Nesta semana, levei o rádio de meu carro pro conserto na Trisom, do meu grande amigo Adalberto Nascimento. Ele e seu sócio Humberto comandam a loja há mais de 30 anos – os caras manjam do riscado, amigo. Joel, funcionário das antigas, foi quem retirou o toca-CD e, depois do repa­ro, quem o reinstalou novamente. Durante essas operações, ficamos levando um lero e ele lembrou de quando eu comprei um Honda Civic usado que estava com defeito no toca-CDs.

Logo abaixo tinha gavetinha emperrada, não abria nem por decreto e para resolver o babado era preciso fazer uma cirurgia milimétrica no painel. Deixei pra fazer tal opera­ção quando minha primeira-dama fosse fazer uma pequena viagem. E aconteceu, ela ficou dois dias fora, era o tempo necessário pra resolver essa parada. Joel precisou fazer um desmonte no painel, mas ele, muito caprichoso, foi realizando a operação com maestria até chegar na gavetinha emperrada.

Descobriu que o motivo era um batom, que nem ele imaginava como foi parar ali, impedindo o abrir e fechar da gavetinha. Ele me colocou a par da situação e deixou o famigerado batom ali perto do câmbio, onde colocamos pe­quenas bugigangas. Minha primeira-dama voltou de viagem e me deu carona até um evento. Depois iria me buscar e, ao nos despedirmos, deu uma geral no carro. Foi quando viu o batom e deu um baita grito: “Que batom é esse?”

Eu, na minha inocência, disse: “Deve ser seu, era ele que emperrava a gavetinha do toca-CD”. Nessa altura do campeo­nato, ela já havia armado aquele barraco e mandou ver: “Meu? Desde quando você me viu usar essa marca de batom, Payot?” Devo confessar que era um belo batom… Mas eu já estava atra­sado para o evento e ela continuava muito brava. Daí eu disse: Você tá duvidando? Vai lá na Trisom, fale com o Joel e esclareça tudo.” Ela saiu cantando pneu, Joel contou tudo, tintim por tin­tim, mas sabe como é mulher, né? Desconfia até da sombra.

Só sei que trocamos de carro, mas ela faz questão de deixar o tal batom entre as bugigangas. Vez em quando saímos e ela esquece de passar batom, aí lança mão do Payot, dizendo: “Vou passar o batom da sua amante”. Eu solto uma sonora risada e lhe faço até um gracejo, dizendo: “Bocão, meu amor”. E a vida segue.

Eu, Joel, Adalberto e Luiz Esteves rimos muito relembrando essa história. Pois não é que o Joel contou que sempre aconte­cem casos assim? Disse que dia desses estava instalando som num carro e achou um brinco debaixo do banco. Colocou a bijuteria no mesmo lugar de bugigangas, a mulher foi buscar o veículo com a filha pequena e, enquanto conversava, a menina entrou no carro e viu o brinco, avisando: “Mamãe, olhe aqui seu brinco.” A mulher logo disse: “Este brinco não é meu”.

Joel percebeu que a coisa ia esquentar, contou onde en­controu o objeto, disse que ela tremia feito vara verde e foi embora dizendo que seu marido ia ter que arrumar uma boa desculpa. Joel arrematou: “Não sei no que deu, mas acho que o marido se deu mal”.

Ele lembrou de outro caso. Um cliente foi com a esposa comprar um carro usado e percebeu que o alto-falante da porta do motorista não estava funcionando. Foi lá na Trisom checar. Joel conta que a porta tem um compartimento para colocar coisas e, mexendo ali, encontrou camisinhas e coisas femininas, logo mostrou para o amigo e cliente, que disse: “Deixe tudo aí.” E chamou a esposa pra ver. E não é que ela ficou meio desconfiada?Ele logo rebateu: “Mas, como? Acaba­mos de comprar o carro, eu e você!!!”

São coisas que acontecem. Depois do que passei, sempre aconselho os amigos que vão comprar carro usado para que tomem cuidado, deem uma geral daquelas bem dadas, e sem­pre com as esposas acompanhando.

Sexta conto mais.

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