O escritor paulista Edson Veiga acaba de lançar um livro onde conta a história e as estórias de Santo Antônio de Pádua, destacando que a devoção a ele é enorme em Portugal e no Brasil.
Fernando Martins de Bulhões e Taveira de Azevedo nasceu em Lisboa, quando a cidade ainda não era capital do novo Reino. Filho de família abastada, com ascendência nobre, desde os primeiros anos assistia, com a família, à missa no Convento de São Vicente, numa das colinas da cidade. O jovem se encantava com a cerimônia, com os trajes dos monges, com o rito católico, despertando nele a vocação para a vida religiosa.

A família opunha-se a essa inclinação, pois queria vê-lo cavalheiro e bem casado, para dar continuidade à história famíliar. Mas, não tiveram sucesso, pois aos 15 anos, Fernando recolheu-se ao Convento de São Vicente. Ali, depois de receber os votos, intensificou seus estudos. Mas, a proximidade da cidade permitia a visita dos seus pais e de seus jovens amigos, tirando-lhe a concentração que buscava.

Assim, depois de várias tratativas, conseguiu ser enviado para o Mosteiro da Ordem em Coimbra, então a capital do país, onde dedi­ca-se de corpo e alma aos estudos , tornando-se intelectual respeitado pelos companheiros, que vêm nele um profundo conhecedor dos Evangelhos e de textos sacros. Lá, mantém contato com um grupo de peregrinos, liderados por alguns frades de uma ordem recém funda­da, a dos Franciscanos e fica fascinado com o propósito dos mesmos.

Vestidos com roupas rudes e remendadas, descalços, sem mora­da e vivendo da generosidade dos cidadãos, destinam seu tempo a ajudar os doentes e abandonados, notadamente os leprosos. Decide­-se, então, ingressar nesta ordem, pensando que já havia estudado e aprendido bastante e era hora de vivenciar estes aprendizados.

Para mostrar o abandono à vida anterior, muda de nome, adotando o de Antônio. Torna-se grande andarilho, dirige-se para o Marrocos, a fim de evangelizar os muçulmanos, mas cai vítima de doença que lhe retira as forças. Dá-se conta de que o Senhor queria que se estabelecesse num local fixo, para cumprir seu destino. Depois de muito andar, decide morar em Pádua, na Itália. A cidade é um grande centro, com sua Universidade fundada em 1222.

Ali desenvolve mais o seu dom de oratória, pregando sermões que atraiam tantas pessoas, que, várias vezes, tinham de ser feitos ao ar livre, em frente às igrejas. Seus milagres se multiplicam e ele começa a ser conhecido como O Santo. Atrai multidões que procuram tocar seu manto e passa a ser conhecido em toda a Europa.

Uma de suas cruzadas é a favor do casamento consensual, de livre escolha dos noivos, contrapondo-se ao costume medieval, que ainda duraria muitos anos, de que os pais escolherem os cônjuges de seus filhos. Aí talvez esteja a origem da fama de Antônio como o santo casamenteiro. Depois de pregar a humildade e contra a ostentação de alguns clérigos, morre em Pádua, no dia 13 de junho de 1231, aos 35 anos de idade. Tão grande é a narrativa de seus mila­gres, que, um ano após a morte, é canonizado pelo Papa Gregório IX. Seu corpo está sepultado na Basílica de Santo Antônio, em Pádua.

Apesar de sempre defender a paz e posicionar-se contra a violên­cia, Santo Antônio começou a ser invocado pelos soldados para pro­tegê-los nos conflitos armados portugueses. No século XVI era tão grande esta devoção, que o exército português na sede do Reino e na sua colônia americana, homenageiam-no com o posto de soldado, sendo seu soldo destinado aos franciscanos. O Santo fez brilhante carreira militar, galgando todos os postos. Em 1924, o Presidente Arthur Bernardes nomeou-o General de Exército, imediatamente colocando-o na reserva não remunerada.

Em 1951, a cidade de Igarassu, no litoral pernambucano, no­meou o Santo como Vereador Perpétuo.