ALFREDO RISK

Com 280 votos a favor e 165 contrários, os deputados federais aprovaram na terça­-feira da semana passada, dia 20, o regime de urgência para um projeto de lei do presi­dente Jair Bolsonaro que abre caminho para a privatização dos Correios. Com a decisão, as entidades que representam os trabalhadores dos Correios intensificaram mobilizações com o objetivo de pressionar os deputados, em suas bases eleitorais, para que o projeto do Executivo não seja aprova­do quando entrar em votação.

Na última quarta-feira, dia 28, o secretário geral da Federação Nacional dos Tra­balhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Simi­lares (Fentec), José Rivaldo da Silva, esteve em Ribeirão Preto para se reunir com diri­gentes sindicais no Sindicato dos Correios. Ele deu detalhes sobre as ações que estão sendo realizadas em todo o país.

“Infelizmente devido a pandemia de covid-19 nossa mobilização também sofreu, mas estamos trabalhando nes­se processo conversando com nossa categoria, com os re­presentantes e principalmen­te com a população. As redes sociais estão sendo funda­mentais nesse processo”, disse Rivaldo. “A gente sabe como funciona o sistema ‘toma lá dá cá’ que existe no Congresso e a vontade de privatização do governo, mas estamos provo­cando esse debate com a so­ciedade”, acrescentou.

José Rivaldo ressaltou que a pandemia também provo­cou um acréscimo nos servi­ços dos Correios, mas que há um processo de sucateamento da estatal. “Em 2011 tínhamos 128 mil trabalhadores. Hoje cerca de 90 mil. Percebemos que o governo quer desva­lorizar, colocar o serviço em descrédito e com isso vender. Há uma precarização para o desmonte. Na verdade vai ser quase de graça se vender. O que a população tem que en­tender é que os serviços po­dem ficar mais caros e com menor qualidade se houver essa privatização”, avaliou.

Entre as ações, José Ri­valdo disse que a Federação mapeou a votação que os deputados que votaram pela urgência receberam em cada cidade e vem agindo para pressionar uma mudança.

Congresso
Com a aprovação da ur­gência na semana passada, o projeto de privatização dos Correios poderá ir a plenário sem passar por comissões. Depois da Câmara Federal, se aprovado, o projeto é enca­minhado ao Senado.

O projeto autoriza o Go­verno Federal a transformar a Empresa Brasileira de Cor­reios e Telégrafos (ECT), atu­almente 100% estatal, em uma sociedade de economia mista, vinculada ao Ministério das Comunicações e chamada “Correios do Brasil S.A – Cor­reios”, com sede no Distrito Federal. A proposta prevê ainda que a Anatel passará a ser denominada Agência Na­cional de Telecomunicações e Serviços Postais sendo a res­ponsável por regulamentar os dois setores.