Por Guilherme Sobota

Há  50 anos, em Bethel – cidadezinha a 160 km de Nova York, nos Estados Unidos -, o mundo da música viveu o mais superlativo festival de todos os tempos: produzido para ganhar dinheiro, Woodstock começou a entrar para a História às 17h07 do dia 15 de agosto de 1969, quando Richie Havens subiu no palco e cumprimentou o mar interminável de pessoas voltadas para ele.

“Olá”, ele disse, primeiro. “Massa [groovy], massa, massa. Como vocês estão? Como vocês estão lá atrás?”. Havens foi convocado pelo produtor Michael Lang para acalmar o público, já impaciente com os atrasos. Os relatos dizem que o artista estava receoso, mas subiu no palco mesmo assim. Três horas depois, ele fez a versão de Freedom para encerrar a primeira apresentação do fim de semana.

Essa foi uma das performances mais memoráveis do festival – pelo menos é o que aponta o celebrado documentário Woodstock, de Michael Wadleigh, vencedor do Oscar em 1970.

Abaixo, selecionamos 10 das apresentações mais intensas, com os vídeos do filme, e no final da lista há uma enquete para o leitor escolher qual delas foi a mais emocionante.

Richie Havens, “Freedom”

A música foi criada ao vivo no palco do Woodstock depois de Havens tocar por praticamente três horas – ele estava escalado para um horário mais tarde, mas nenhum outro artista conseguiu chegar a tempo por conta das condições de acesso ao festival.

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Santana, “Soul Sacrifice”

Santana falou numa entrevista este mês para o New York Times que tomou mescalina antes da apresentação: “Eu tomava LSD e mescalina, tinha noção do tempo. Mas duas horas depois que eu tomei alguém me diz para subir ao palco imediatamente. Naquele momento eu estava realmente dentro da coisa, entende? Eu me apeguei a minha fé e ao que minha mãe me ensinou. Eu só tentava ficar no tom e no ritmo”.

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The Who, “My Generation”

O set do The Who – talvez a banda menos simpática do Woodstock – já havia sido interrompido por um ativista que pedia a liberação do poeta John Sinclair (do grupo Panteras Brancas, antirracista) Mas ao fim a banda apresentou uma versão especial do hino My Generation, e já há 50 anos Pete Townshend falava: “Estamos ficando velhos”.

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Jefferson Airplane, “Somebody to Love”

A cantora Grace Slick introduziu o set do Jefferson Airplane, as grandes estrelas do movimento hippie da Costa Oeste, como “morning maniac music”, já pelas 8h da manhã.

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Janis Joplin, “Ball and Chain”

A intensidade de Janis Joplin em qualquer palco é algo que ficou claro por qualquer vídeo ao vivo da cantora no Youtube. Essa apresentação no Woodstock, certamente, será lembrada ainda por muitas décadas. 

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Ten Years After, “I’m Going Home”

A lenda conta que Jimi Hendrix já estava presente durante o set do Ten Years After e teria comentado com alguém que ficou com inveja de como Alvin Lee (descanse em paz) tocava guitarra.

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b>Joe Cocker, “With a Little Help From My Friends”

Joe Cocker inventando o significado da palavra “intensidade” com uma versão de uma música inocente dos Beatles – uma das ausências do festival.

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Sly and the Family Stone, “I Want to Take You Higher”

O próprio Carlos Santana disse que o Sly and the Family Stone fez um dos melhores shows do festival (ao lado de Jimi Hendrix), e a apresentação é de fato um relato incontestável do tipo elevado de estrelas que esses caras professavam.

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Jimi Hendrix, “The Star-Spangled Banner”

Jimi Hendrix tocou na segunda-feira de manhã para uma plateia de 25 ou 30 mil pessoas (Gerald Thomas entre elas). A inspirada versão do hino nacional americano com sua guitarra inconfundível se tornou uma marca histórica contra a Guerra do Vietnã.

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Joan Baez, “Swing Low, Sweet Chariot”

Joan Baez era uma das artistas mais velhas do cartaz de Woodstock (28 anos à época), estava grávida de seis meses, o marido preso por ativismo e sua postura folk contrastava com os colegas claramente inclinados ao rock and roll. Mesmo assim, sua performance foi capaz de provocar arrepios (capacidade que sobreviveu 50 anos).

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