Bolsonaro entre a bruxa e a feiticeira

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A recente história dos trinta anos (trintenária) da políti­ca brasileira, cada um explica a seu modo. Para os adeptos da doutrina espírita, pode ser o carma que carregamos. Para os fatais, destino. Há quem aposte numa mera coincidência, causalidade. Na numerologia, uma questão de sorte ou um fato de natureza científica.

Tudo começou nos anos de Getúlio Vargas (1934). Trinta anos depois (1964) os militares tomaram o poder. Às vésperas do vencimento do período seguinte (1990), vi­venciamos a ascensão e queda (impeachment) de Fernando Collor. Neste ciclo(2020), a derrocada do trabalhismo, com a destituição (impeachment) da primeira mulher Presi­denta (Dilma) e prisão durante um anodo seu padrinho (o líder),Lula. No transcurso de 30 em 30 anos somam fatos inesquecíveis, marcantes, relevantes da história.

Em 1961, Jânio Quadros (só seis meses na Presidên­cia) “explorou” seu desequilíbrio emocional com decisões extremas, proibindo o lança perfume no carnaval e o uso do biquíni nas praias. Boicotado, morreu sem dizer, claramen­te, porque renunciou ao cargo. Claro que a ordem contra o biquíni não se manteve e o perfume da festa do samba até hoje é reclamado: mas parece ter passado o seu tempo. Também o carnaval não voltará ao que foi. Seu antigo mo­delo vinha agonizando e deve ser reinventado pelo interesse comercial que o envolve. Uma curiosidade para o Brasil pós-vacina.

Collor (1990) assumiu tomando o dinheiro dos brasilei­ros, invadiu as poupanças bancárias, protagonizou façanhas adequadas ao seu ego (impróprias a um presidente), pilo­tando supersônico, exibindo-se em jet-ski, etc.

No trintenário iniciado neste governo há práticas que lembram Collor. Excesso de personalismo, autoritarismo, exageros e desrespeitos aos seus diretos colaboradores. A imprensa enfrenta o pior período pós militares (Figueire­do), com ofensas e ameaças, até contra as mulheres. En­quanto isso, o país tem a sua imagem externa arranhada pela desproteção da Amazônia e do meio ambiente. Parti­cipou de atos antidemocráticos, ofendeu a Suprema Corte (STF). Recusou-se combater a pandemia, minimizou a doença, negou a ciência, até nomeou Ministro da Saúde que não é médico.

Negligenciou a compra da vacina que faz falta, ao contrário de países vizinhos. Distribuiu mal a vacina. Já 250.000 mortos. Aumentou a miséria. Trabalhadores invisí­veis ficaram sem o auxílio emergencial. De quebra, perdeu o apoio dos Estados Unidos. Quer mais?

Se o governo não corresponde, as perspectivas são ruins. A economia não reage. Internamente vive desencontro com o vice-presidente (é evitado nas reuniões). É o extrato deste período da pré-campanha de 2022. O ambiente não é bom. Não dá para se enganar.

“E dai”, Presidente? Que vergonha! Decepcionante.

Sobra o aprendizado dos nossos trintenários, traumá­ticos (suas más lembranças), desanimadores, mostrando o governo Bolsonaro em sua saga (nome dos romanos às bruxas e feiticeiras). Mais um trintenário que arrastamos! E como… Seja persistente e solidário!

Precisamos mesmo é acreditar na proteção divina: que Deus nos ouça! (E não nos esqueça, nunca.) “Que o Espírito Santo repouse sobre nós e permaneça sempre.”