As eleições e o urbanismo

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Em tempos de eleições aparecem candidatos de todo tipo e formato. Aparecem os paraquedistas, inflados pela vaidade; aparecem os oportunistas, levados por condições de estarem atrelados a algum órgão de imprensa ou mídia e pouquíssimos são os preparados e que sabem o que falam e o que querem. Sendo assim vou tratar de um tema bastante delica­do: a política de Ribeirão Preto e seus políticos.

Assisto e ouço atentamente a todos candidatos à Prefeitura e a Câmara Municipal, mas como cidadão, me vejo como um idiota.

O que ouço são jargões e frases feitas que há mais de cinquenta anos são ditas pelos candidatos.
Alguns tópicos que gostaria de enfatizar nesta minha humilde análise.

1. Ribeirão Preto deveria ser tratada como uma Capital Metropolitana de grande im­portância no cenário nacional, mas está muito longe de ser tratada como tal;

2. Não vi nos governos passados e no governo atual a elaboração de um plano diretor amplo e completo, projetando uma Ribeirão Preto e região para os próximos 30 anos. O que eu vejo são micro planos defendendo interesses direcionados a grandes corporações, deixan­do de lado os anseios da população e os rumos da organização socioeconômica da região… Continuamos a crescer de forma desordenada, comprometendo o patrimônio público e o privado e a vida de gerações futuras. para isto o que penso passa por:

a) Redefinição de áreas urbanas. Vejo bairros como Lagoinha, Ribeirânia, Jardim Canadá, City Ribeirão, Jardim Califórnia e outros virarem verdadeiras favelas urbanas. E porque digo isto? Os proprietários destes imóveis de médio e alto luxo estão migrando para condomínios fechados, deixando para trás imóveis que estão se deteriorando com o tempo… Então, porque não transformar setorialmente estes bairros em condomínios modulados? Revitalizaria estes bairros, mantendo sua população próxima ao centro, economizando-se com a famosa mobilidade urbana, que tanto pregam e tão pouco fazem. Para se ter uma ideia, nos bairros citados acima, deve-se ter aproximadamente uns 4.000 imóveis à venda.

b) A famosa e tão discutida “mobilidade urbana”… Tenho visto obras e mais obras, que na verdade deveriam ter sido executadas no século passado. Estamos atrasados 30 anos ou mais em obras viárias. Deveríamos estar construindo ao menos três linhas de metrô… A primeira ligando Cravinhos a Jardinópolis; a segunda ligando Sertãozinho a Serrana e a terceira ligando Bonfim Paulista a Brodowski. Todas as linhas cruzando na Praça Carlos Gomes em Ribeirão Preto… Em cada uma das estações destas cidades originárias deveriam ser feitos mega bolsões de estacionamento para os carros locais e daqueles que viriam das cidades anteriores a elas…

Hoje Ribeirão Preto tem uma população flutuante diária de aproximadamente 1.200.000 habitantes e aproximadamente uma circulação de 600.000 veículos diariamente.

Cito como exemplo, a cidade de Amsterdam, na Holanda, que tem uma população de pouco mais de 600.000 habitantes e tem um sistema de transporte totalmente integrado, com bondes, ônibus, metrôs, ciclovias e veículos particulares.

Daqui a 30 anos, quantos seremos? Teremos ruas suficientes? A resposta é: daqui 5 a 10 anos nosso trânsito estará caótico e travado… E tudo que está sendo feito, rapidamente estará ultrapassado. Virão soluções que já conhecemos, tais como: rodízio de veículos, fechamento de vias públicas e outras mais…

Já ouvi de autoridades locais duas coisas inadmissíveis. A primeira é de que não temos demanda e a segunda é de que não temos dinheiro. Não posso aceitar nenhuma das argu­mentações como verdadeiras.

3. Mantemos ainda autarquias com modelos ultrapassados, tal como Daerp, Coderp e Transerp. Enquanto já falamos em modelos de gestão 4.0, estas citadas empresas municipais, são administradas de forma amadora, com pessoas não qualificadas e que não entendem dos problemas de nossa cidade. Temos nos altos escalões destas empresas, bem como Secretários do Governo Municipal importados de outras cidades, que pouco conhecem Ribeirão Preto, e isto vem se arrastando por várias administrações.

Sofremos muito com o trânsito de Ribeirão Preto, pois os agentes de trânsito e seus en­genheiros não estão preocupados em estudar e resolver os problemas existentes, mas sim em alimentar o rentável mercado das multas. Temos, na verdade, engenheiros de gabinete, que pouco vão às ruas conhecer os problemas de cada região da cidade, mal se importam com o clamor popular para várias ações que deveriam ser analisadas e são ignoradas.

4. Estamos matando aos poucos a nossa história, mantendo museus fechados, abando­nados à própria sorte.

5. Não temos e nunca teremos o tão esperado terminal de cargas internacional no Aeroporto Leite Lopes e, muito menos, o planejamento e instalação de um novo aeroporto em nossa região.

Estamos em uma das regiões mais ricas do Brasil, mas com uma visão míope e arcaica.

Infelizmente, somos vítimas de nós mesmos, que em muitas vezes não olhamos para o futuro e nos acostumamos com operações de tapa buraco e recapeamento de vias públicas, ao invés de pensarmos em formas de minimizarmos ou mesmo eliminarmos estas ações.

O que eu penso vai muito além disto que escrevi acima. Daria para escrever uma bro­chura de aproximadamente umas 60 páginas.

Até quando ficaremos ouvindo: “sou o Zé da Esquina e estarei lutando por moradia, educação e segurança”?
A solução não está em mudar pessoas, mas sim ideias. Está ficando cada vez mais difícil votar.

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