ALFREDO RISK

João Camargo

Nas últimas semanas, enti­dades e grupos voltados para a causa animal se uniram para cobrar o poder público po­líticas públicas em relação à saúde pública e ao bem-estar. Por meio das redes sociais, essas organizações fizeram a publicação de um manifesto, abordando um possível cres­cimento populacional desen­freado de cães e gatos em Ri­beirão Preto.

De acordo com esse texto publicado por pelo menos 11 grupos de proteção animal, muita coisa se agravou na ci­dade por falta de políticas pú­blicas voltadas para essa causa. “Por mais que a sociedade se mobilize, não é possível sanar um problema tão grave sem a iniciativa do poder público, que tem o dever de zelar por todos, inclusive pelos animais”, informou trecho do manifesto.

A publicação ressalta ainda que o crescimento populacional desenfreado desses animais cau­sa uma série de transtornos nos centros urbanos. Entre estes, são citados o risco de transmissão de doenças, acidentes de mor­dedura e de trânsito, sujeira, ruí­dos, possíveis conflitos nas vizi­nhanças, além de desequilíbrio na vida silvestre.

A publicação feita pelos grupos ressalta que o crescimento populacional desenfreado desses animais causa uma série de transtornos nos centros urbanos

“Ribeirão Preto tem uma história pujante no cenário nacional, porém com uma atu­ação insignificante para lidar com os graves problemas so­ciais que acometem a cidade. Em relação aos problemas re­lacionados aos animais, muita coisa agravou-se, justamente pela falta de políticas públicas, bem como pelo desinteresse dos políticos”, diz outro trecho do manifesto.

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se, com base nos dados censitários, que a popu­lação de cães e felinos pode variar de 10 a 20% da popula­ção humana do município. Em Ribeirão Preto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geo­grafia e Estatística (IBGE), a população estimada (2020) da cidade é de 711.825 habitantes.

Para Maria Cristina Dias, Cris Dias, representante da As­sociação Vida Animal (AVA) e atual presidente do Conselho Municipal de Bem-estar Ani­mal, o objetivo dessas ações é unir as pessoas e fortalecer a causa. Ela ressalta ainda que agora é a hora para se encami­nhar para coisas sérias, como políticas públicas e bom uso do dinheiro público.

Segundo o Ministério da Saúde, estima-se, com base nos dados censitários, que a população de cães e felinos pode variar de 10 a 20% da população humana do município

Cris Dias ainda completa dizendo que o próximo pas­so dessas ações é a criação de um grupo que será chamado “Grito Pelos Animais”, que será divulgado por meio das entidades que estão trabalhan­do juntas. “Isso será feito para que as pessoas tenham acesso, se informem sobre a realidade dos fatos, comecem a se movi­mentar e a nos ajudar a mudar essa realidade que não faz bem para ninguém”. disse.

Outro lado
Questionada pelo Tribuna, a Divisão de Bem Estar Animal (DBEA) informou que atual­mente atende 115 cães e 40 ga­tos, ou seja, quando questiona­da tinha 155 animais no setor em atendimento. Além disso, comunicou que faz a castração gratuita de animais comunitá­rios, o recolhimento temporário de animais abandonados em situação de risco — existindo programa específico para feli­nos, denominado CED (Cap­turar, Esterilizar e Devolver) —, resultando na diminuição da população de animais em locais específicos de abandono.

Contudo, ressaltou que as estruturas de atendimento são insuficientes para a demanda. O DBEA declarou ainda que tem suas atribuições estipu­ladas na Lei Complementar Municipal nº 3062/21, como órgão de implementação de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal, atuando como órgão de apoio às ocor­rências, prestando avaliação da saúde física dos animais em si­tuação de risco, seja por aban­dono ou maus-tratos.

Disse também que promo­ve “de forma gratuita o traba­lho de castração, vacinação e implantação de microchip nes­ses animais, efetuando diligên­cias para acompanhamento da demanda até sua finalização, objetivando a adequação da situação do animal no seu lar de seu tutor de origem ou a sua recondução para adoção, quando se fizer necessário, dentro da legalidade que a si­tuação exige.”

Abandono de animais
Recentemente, um cachor­ro foi encontrado em uma caçamba de lixo no Jardim Marchesi, na zona Oeste de Ribeirão Preto, pela proteto­ra Cristina Rocha Mercante. Nomeado Vitório, o animal foi resgatado e encaminhado até uma clínica veterinária, na qual deu entrada com quadro de anorexia, hipoglicemia, hi­potermia e hipotensão.

Além disso, o cachorro apresentava feridas por todo o corpo e presença de carrapatos. De acordo com outra proteto­ra que auxiliou no resgate do animal, Jacira Maria da Con­ceição, estão sendo solicitadas ajudas e doações, pois o custo para manter o tratamento de Vitório é alto. “O tratamen­to dele vai ser longo. Estamos conseguindo mantê-lo lá por meio de doações”, disse.
Quem puder auxiliar no tratamento do animal, as ins­truções podem ser obtidas pe­los telefones (16) 99164-3306 ou (16) 99189-3133.

Quem puder auxiliar no tratamento de Vitório, as instruções podem ser obtidas pelo telefone (16) 99189-3133

Jacira também ajudou na escolha do nome do cachorro que, segundo ela, não poderia ser outro. “Não poderíamos dar outro nome para ele, afinal, ele é um guerreiro. Ele estava quase morto. Para mim, ver ele do jeito que está hoje é um milagre”, ressaltou a protetora.

Hospital veterinário
No mês de maio, o governador João Doria (PSDB) anunciou que Ribeirão Preto terá um hospital veterinário, por meio do programa “Meu Pet”. Inédito no Estado de São Paulo, o projeto tem o objetivo de oferecer apoio a ações e serviços voltados à defesa e à saúde dos animais domésticos.

A clínica será construída com uma estrutura média de 480 metros quadrados e contará com salas cirúrgicas e equipamentos, com serviços gratuitos para cães e gatos, como consultas veterinárias, cirurgias e exames de ultrassom, raio-X e endoscopia, incluindo vacinação, castração e adoção responsável.

No entanto, a administração municipal informou que a cidade está em fase inicial de tratativas com o governo do Estado de São Paulo, procedendo os estudos técnicos necessários para a adequada esco­lha do local de implantação, que se dará em área pública municipal, levando em consideração a facilidade de acesso para a população entre outros fatores de viabilidade.