastião Eduardo Alves de Castro. Ambos teriam recebido os repasses ilegais da empreiteira em nome do tucano. De acordo com o juiz eleitoral, o Ministério Público Eleitoral apresentou indícios suficientes de materialidade dos crimes supostamente cometidos pelo tucano.

O cunhado do ex-governador, Adhemar Ribeiro, o “Belém” do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, teria recebido R$ 2 milhões em 2010, mas o Ministério Público apontou que os crimes já prescre­veram. O magistrado também autorizou o compartilhamento dos autos da ação contra o tucano com a 9ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social de São Paulo, que move ação de improbidade admi­nistrativa contra Alckmin pelo mesmo episódio. A defesa do ex-gover­nador poderá apresentar defesa nos autos em até dez dias.

De acordo com o Ministério Público Eleitoral, Alckmin recebeu R$ 2 mi­lhões da Odebrecht em 2010 e R$ 9,3 milhões em 2014, quando disputou e se reelegeu governador de São Paulo. Uma semana antes da denúncia, a Polícia Federal indiciou o tucano no caso. Os repasses foram feitos em onze parcelas, totalizando R$ 9,3 milhões. Os citados sempre negaram a prática de crimes. A defesa de Alckmin diz que, agora, terá a oportunidade de se defender. O PSDB declarou apoio total ao ex-governador.

Serra – O juiz Diego Paes Moreira, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, suspendeu, nesta quinta-feira, 30 de julho, a ação por lavagem de dinheiro contra o senador José Serra (PSDB-SP). A decisão foi tomada após o magistrado ser notificado de que o presidente do Su­premo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, travou as investigações da Justiça Federal contra o tucano.

Os procuradores apontam que Serra solicitou o pagamento de propina de R$ 4,5 milhões da Odebrecht e indicou que gostaria de receber o montante no exterior, por meio de offshore da José Amaro Ramos. A empreiteira efetivou a solicitação do tucano e realizou, en­tre 2006 e 2007, “numeras transferências” no total de 1.564.891,78 euros para a empresa do operador.

Do total, 936 mil euros chegaram à Dortmund International Inc., offshore que, segundo a Lava Jato, era controlada por Verônica Serra. Os acusados negam a prática de crimes. A força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo classificou como”’indevida” a suspensão da ação penal que colocou o senador no banco dos réus por lavagem de propinas da Odebrecht.