Você já ouvir falar em Transtornos do Espectro do Autis­mo (TEA)? Sabe do que se trata, se existem tratamentos, se há cura? É sobre estes assuntos que vamos tratar neste artigo.
Em dezembro de 2007, as Organizações das Nações Unidas instituíram que o dia 2 de abril seria dedicado à conscientização sobre TEA, uma vez que os estudos de prevalência mudaram o status da condição de “rara” para “problema de saúde pública” em 30 anos. Depois disso, o mês todo foi considerado como Abril Azul para engajar uma campanha com ações voltadas para o debate sobre o autismo.

Em 1943, autismo foi descrito como algo raro, causado por pais e mães “geladeira”, ou seja, de pouca afetividade com seus filhos. Felizmente, o conhecimento de que TEA é uma condição neurobiológica que deve ser estudada pe­las Neurociências mudou essa visão distorcida. Saímos de 1:5.000 nos anos 1970 para 1:250 casos em 2000, o que saltou aos olhos de todos. O CDC (Centro de Con­trole e Prevenção de Doenças) considera hoje que 1:54 nascidos seja autista. Por isso, certamente você já ouviu falar em autismo.

Não se trata de epidemia, já que pesquisas indicam que nem toda essa “avalanche” de casos seja novidade. Muitos indivíduos autistas estavam diagnosticados com outras condições ou simplesmente não existiam para as estatísti­cas. É provável, sim, que algo no ambiente esteja empur­rando uma tendência genética para o desfecho TEA, só não sabemos, com certeza, quais e como.

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais/DSM 5 classifica o autismo como um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por: (1) dificul­dades de comunicação e interação social e (2) pela pre­sença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos, com desregulação sensorial (tato, visão, olfato, audição, paladar, propriocepção e vestibular). Surge nos primeiros anos da criança, se perpetua ao longo de sua vida e tem diferentes graus de acometimento. Temos casos “clássicos” e outros que passam “despercebidos”. Não há cura. Mas há muita evolução.

Autismo é herdado, em 90% dos casos existem outros na família e temos alguns fatores de risco: anóxia neonatal, prematuridade, infecções durante a gestação, síndromes genéticas, entre outros. Os 10% sem acometimento fami­liar podem ser mutações ou causas ainda desconhecidas.

Uma suspeita diagnóstica é possível antes dos dois anos de idade, quando existem sinais de risco bem definidos. Para um diagnóstico de confirmação, precisamos de um tempo de observação e avaliação interdisciplinar (psicólo­ga, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e escola). Inter­venção à mínima suspeita melhora o prognóstico do nível de autonomia deste indivíduo, que é o que define o “grau do autismo” (1, 2 ou 3). Por isso, a necessidade de suspeita e intervenção precoce, sempre!