O vocábulo “arquitetura” tem sua raiz na língua latina, onde “arqui” significava “aquele que comanda”, como se vê no vocábulo “arquidiocesano”, ou seja, o bispo que dirige as dioceses regionais. O sentido dado pelo português do Brasil confunde-se, até hoje, “arquitetura” com “engenharia”.

A linguagem definidora das profissões, especialmente aquelas juridicamente consideradas, vale-se do objeto do co­nhecimento de cada uma delas como elemento diferenciador. O objeto da ciência médica tem como objeto “curar”; o objeto da ciência da enfermagem é “cuidar”. O objeto das ciências jurídicas fixa-se na “solução de conflitos de interesses”. Há ainda possibilidade de alguma confusão.

Afirma-se que o objeto da arquitetura e do urbanismo refere-se à “ciência dos espaços abstratos”. Diferentemente do objeto da engenharia que tem como escopo principal a “ciên­cia do concreto”. Há a possibilidade de muita confusão.

Neste último domínio destaca-se que a arquitetura tem muito mais de “atividade artística” do que de ciência prática. Inversamente, a engenharia dedica-se muito mais ao conheci­mento científico do que à aplicação da arte. Há ainda reco­nhecida confusão.

Nos dias de hoje, a profissionalização dos arquitetos ganhou um grande destaque com os atos públicos destinados às obras de urbanização. As cidades são urbanizadas pelo esforço dos arqui­tetos. É impossível administrar a face urbana de uma comunida­de distante dos projetos da arquitetura. Tem-se registrado graves erros na administração urbana quando instalada em obras ou projetos criados distantes da arquitetura. E o que é pior, esses erros tendem à perpetuação. Pobres das comunidades que testemunham a instalação de obras públicas não definidas pelos projetos oriundos da ciência e da arte dos arquitetos.

Os temas ressuscitaram com o recente falecimento de dois históricos arquitetos brasileiros. Paulo Mendes da Rocha, for­mado pela Escola de Arquitetura do Mackenzie, deixou um legado extraordinário para a cidade de São Paulo, distinguido por prêmios internacionais.

Jaime Lerner, filho de família judia, formou-se na Univer­sidade do Paraná. Redesenhou a cidade de Curitiba da qual foi eleito prefeito por três vezes e governador do Paraná por duas vezes. Em 2002 também foi elevado para a presidência do Instituto Internacional de Arquitetura.

Oscar Niemeyer, arquiteto formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, converteu-se em marco da arquite­tura e da urbanização com o planejamento de seus projetos para a implantação de Brasília e de Belo Horizonte. Na região da Pampulha projetou a sua famosa capela com Portinari. Ainda em Belo Horizonte, Niemeyer há poucos anos projetou os prédios onde se encontra a administração pública. Tendo entrado em conflito com o governo militar, após 1964, execu­tou obras na Europa como no norte da África.

Merece lembrança a obra, extensa, do arquiteto Gaudi em Barcelona, que teve seu rosto redesenhado com traços góticos, orientais e modernos, transformando a cidade num verdadeiro museu. Suas obras são extensas e impossíveis de numerá-las neste espaço. No Paseo de Gracie construiu duas delas: a Casa Batlió, com forte inspiração oriental e a Casa Milá, um edifício moderníssimo, com conjuntos frontais um diferente do outro. Gaudí deixou inacabada a Igreja da Sagra­da Família: a sua face exterior aparentemente foi construída com porções de barro e o seu interior reflete a riquíssima inspiração da escola clássica dos templos católicos.

Sem a arte dos arquitetos e a ciência dos engenheiros, as nossas cidades encaminham-se para a destruição.