A Toscana é uma das mais belas regiões da Itália, com suas suaves colinas que se estendem longamente, com suas cores refletindo sua atividade agrícola e suas estradinhas ladeadas por ciprestes altos e elegantes. Seus vinhedos e seus olivais são conhecidos há muitos anos e seus vinhos considerados entre os melhores do mundo. Sua capital é Florença, o berço do Renascimento, cidade que respira arte e cultura em todos os seus cantos. Siena, com sua praça central, onde se realiza o Pálio, com a catedral que, a meu ver, possui a mais bela fachada da Itália e seu piso de pastilhas eternas, Pisa, Lucca são cidades que se rivalizam em história e beleza. Passear pela Toscana é atividade que nos traz tranquilidade e nos imerge na história da Península.
Mas, há também uma pequena vila medieval, com suas muralhas intactas, com seu casario original, SanGimignano. Quem vem dirigindo pela estrada, de repente vê no alto de uma colina, suas torres. Já foram 72, hoje são 14, algumas com mais de 50 metros de altura. Seriam obras das famílias que, desejando mostrar poder, as erguiam em vários estilos. Quanto mais altas, mais poderosos seus construtores. Ou­tra versão, mais para a lenda, diz que, além de mostrar suas riquezas, serviam para secar os enormes panos tingidos, uma técnica desenvolvida por seus cidadãos.

San Gimignano foi fundada no século III a.C, pelos etruscos e dada a fertilidade de seu solo, sempre se destacou economicamente. Na Idade Média teve o privilégio de ser localizada na Via Francigena, que ligava três grandes locais de peregrinação; Santiago de Compostela, Roma e Jerusa­lém. Seu esplendor dá-se no século XII e estende-se até a conquista e domínio por Florença, duzentos anos depois. A Peste Negra arrasa sua população e a cidade fenece, até que, no século XIX começa a ser explorada como centro cultural e de turismo.

É uma experiência única adentrá-la por suas portas pequenas e ver o casario medieval. Quantas pessoas não passaram por suas ruas de pedras, oraram em suas igrejas, frequentaram seus mercados e deixaram sua marcas em obras de arte ! Sua maior joia é, na minha opinião, a Colegiada de Santa Maria Assunta, sua principal igreja. Idealizada pelos arquitetos BenozzoGozzeli, Tadeodi Bartolo e Barnodi Siena, no século XII, caracteriza-se pela totalidade de seu interior tomada por afrescos. É impactante entrar no pequeno templo e ver suas cores que não precisaram ainda ser restauradas, representando cenas do Evangelho. Não há um só pedaço, um só canto que não tenha sido pintado. Ali, se destaca o azul Portinari das pinturas de Batatais.
Ponto alto da igreja é a capela de Santa Fina, como é chamada Serafina, santa da cidade, obra renascentista com decoração de Domenico Ghirlandaio, um dos expoentes do período. A Praça da Cisterna é o centro da pequena cidade, onde moradores e turistas caminham despreocupadamente. Quando a noite chega e a cidade se esvazia, passear por ela nos leva a reviver seu passado.

A cidade e região são famosas também por seu vinho branco, a Vernacchiadi San Gimignano, de acidez vibrante, textura adstringente e final que lembra frutas secas. Várias vinícolas oferecem a bebida em três tipos: annata, selezione e riserva, conforme o tempo de permanência em barricas de carvalho.

A Città dele belle Torri, como é chamada, é uma das visi­tas mais importantes a serem feitas e vividas na Toscana.