Em matéria anterior, aqui mesmo nesse espaço, tivemos a oportu­nidade de tecer comentários sobre uma doença grave dos intestinos, mas que tem cura, sim, se detectada no começo, o que é perfeitamente possível. O que ocorre é que, a sociedade brasileira (principalmente a população masculina) tem o hábito equivocado de procurar assistência médica somente em casos de grande incômodo ou quando a pessoa não consegue mais trabalhar, o que é um erro crasso.

Muitas doenças graves sinalizam seu aparecimento e instalação através de pequenos sinais e sintomas perfeitamente sentidos pela pessoa e que ela simplesmente não valoriza e por isso não procura médico.

No caso específico do câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, esses sinais e sintomas existem como já comentamos e voltamos a repetir: a alteração dos hábitos intestinais que é a frequência diária ou de alguns dias de intervalo de evacuações tanto para mais como para menos, aliados a um certo desconforto ou dorzinha de barriga ou a uma certa fraqueza que é comumente confundida com preguiça ou algum filamento vermelho nas fezes, o que não significa a presença da doença, mas a indicação forte da necessidade de se procurar o seu médi­co ou um clínico geral, que são a porta de entrada para a realização dos exames necessários para se firmar o diagnóstico.

O tratamento do câncer de intestino tem progredido muito nos últimos anos graças a investimentos maciços feitos por países como o Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, China e Japão.

Medidas preventivas como o rastreamento recomendado hoje para qualquer pessoa de mais de 50 anos e para pessoas de risco familiar a partir dos 40 anos, que é realizado através de um exame chamado Colonoscopia em que é possível enxergar o aparecimento de um crescimento nessa parte do intestino de um caroço tipo uma verruga que os médicos chamam de pólipo, uma lesão que no futuro pode se transformar em câncer.

Durante o exame essa lesão, se existir, é removida e examinada ao laboratório fornecendo informações sobre a presença ou não da doença. Se negativa, a pessoa pode ficar tranquila, mas tem que estar sendo monitorada com a realização de futuros exames a cada cinco ou dez anos dependendo do fator de risco dessa pessoa.

O acompanhamento deve sempre ser realizado pelo médico especialista em proctologia, ou gastro ou oncologista (médico espe­cialista em câncer). Por outro lado, médicos pesquisadores têm feito importantes descobertas sobre os fatores de risco relacionados com o aparecimento do câncer de intestino.
Trata-se de causas sociais notadamente ao que chamamos de estilo inadequado de vida, ou seja, a pessoa incorpora hábitos e ati­tudes prejudiciais ao organismo humano. Por exemplo, a pessoa em busca de crescimento financeiro pode exagerar nessas metas com o aumento excessivo do número de horas trabalhadas, comprometen­do assim a sua qualidade de vida e a de seus familiares, sem conside­rar que o cuidado com a saúde tem que vir em primeiro lugar.

Uma alimentação balanceada, que significa os diversos componentes na proporção certa, bem como a realização de pelo menos meia-hora diária de atividade física e dormir de sete a nove horas por noite consti­tuem o tripé para se ter um organismo saudável aliados a outras condi­ções, como reduzir o consumo de bebidas alcoólicas e não fumar de jeito nenhum. Alguns alimentos são altamente recomendáveis, como aqueles que contêm fibras em maior quantidade como as frutas, as verduras e os legumes que devem ser consumidos diariamente, bem como são reco­mendáveis as chamadas carnes brancas como o frango e o peixe.

Já as carnes ditas vermelhas, os embutidos como salsichas, salames, bacon etc devem ser consumidos com moderação e nunca todos os dias. Uma consulta médica uma vez ao ano, mesmo que a pessoa não esteja sen­tindo nada, precisa ser realizada e o médico certamente vai solicitar exames de rotina para se detectar o aparecimento de qualquer doença mesmo na ausência de qualquer sintoma. Aí estão os ingredientes para a pessoa ficar livre do aparecimento de muitas doenças, entre elas o câncer de intestino ou colorreretal e a pessoa possa ter uma vida longa e feliz. E é isso mesmo que, eu, como médico, desejo para você: que você tenha uma vida longa e feliz.

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