ALFREDO RISK

A retomada de cirurgias e tratamentos clínicos, especial­mente os oncológicos e trans­plantes, e o aumento no uso de sangue e componentes por pacientes com covid-19 não dão trégua para que o Banco de Sangue de Ribeirão Preto possa se reabastecer. A unidade apresenta no momento déficit de 40% nas doações, ao mesmo tempo em que a demanda por transfusões cresceu 11% nos úl­timos setes dias, e há previsão de aumentar mais.

“Sempre que há um declí­nio nas ocupações hospitalares decorrentes das internações por covid-19, essa demanda represada de tratamentos clí­nicos e cirúrgicos volta acu­mulada com necessidade la­tente de ser suprida”, esclarece a doutora Maria Isabel, médica hematologista do Banco de Sangue de Ribeirão Preto.

A demanda vem principal­mente dos tratamentos clínicos, cirúrgicos, oncológicos e de transplantes, que foram parcial­mente interrompidos nos últimos meses em razão do agravamento da pandemia e consequente su­perlotação dos hospitais.

Além dos tratamentos re­presados, Maria Isabel esclarece que, diferentemente da primei­ra onda da pandemia no Brasil, no ano passado, este ano está havendo maior incidência de transfusão de sangue e compo­nentes em pacientes de covid. “De certa forma, isso também impactou, mas não tanto quanto o represamento dos tratamentos clínicos e cirúrgicos”, ressalta.

Demanda versus oferta
O volume de doações de san­gue desde o início da pandemia caiu, principalmente pelo receio de contaminação pelo coronaví­rus, o que tem feito os bancos de sangue operarem sempre com estoque baixo. A situação é pre­ocupante, alerta a doutora Maria Isabel, porque pode colocar em risco a realização de cirurgias e tratamentos clínicos que já vêm sendo adiados desde o ano passado, além das cirurgias de emergência e os tratamentos de pacientes com covid-19.

Quanto ao perigo de con­taminação pelo vírus durante a doação, ela informa que o Banco de Sangue de Ribeirão Preto segue rigorosamente to­dos os protocolos de seguran­ça contra a covid-19 e mantém boas práticas preventivas para o enfrentamento ao coronaví­rus. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o número de doadores de sangue de um país seja de 3% a 5% do total da população.

No Brasil, porém, de acor­do com dados do Ministério da Saúde, este índice está abai­xo de 2%. Entre outros, um dos requisitos básicos para ser um doador é ter entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença dos pais no momento da doação).

Também deve estar em boas condições de saúde, pesar no mínimo 50 quilos e não ter fei­to uso de bebida alcoólica nas últimas doze horas. Na hora da doação, deve apresentar um do­cumento oficial com foto – Re­gistro Geral (RG, a cédula de identidade), Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e etc. – em bom estado de conserva­ção. Após o almoço ou inges­tão de alimentos gordurosos, aguardar três horas. Não é ne­cessário estar em jejum.

O Banco de Sangue de Ri­beirão Preto está de casa nova, instalado na rua Quintino Bo­caiúva nº 975, no Centro, a ape­nas 50 metros do antigo endere­ço. O novo local dispõe de uma infraestrutura ampla, em um es­paço exclusivo, fora de um am­biente hospitalar, para acolher o doador de sangue com o mes­mo carinho, agilidade e atenção, atendendo de segunda a sábado, das sete às 18 horas.